18de abril,2026

ValenteCruz

ValenteCruz

Friday, 30 September 2016 17:00

Gerês, uma viagem pela Terra Média

Já por duas vezes estivemos para realizar a caminhada d’O Hobbit, numa viagem pela Terra Média do Gerês, mas devido às condições climatéricas acabámos sempre por adiar. Desta vez, a meio de um agosto quente, a manhã acordou novamente cinzenta e a tradição parecia manter-se. A chuva miudinha caía em silêncio e deslizou depois para uma alteração de planos, dado que a previsão meteorológica para a tarde raiava uma melhoria. Fomos primeiro visitar o castelo de Lindoso, uma casa misteriosa e acabámos a manhã nas piscinas de água termal de Lobios; é, sem dúvida, um bom sítio para se estar enquanto chove.

espigueiros-lindoso

Regressámos pela Mata de Albergaria e fizemos uma paragem para almoço na Portela de Leonte. Depois de um périplo pela vila, subimos à Pedra Bela e estacionámos no local recomendado. Entretanto, a chuva tinha terminado e o nevoeiro ia-se dissipando, pelo que decidimos investir na caminhada. A primeira parte acabou por ganhar alguns contornos de misticismo, com o nevoeiro a vaguear por entre as árvores. À medida que se vai subindo o caminho dá lugar a um trilho, as encostas tornam-se mais inclinadas e os amontoados graníticos vão compondo a paisagem.

Depois de uma primeira paragem sobre um vale muito fotogénico, chegámos por fim ao Curral da Carvalha da Égua. O prado é bastante grande e o abrigo parece ter excelentes condições. Prosseguimos pelo trilho e umas centenas de metros mais à frente encontrámos um novo prado/abrigo, bastante mais rústico, mas igualmente interessante. A partir do prado entrámos no reino dos trilhos mais exíguos, tendo como guias as mariolas. Desviámo-nos do trilho que segue para a Teixeira e subimos o monte em busca da descoberta. Ao longe, os prados anteriores iam ficando cada vez mais pequenos.

montanha

À medida que íamos subindo o nevoeiro acabou por dissipar-se, pelo que ficámos com uma visão inteira do que nos rodeada. As nuvens compunham o cenário, para deleite da máquina fotográfica. Depois de mais um ponto de passagem, fizemos as contas ao destino e ao tempo disponível. Enquanto a Valente ficaria a aguardar, eu completaria a experiência, subindo ao pico. Acelerei a vontade, mas acabei por fazer uma má leitura do mapa e subir para onde não precisaria. Na montanha temos que respeitar as curvas de nível e evitar subidas e descidas desnecessárias. A progressão nesta parte do trajeto estava um pouco mais difícil, visto que o trilho deve ser raramente usado. Surgiu então a visão da Montanha Solitária. Ao longe, o Pé de Cabril assemelhava-se na forma e despertava algumas memórias e outras tantas vontades de um regresso.

trilho

Alcancei por fim a terra plana, no dorso da encosta. Aproveitei então uma paragem para apreciar as vistas para os vales do Gerês e da Teixeira. O final da aventura estava perto, mas ainda era preciso vencer um último desafio. Com cuidado, esgueirei-me pelo pico e não demorei muito a chegar lá acima. A vista é triunfante e arrebatadora. Apetece ficar por ali indefinidamente a apreciar a solidão do local, envolvido por uma paisagem grandiosa. Depois das fotos, e após alguma procura, lá acabei por encontrar o que desejava e marquei mais uma descoberta geresiana fantástica.

mariola

O regresso foi feito em modo acelerado, evitando a zona em que o trilho estava mais fechado, mas acrescentando mais uma subida ao cardápio. Resumindo, fui a direito pelos picos. Reencontrei a Valente e refizemos depois o caminho de regresso à civilização, aproveitando mais algumas paragens e muitas fotografias. No regresso encontrámos dois caminhantes que iam no sentido inverso, talvez com o intuito de pernoitar nos prados. Chegámos ao carro cerca de 4 horas depois de termos iniciado esta aventura e ainda fomos a tempo de assistir a um prenúncio de despedida do sol desde o miradouro da Pedra Bela.

Artigo publicado em antoniocruz.pt.

