18de abril,2026

ValenteCruz

ValenteCruz

Friday, 26 August 2016 17:00

Gerês em agosto

A Serra do Gerês é mundo maravilhoso erguido pela minúcia da natureza. Os rios correm cristalinos pelos vales profundos, os prados escondidos são resquícios de um passado pastoril e os picos parecem pêndulos do tempo. Todas as oportunidades são boas para descobrir este espaço primevo, mas em agosto existem equilíbrios que ficam desvanecidos pelo turismo. As cascatas/lagoas mais acessíveis enchem-se de pessoas e de más práticas, os perigos aumentam e as leis de proteção ambiental tornam-se alíneas esquecidas ao abrigo de interesses questionáveis.

Comecei a descobrir a Serra do Gerês há cerca de 6 anos atrás. Desde então, regresso todos os anos como um peregrino em busca da sua fé. A cada descoberta sinto-me como se estivesse a construir uma casa de memórias e é sempre um prazer retornar a este domicílio sentimental. Por aquilo que tenho descoberto, pela experiência adquirida e por aquilo que aprendi com amigos que partilham esta paixão, divido o Gerês em 3 níveis de descoberta: o Turístico, o Escondido e o Profundo.

Mata da Albergaria

O Gerês Turístico estende-se pela vila, pela albufeira, pelos miradouros e pelas cascatas acessíveis. É anunciado em postos de turismo, imediato e relativamente fácil de descobrir. Mesmo sem querer, é inevitável passar pela Albufeira da Caniçada, percorrer as estradas da Mata de Albergaria, subir ao Miradouro da Pedra Bela, visitar a Cascata do Arado, reencontrar o passado no museu/aldeia de Vilarinho da Furna ou admirar o mosteiro e a cascata de Pitões das Júnias. Entre os trilhos homologados, quem quiser uma fazer uma caminhada curta e com perfume a Gerês Escondido pode percorrer o trilho da Calcedónia.

Para além dos lugares divulgados pelo turismo existem outros que se tornaram tão famosos que é muito fácil chegar lá, como a Fecha de Barjas, mais conhecida como Cascatas do Tahiti. Em agosto, todos os dias, centenas de pessoas passam pelo local. Depois, uma mistura de fatores, tais como inclinação acentuada, pedra escorregadia, inexistência de estruturas de apoio e vontade de aceder às lagoas inferiores, faz com que os acidentes sejam recorrentes. Este ano, em agosto, passei por lá manhã cedo para fazer umas fotografias, sem os habituais turistas, e é lamentável o lixo que por lá se encontra.

Cascata de Pitões

As lagoas do rio Homem também se tornaram muito famosas entre os turistas. Em plena Área de Proteção Total do parque, onde é proibido aceder sem autorização prévia, as lagoas perfazem as delícias dos veraneantes. Tal acaba por redundar numa situação no mínimo caricata, em que as entidades competentes fecham os olhos aos inúmeros turistas e ao lixo deixado para trás, mas depois multam cegamente quem passa pelo caminho que dá acesso às Minas dos Carris.

O Gerês Turístico apresenta locais fantásticos, mas em agosto pode sofrer em demasia pelo excesso de turismo. O que fazer? Avançar para o Gerês Escondido! Todos temos gostos distintos, mas sempre que passo pelos sítios mais turísticos do Gerês questiono-me como é que havendo tanto por descobrir as pessoas escolhem sempre os mesmos locais, quer seja por preguiça ou desconhecimento. Por outro lado, confesso que sinto um contentamento egoísta pela realidade. Longe das multidões e dos roteiros turistas, existe um Gerês Escondido que vale muito a pena descobrir. É preciso caminhar, mas com poucos quilómetros é possível chegar a locais fantásticos, tais como: o Pé de Cabril, o Prado do Vidoal, o Poço Azul ou a fraga de S. João.

Vilarinho da Furna

Depois de se palmilhar o Gerês Escondido já não haverá volta a dar: querer-se-á sempre mais! Rapidamente seremos confrontados com a inquietação sobre o que haverá para lá das curtas distâncias geresianas. É inevitável pois que se entre pelo Gerês Profundo, um mundo encantado e apelativo. Tudo se tornará então grande, cavado, selvagem e inesquecível! As míticas Rocalva e Roca Negra, as Minas dos Carris,  o Pico da Nevosa, as Sombrosas, o Concelinho ou a Fraga do Paúl. Enfim, uma infinidade geresiana de contemplação e solidão. Porém, naturalmente, o Gerês Escondido e Profundo obrigam a cuidados redobrados e a sua descoberta implica previamente uma caminhada de experiências e conhecimentos acumulados.

Todos os motivos e todos os meses são bons para visitar o Gerês. É possível escolher os locais e as aventuras à medida das circunstâncias e das nossas características. Porém, em agosto, o Gerês Turístico pode não ser a melhor opção. Existe um mundo incrível por descobrir, onde os maus turistas não chegam e a serra é suficientemente grande e acolhedora para albergar todos os nossos sonhos e expetativas!

Roca Negra

Artigo publicado em antoniocruz.pt.

