18de abril,2026

ValenteCruz

ValenteCruz

Friday, 15 April 2016 17:00

Trilho do Gresso

Tendo faltado ao evento do ano passado, demorámos ainda algum tempo para nos decidirmos a percorrer estes trilhos além-Vouga. A chegada da primavera lá nos acelerou a vontade e fizemo-nos ao caminho, começando por este Trilho do Gresso. A promessa da companhia do rio acabou por nos ajudar na escolha. Trata-se de um percurso com cerca de 12 quilómetros, cujo interesse se distribui entre a paisagem natural e agrícola.

CapelaNuma manhã que prometia bom tempo, seguimos até Rocas do Vouga e estacionámos junto à igreja. Espevitados pelo café, começámos a “manobrar” as pernas e seguimos pelo asfalto até ao primeiro desvio pelos campos. Paredes meias e socalcos vizinhos com a aldeia, prosseguimos até ao primeiro ponto de interesse do trilho: a Capela do Linheiro. Trata-se de um espaço perdido entre o abandono e a recuperação, que mantém um certo encanto que nos cativa o olhar. A capela está inserida numa quinta que ainda se mantém em atividade.

Cruzando alguns caminhos agrícolas e outras tantas estradas alcançámos os moinhos. O trilho acompanha uma levada de água que vai passando por vários moinhos, entretanto desativados. À medida que se percorrem os campos agrícolas fica-se com a sensação que se está entrar numa ruralidade já esquecida. Após passarmos um último reduto de cultivo entrámos no reino das mimosas, por onde o trilho fura sempre a coberto do sol. A levada termina longe, junto ao rio, mas a dado o momento o trilho vai ficando mais fechado e é necessário seguir pelo caminho. Fazendo um pequeno desvio é possível aceder a um local que tem uma vista soberba sobre o vale. Impressiona o desnível acentuado da paisagem. Lá em baixo, o Gresso apressava-se para chegar ao Vouga. Descemos a encosta, cruzámos a estrada e, num reGresso várias vezes adiado, finalmente encontrámo-lo.

Gresso

Na ponte aproveitámos para uma primeira paragem de descanso e ainda considerámos almoçar por ali, mas acabámos por adiar. Ficámos por curiosidade em largar o conforto do trilho e arriscar uma abordagem de descoberta pelas margens do rio. Bem, na verdade, essa curiosidade apenas se manifestou em mim, sendo que a Valente tratou de a controlar. Acabámos por continuar e subimos a encosta, deambulando por caminhos florestais e agrícolas. O rio foi-se afastando, mas o som da progressão das águas era uma melodia natural constante.

Passando por mais alguns campos, reencontrámos a civilização. O céu, que foi ficando cada vez mais cinzento, começou a ameaçar com chuva. Acelerámos o passo e, descoberta atrás de descoberta, entrámos numa zona de carvalhos e castanheiros. Pisando as folhas caídas das últimas estações, começámos a avistar o final da caminhada. As ameaças tornaram-se então reais e fizemos os últimos quilómetros já debaixo de uma chuva miudinha.

Guiados pelo geocaching, através de recipientes dedicados e muito adequados, recomendam-se a visita e o percurso. Os eucaliptais e as partes de alcatrão acabam por diluir-se nos outros motivos de interesse. Numa próxima oportunidade voltaremos a terras de SeVer para os percursos vizinhos. Fica também a vontade de explorar melhor o percurso das diversas linhas de água, pese embora o desafio aumentar de dificuldade. O track pode ser analisado e descarregado aqui.

Track

Boas caminhadas e boas descobertas!

Milho

 

Artigo publicado em antoniocruz.pt.

Friday, 08 April 2016 17:00

A perceção do risco e os limites

Neste artigo irei divagar sobre desafios e limites. Faço-o numa perspetiva de reflexão pessoal e não com a ambição de distribuir conselhos, até porque talvez não seja a pessoa mais indicada para o fazer. Todos temos limites e mais cedo ou mais tarde acabaremos por enfrentar situações complicadas. É certo que este passatempo pode servir para espevitar esse encontro. Dependendo do tipo de geocaching que praticamos, inevitavelmente acabaremos por ser confrontados com situações para as quais não estamos preparados, tanto a nível físico como mental.