Friday, 16 September 2016 17:00

El túnel del pánico

A Bateria Costeira de Cabo Silleiro é uma instalação militar abandonada que fica perto de Baiona. É constituída por vários edifícios à superfície e uma rede de túneis subterrâneos que liga 4 bunkers, onde ainda se encontram canhões de artilharia. Construída antes da Guerra Civil, pretendia defender o país de um ataque naval que nunca chegou a ocorrer. Foi abandonada em 1998 e desde então entrou em decadência. Existem planos para transformar o local num atrativo turístico, mas para já vai-se sujeitando à ruída do tempo. Do passado, chegam também histórias de acontecimentos estranhos e inexplicáveis. Eis, El túnel del pánico!

mapa-cabo-silleiro
Há cerca de 2 anos atrás fizemos uma primeira abordagem a estes túneis. Porém, as dúvidas acabaram por suplantar a vontade de continuar e acabámos por desistir. Desta vez, num desejado regresso à região para visitarmos as Ilhas Cíes, esta experiência não poderia ser mais adiada. Logo pela manhã seguimos até Baiona e ainda aproveitámos a praia. A meio da manhã, resolvi investir na redescoberta dos túneis, enquanto a Valente permaneceu na praia. Seria, por seguinte, uma missão a solo.

canhao

Estacionei no local recomendado e fui avançando pelas ruínas. Para meu espanto, ao invés de solitude, encontrei por lá várias pessoas, inclusive famílias. Tal acaba por dar mais conforto, mas diminuiu um pouco o cenário pós-apocalíptico e distópico. Prossegui até ao edifício da Telemetria e subi primeiro até ao topo, onde encontrei um miradouro de visão semicerrada sobre o mar. Desci depois até ao pânico em busca das pistas necessárias para concluir a aventura. A descida inicial é feita por patamares e parece que estamos a entrar para um mundo escondido e esquecido.

edificios

Já nos escombros do medo, prossegui pelo túnel e fui percorrendo as diversas salas abandonadas com expetativa. Em algumas subsistem frechas por onde a luz entra, mas na maioria reinam as trevas e uma humidade que se entranha na consciência. A dado momento comecei a ouvir vozes e percebi que não estaria sozinho no subsolo. As apresentações foram feitas ao virar de uma esquina e em conjunto com mais três turistas fiz o caminho até ao bunker nº 2. Pelo caminho apercebemo-nos da escadaria interminável que dava acesso aos bunkers nº 3 e 4, mas ninguém se sentiu tentado a arriscar a abordagem. Chegámos por fim ao bunker nº 2; encontrar por ali um canhão é tão surreal como interessante, conferindo à experiência uma autenticidade palpável.

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Os colegas acabaram por regressar, mas optei por ficar para trás, também porque queria andar por ali sozinho. No regresso ao túnel aproximei-me da escadaria e desci os dois patamares do medo. Sozinho, já se sente alguma inquietação ao espreitar para as salas vazias, temendo um encontro imediato com alguma criatura, real ou imaginária. Também por isso, a descoberta ficou ainda mais interessante. Parecia que estava dentro do jogo Doom, mas de máquina fotográfica em riste. Na encruzilhada segui pela esquerda e visitei primeiro o bunker nº 3, deixando para último o mais longínquo e tenebroso. Lá em baixo, onde o silêncio era mais profundo, reinava o âmago da escuridão.

escadaria

No regresso reencontrei os colegas, que ainda andavam por lá a explorar. Tendo em conta as dúvidas deles, acabei por mostrar-lhes o mapa que eu levava no telemóvel. Eles, para além de ficarem admirados, sentiram-se mais confiantes para irem aos bunkers mais profundos e afastados. Continuei depois as minhas buscas pelo acesso ao bunker nº 1. Porém, a investida não estava fácil. Andei para trás e para a frente, saí dos túneis e apenas depois de um telefonema é que percebi o que teria de fazer. Depois, numa das salas escondidas, lá consegui encontrar o acesso, esgueirei-me pelo teto e subi mais 3 patamares de escadarias. O acesso é realmente incrível e espetacular. Chegado lá acima encontrei o tesouro desejado, perfeitamente enquadrado no ambiente e contexto.

patamares

Terminada a descoberta, e depois de um interregno de praia, ainda tivemos a oportunidade de descobrir a casa do capitão, um pouco mais afastada, e uma vista triunfante sobre o mar com o sol em despedida. Para quem gosta de aventura, história militar e do frenesim de andar pela escuridão, a Bateria do Cabo Silleiro é de visita obrigatória!

farol

Artigo publicado em antoniocruz.pt. 