Friday, 29 July 2016 17:00

Douro Sublime

 

Douro sublime

Nem sempre a magia está nos olhos de quem vê; existem locais que são mágicos por si e não dependem de perspetivas ou ambiguidades. As encostas do rio Douro encerram uma magia quase inefável e esta é uma viagem por este reino maravilhoso. É encantador deambular esquecido do mundo pelas encostas engrandecidas do Douro, onde a paisagem foi transformada pela vontade indomável do Homem. Um mundo de acidentes naturais vergados por instintos primevos ao longo de infindas gerações. A dureza da vida enraizada nas unhas das suas gentes e concretizada em paisagens domesticadas pela arte.

Nem sempre é fácil definir o que representa a identidade portuguesa. No Douro, essa definição torna-se imediata e intuitiva. Não precisamos de a tentar explicar ou compreender; apenas basta abrir os olhos e contemplar esta essência secular que nos vai moldando a alma, mesmo que nem sempre o saibamos merecer.

Esta viagem começa na Régua e segue a montante da vida. As pontes antigas (GC3BHRR) que ligam as margens emolduram também quadros e enfeitam cenários. Prosseguindo por estradas inventadas em vertentes íngremes, torneando o tempo, chega-se à primeira paragem, São Leonardo de Galafura (GC4YTJJ). Miguel Torga, o poeta que melhor soube descrever estas encostas sublimes, recebe-nos com palavras de inspiração e conforto. A paisagem é de facto um abuso da Natureza e ler aqueles versos fantásticos é um assombro de beleza. A cada olhar, em cada perspetiva, tenta-se perpetuar as imagens na memória. E, ainda assim, cada revisita é diferente e especial.

Pontes

Lá em baixo, acompanhando fielmente a margem do rio, segue aquela que alguns consideram a melhor estrada do mundo (GC5T7J6). Opiniões e algoritmos à parte, é indubitável que será uma das mais bonitas. Descendo a encosta e cruzando a ponte, encontram-se inúmeras quintas engalanadas que merecem uma visita demorada (GC5HEXH). Depois, contemplação após vislumbre, chega-se ao Pinhão (GC1X76Q). Na estação, enquanto se aguarda pelo comboio, é possível revisitar a história do Douro pela arte dos azulejos. Ali tudo parece parado num tempo bucólico e despreocupado.

Barco RabeloO rio é como a própria vida. Nem sempre é calmo, cristalino e fácil; muitas vezes torna-se colérico e inesperado. Apesar de domado por sucessivas barragens, ocasionalmente sobe às arribas e consome as margens. As águas arrastam tudo, adquirindo uma tonalidade terra-tumultuosa. Longe vão os dias em que os barcos rabelos deslizavam a vida pelo rio em viagens imprevisíveis; agora, do conforto dos passeios turísticos, tudo parece mais simples e controlado.

Deixando para trás outros miradouros, seguindo por estradas e atalhos meandrosos, encontra-se o Tua. A barragem (GC37Q9X) surge como uma crosta na paisagem, que supostamente deveria ser protegida. Como uma ferida aberta, continua-se a escarafunchar as encostas do rio para construir algo que meio mundo julga desnecessário. Mesmo em termos objetivos, considerando o impacto negativo provocado pelo desaproveitamento turístico, presente e futuro, são muito discutíveis os benefícios desta construção. Algumas barragens, ainda que nos tragam energia, levam-nos a alma.

Foz do Tedo

Em cada instante surgem motivos para parar e contemplar. A paisagem vai-se tornando mais selvagem e menos geométrica. A mistura dos espaços domesticados em vinhas e olivais com áreas de natureza conferem às encostas do Douro um equilíbrio inspirador (GC4XK93). Nada parece imposto ou falso. Ao longe, São Salvador do Mundo é um gigante adormecido, emprestado a este mundo para deleite de quem o alcança (GC1284Q). A encosta escarpada desce em penedia e arvoredo até encontrar o rio. Apetece ficar por ali indefinidamente.

MiraDouro

O Douro é paisagem e vinho. Ambos fermentados ao longo de séculos pelo lavor das suas gentes. A paisagem fica, mas o vinho parte. Todo este trabalho de arte e tradição segue a jusante do rio até à foz. Lá chegado, delonga-se algum tempo por Gaia, que o vai envelhecendo nas caves. O Porto mete-lhe depois um rótulo e envia-o para o mundo. Não querendo discutir a importância das etapas, parece injusto negligenciar pelo nome a terra-mãe em favor do local de batismo. Este vinho deveria ser do Douro, e não do Porto.

Régua

As viagens pelo Douro despertam frequentemente uma vontade instintiva: procura-se em cada encosta o sítio perfeito para morar. Aos poucos, e quase sem o notarmos, vamos construindo de facto uma morada imaginária de memórias no Douro, sempre disponível para nos albergar de qualquer despejo fortuito do mundo.

Anoitecer Douro

Artigo publicado na GeoMagazine#21 e em antoniocruz.pt.

Friday, 22 July 2016 17:00

Lagoa da Paixão

A Lagoa da Paixão (ou Peixão) situa-se na base do Fragão do Poio dos Cães e encima o Vale da Candeeira. Para lá chegar é necessário seguir pela rota do Maciço Central, um trilho circular e secular, por onde seguiam os ritos do pastoreio. O local mais propício para o início é no Covão d’Ametade, mas nesta abordagem resolvemos alargar os horizontes. O Cântaro Magro foi o princípio e o fim desta experiência, que terminou com o nascer do sol.



Localização: N 40° 20.555 W 007° 36.376 

Percurso: track.

Música:  Now we are free (Hans Zimmer)

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