Antes de conhecer o geocaching, sempre que passava numa estrada e olhava para um local aparentemente inacessível que ficasse nas imediações, contentava-me por vê-lo. Nenhuma outra vontade se insurgia. Com o geocaching, à medida que nos vamos imiscuindo nos seus meandros, somos tentados e levados a passar as nossas barreiras do conforto. Aos poucos, o suor, os riscos e as feridas transformam-se em inevitabilidades, que podem inclusive tornar-se em estranhos desejos insuspeitos.

Fraga das Pastorinhas

Certo dia, ao passar pela Serra da Peneda, fiz uma paragem natural no Miradouro de Tibo para admirar a majestosa Fraga das Pastorinhas (GC2M30X), suspensa sobre um vale com cerca de 500 metros de profundidade. Quando dei por mim já estava enredado por vontades e nasceu então o desejo de alcançar o seu topo fazendo a subida desde o Rio Peneda. O encontro ficou marcado para o ano seguinte, numa viagem de propósito único. Infelizmente, a minha companhia acabou por desmarcar no último momento por indisponibilidade, pelo que passou a ser uma aventura solitária. Deveria ter cancelado a investida, mas a vontade foi mais forte. Quando entrei no Parque Nacional encontrei um nevoeiro sebastiânico, pelo que o plano passou a ser vislumbrar a paisagem e lamentar o infortúnio. Ao revisitar o miradouro não se vislumbrava qualquer ponta do desafio. Ainda assim, decidi descer até Tibo para ir procurar a Lagoa dos Druidas (GC2E5TY). Quando cheguei ao rio apercebi-me que o nevoeiro estava confinado à metade superior do vale. Assim, resolvi averiguar até onde conseguiria subir em segurança. Acabei por chegar ao topo, com algumas passagens mais técnicas pelo meio. Aos poucos, o nevoeiro foi-se também dissimulando na minha resiliência e acabou por desaparecer. As vistas ficaram libertas e tive então uma das melhores sensações de que tenho memória. Contudo, as dificuldades não terminaram com a ascensão. Descer revelou-se muito mais exigente e não demorei muito a ficar bastante cansado, com assinaláveis dificuldades de progressão. Ao refletir sobre aquele dia, sei que arrisquei demasiado e não o voltaria a fazer. Foi talvez a minha aventura de superação mais insana.

Uma das questões mais relevantes com a superação dos limites prende-se precisamente com a companhia, que nos pode ajudar a ultrapassar as dificuldades ou emprestar um pouco de clarividência na tomada de decisões. Recordo-me de estar a atravessar as Montanhas Nebulosas (GC3C7J6) com o joom e, ao subirmos para a Serra Amarela, já ao anoitecer, começou a trovejar. De imediato, ele referiu que deveríamos descer para ficarmos em segurança. Tínhamos planeado a travessia ao pormenor e a vontade de continuar era muita. Em todos os momentos de preparação jamais tinha considerado a desistência e aquelas palavras foram tão tonitruantes na minha consciência como os raios da trovoada! Acabámos por descer e ainda bem que o fizemos. A aventura continuou no dia seguinte, num grande esforço de superação da distância a percorrer. Aquela decisão foi um atalho para a segurança!

Serra da Estrela

Num outro episódio em que a natureza se virou contra a nossa vontade, estava a fazer a ascensão Into the Wild (GC3ER8Y) da Serra da Estrela com o Sphinx quando, ao chegarmos à Lagoa Comprida e já depois de termos suportado algumas horas de chuva, começou a nevar. A temperatura tinha baixado bastante e, ao parar, comecei a entrar em hipotermia. Mesmo sabendo que não estava em condições de continuar, dei por mim perdido em considerações que talvez ainda conseguisse andar mais um pouco, tal era a vontade de completar a experiência. Valeu-me o discernimento do Sphinx. Quando regressámos a Seia já estávamos a replanear a investida para o fim de semana seguinte. As oportunidades não se perdem, apenas se transfiguram.