Friday, 02 September 2016 17:00

O triunfo dos números

 Todos os geocachers são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros. Quando ninguém está a ver, já todos, ou quase todos, contornámos normas e acumulámos sorrisos sem que os tivéssemos granjeado devidamente. Os contextos podem ser muito variados, desde as descobertas desligadas em grupo, as coordenadas finais que surgem por magia ou os enigmas que se auto-resolvem. Existem vários níveis de perversão e não é fácil descortinar o que ultrapassa o limite do razoável. Talvez a mentira seja a melhor forma de o perceber. Se no seu registo alguém precisar de mentir ou de esconder a verdade é porque não deveria registar aquela descoberta. Todos temos telhados de vidro, mas alguns abusam.

Praia da Claridade

Não tenho qualquer pretensão de ser moralista e não penso que o geocaching deva ser aquilo que eu desejo ou alguém idealiza. Trata-se de um passatempo e cada um poderá vivê-lo à sua maneira, desde que isso não prejudique outros geocachers ou o próprio passatempo. Também, no que diz respeito às normas a seguir, a legitimidade das descobertas pode ser demasiado simplista e insuficiente: se o nome do geocacher estiver no livro de registos, então a descoberta é válida. Cada um de nós, desde a inscrição no passatempo até à colocação da última cache, aceitou estas normas. Porém, independentemente dos factos referidos, a questão não é assim tão linear.

Entre um simples registo no livro e a descoberta da cache pode haver diferenças abismais de dedicação, tempo despendido e distâncias percorridas. Uma não-descoberta pode mesmo valer por mil falsos registos. Como dono de caches, e por respeito aos geocachers que se empenharam para encontrar uma determinada cache e/ou atingir um objetivo, muitas vezes indo além daquilo que consideravam os seus limites, tenho o dever de proteger a cache de descobertas que, embora não pareçam ilegais, são desprovidas de sentido e ameaçam o próprio conceito do passatempo. Muitas vezes são os próprios geocachers, que já concluíram uma determinada cache, a informar sobre a situação imprópria, “insistindo” na reposição da verdade. Infelizmente, essa proteção apenas pode ter efeitos nos vindouros. Os maiores problemas associados a estas descobertas desviantes é que não sabemos os limites ou repercussões da situação. Rapidamente as coordenadas podem ir parar a uma lista e a única solução é alterar o ponto final e/ou reformular o enigma. Para além de injusto, é imoral.

Chapéus voadores

Ao olhar para o meu percurso no geocaching associo geralmente os momentos de maior satisfação e realização às conquistas mais exigentes. Tanto a nível de caches colocadas como descobertas. Compreendo que a vontade de subir nas estatísticas possa induzir as pessoas na tentação de registar mais caches do que deveria. Porém, acredito que quando gostamos de algo deveremos fazer um esforço para evitarmos as más práticas. Mais cedo ou mais tarde acabaremos por perceber que não conseguiremos encontrar todas as caches que existem. Ainda que no imediato a perceção dos números possa afagar o orgulho, com o tempo as falsas descobertas conduziram ao desinteresse. De consciência tranquila, as estatísticas têm outro encanto. Não por vaidade, mas para que as possamos sentir como verdadeiras; por respeito ao passatempo, mas sobretudo por respeito a nós próprios.

Os registos imaginários e as estatísticas enviesadas não conseguem gerar experiências marcantes. Tais descobertas são insubstituíveis, pese embora todas as dificuldades inerentes, desde a preparação da aventura até à superação do desafio. E isso vale por qualquer pódio, sobretudo os falsos. É esse, também, o geocaching que nos inspira e pelo qual deveremos insistir; promover um geocaching verdadeiro; prezar por uma lei moral acima de qualquer interesse pessoal e propagar uma consciência cívica sobre o melhor para o passatempo; fazer o bem sem estarmos à espera de benefícios; agir de forma correta independentemente das consequências e possuir uma disposição natural para, mesmo que mais ninguém veja, agirmos como se estivéssemos a ser observados. Contra o triunfo dos números, vale a pena lutar por um “geocaching de rosto humano”!

 

Prado do Vidoal

Artigo publicado na GeoMagazine#22 e em antoniocruz.pt. 

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