Mas nem sempre temos uma boa companhia nos ajudar a decidir em situações mais complexas. Recordo-me de ter problemas por ter feito uma má avaliação das minhas condições físicas e da quantidade de água que levei aquando de um percurso pela Serra do Risco (GCH744). Acabei por terminar o dia com uma sede do tamanho da falésia e em grande esforço. Nas inúmeras paragens, em cada pedaço de sombra, comecei mesmo a ouvir murmúrios ilusórios; os zumbidos dos mosquitos pareciam-me vozes de pessoas que me poderiam ajudar. De facto, numa situação crítica, é muito fácil sermos enganados pela nossa mente.

Mudando de serra e de país, creio que a cache mais difícil que já encontrei foi a Despedida y Cierre (GC3PR09), situada no Pico Torrecerredo, o cume dos Picos de Europa. Curiosamente, a avaliação dificuldade/terreno fica-se pelos 2.5/4.5. Para chegar a este pico, que fica afastado das rotas turísticas, deve fazer-se um percurso de vários quilómetros (com algumas passagens mais técnicas pelo meio), mas a verdadeira dificuldade surge quando se chega à base do desafio. O pico ergue-se de forma abrupta a cerca de 250 metros da nossa vontade. Não é estreitamente necessário fazer escalada, mas a ascensão passa em locais de grande exposição e é fundamental ter algum domínio das técnicas. Pode ainda ser complicado perceber qual é o melhor acesso (numa perspetiva de se subir apenas para locais de onde se consegue sair). A meio da ascensão em solitário, fui surpreendido pelo nevoeiro, o que veio a complicar ainda mais a situação. Para além das dificuldades do terreno já referidas, já no cume, encontrar o micro recipiente em tanta pedra solta é um verdadeiro teste de paciência. Como seria de esperar nestas circunstâncias, a descida também não foi fácil, dado que se tem de enfrentar a vertigem de frente.

Pico Gilbo - Picos da Europa

O trail running é um dos desafios de superação mais marcantes que já vivenciei. Logo que fiquei a conhecer a prova Ultra Trail Serra da Freita fiquei fascinado e senti uma necessidade premente de fazer o percurso na sua globalidade. Duas semanas depois, na companhia do mafilll, já estava a fazer o percurso (GC3GVZB). Tínhamos a esperança de o conseguir terminar num dia, mas acabámos por atingir o nosso limite (físico e mental) após cerca de 45 quilómetros em 16 horas de caminhada. A experiência acabou por servir de aprendizagem e um ano depois consegui terminar a prova, com cerca de 70 quilómetros, em menos de 16 horas. Creio que o que acabou por fazer a diferença foi o facto de, pelo pouco treino prévio e pela perceção da dimensão do desafio, ter uma esperança muito reduzida de sucesso; assim, quando, numa fase avançada da prova, comecei a acreditar que conseguiria acabar, a parte mental suplantou a dor física. Nunca irei esquecer aquela sensação ao cruzar a meta depois de ter passado por tanta dificuldade. Foi, sem dúvida, um limite que muito prazer me deu superar. O facto de ter sido realizado durante uma prova oficial deu-me um conforto de segurança importante; se algo corresse terrivelmente mal, sabia que alguém me haveria de ajudar.

Apesar de gostar de montanhas, sempre tive alguma apreensão em praticar desportos com cordas. Por incrível ou ridículo que possa parecer, julgo até que sentia mais confiança em mim do que numa corda para vencer um desafio. Quando fiz a minha estreia no rapel estava numa vertigem de medo. Porém, o receio acabou por se diluir nos ensinamentos de quem me acompanhou e num aumento natural da confiança. Algum tempo depois estreei-me no canyoning, desafio que nunca pensei vencer por não saber nadar. As dúvidas iniciais foram ultrapassadas pelo conhecimento e entreajuda dos amigos que me acompanharam. Foi mais uma experiência incrível de superação!

E assim termina esta viagem de reflexão pessoal sobre algumas situações de redescoberta e aprendizagem, tanto a nível da perceção do risco de algumas aventuras, como na superação dos limites associados.

Serra do Marão

Artigo publicado na GeoMagazine #17 e em antoniocruz.pt.

Friday, 25 March 2016 17:00

Rota do Megalitismo [Sever do Vouga]

Após várias passagens pela zona, resolvemos finalmente ir à descoberta da Rota do Megalitismo de Sever do Vouga (PR5), aliando pedestrianismo e geocaching. Para além da visita aos três monumentos megalíticos, o trilho permite ainda o contacto com uma zona de paisagem de montanha que está a recuperar do grande incêndio de 2013. O percurso tem início na aldeia de Arcas (nome popular para Antas), junto à capela. Seguindo pela aldeia, rapidamente deixámos o alcatrão e entrámos num caminho florestal. Poucas centenas de metros depois chegámos ao primeiro ponto de interesse, a Anta da Capela dos Mouros. Pese embora a degradação natural associada à passagem do tempo, trata-se de estrutura de dimensão considerável. O monumento é constituído por uma galeria e por uma câmara. O espaço está bem recuperado, mas falta informação no local.

Campo

Continuando a caminhada, e fazendo um pequeno desvio, acedemos a um vértice geodésico esquecido. A zona oferece uma vista desabrigada da região envolvente; em dias de céu descoberto é possível avistar a zona litoral e o mar. De volta ao caminho sentimos depois as primeiras dificuldades com a falta de marcação no trilho. De um modo geral torna-se intuitivo seguir o percurso, mas alguns cruzamentos carecem de marcação. Com um salto sobre o ribeiro, entrámos numa zona de campos agrícolas abandonados. Aos poucos, a Natureza vai-se sobrepondo às alterações criadas pelo Homem. Abandonando a terra, os pés voltaram depois a sentir o alcatrão. De soslaio, passámos pela aldeia Quinta Porto dos Lobos e, sensivelmente a meio da caminhada, visitámos a abandonada Casa do Guarda Florestal. O espaço e a zona envolvente encontram-se lamentavelmente votados ao abandono.

Prosseguimos depois em direção ao miradouro de Santa Maria da Serra, mas primeiro ainda fomos visitar o segundo ponto de interesse megalítico: a Anta de Poço dos Mouros. Tem uma estrutura semelhante à Capela dos Mouros, possuindo galeria e câmara. Foi por esta altura que a chuva decidiu abençoar a nossa caminhada e já não voltaria a largar-nos. Subindo a encosta, ascendemos então ao miradouro de Santa Maria da Serra. Trata-se de um espaço bastante agradável, encimado por uma capela. Existem ainda diversas mesas espalhadas pela zona envolvente, ideais para uma refeição ligeira e para um descanso merecido.

Floresta

O trilho desce do miradouro e prossegue em direção a Arcas. Esta parte do percurso também oferece vistas largas sobre o horizonte. A meio caminho entre o miradouro e a aldeia encontrámos o último ponto de interesse megalítico, a Anta da Sepultura do Rei. Ao contrário dos anteriores, neste apenas subsiste a câmara. As informações sobre o local, para além do que é visível, são também escassas.

À medida que nos aproximámos de Arcas e do fim do percurso tornou-se mais evidente a falta de marcação do trilho e a necessidade de a entidade responsável proceder à sua limpeza. Em algumas partes foi necessário furar por entre a vegetação, que se começa a apoderar do trilho. Deixando para trás os cerca de 10 quilómetros, a chegada proporcionou-nos o merecido descanso.

Ficha técnica:

Ficha Técnica

Para além do interesse que subjaz do título, esta rota possui ainda algum interesse paisagístico e patrimonial; é de dificuldade reduzida, mas está a precisar de manutenção (marcação e limpeza).

Boas caminhadas!

Trilho

 

Artigo partilhado de antoniocruz.pt.

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