ValenteCruz
GeoRaces, Mini Super Liga e Eventos Gourmet
Nas próximas semanas irão decorrer 2 eventos de excelência na região saloia de Sintra. Eventos Gourmet!
Para os mais destemidos, no dia 14 de maio irá decorrer a GeoRaces, a 1ª Geocorrida Mais Louca do Mundo. Constrói o teu carro e participa numa corrida cheia de adrenalina! O tema da corrida é o geocaching e haverá prémios pela originalidade e performance.
Consulta o regulamento, onde estão todas as informações necessárias. O evento será no local de concentração dos carros, junto à linha de partida. Para além da corrida irão decorrer mais algumas atividades. Vem participar e conviver neste original evento, junta uma equipa, constrói o teu carro e inscreve-te!

O regresso da Mini Super Liga está marcado para dia 28 de maio. O evento irá decorrer no Pavilhão Desportivo Liga dos amigos de Covas de Ferro, inserido num fim de semana recheado de atividades. Estarão garantidas as melhores condições logísticas e todas as comodidades para a realização do torneio.
O regulamento do torneio está disponível para consulta no mini site da Liga. Reúne os teus amigos, inscreve a tua equipa e vem participar nesta grande festa do geocaching e do futebol!

Estes são bons exemplos de Eventos Gourmet. De forma regular, pretende-se organizar um evento que seja diferente e memorável para os participantes, tendo como objetivo divulgar os produtos regionais, organizar atividades inovadoras e levar os participantes a locais que dificilmente iriam de outra forma.
Todos os geocachers interessados terão a oportunidade de organizar um Evento Gourmet! Desde que tenham boas ideias e motivação, basta submeter a sua proposta ao GeoPT, que dará o seu apoio no que for necessário para a magia acontecer!

Ser ou não ser membro premium, eis a divagação
Quem se inicia no maravilhoso mundo do geocaching é confrontado com a possibilidade de escolha entre permanecer membro básico ou investir numa promoção da conta e tornar-se membro premium. Ao pagar uma anuidade de €29.99, o geocacher passará a usufruir de um conjunto de regalias pensadas para melhorar a experiência no passatempo. Mas será que o investimento valerá mesmo a pena? Existe obviamente uma ambiguidade intrínseca e a resposta varia de acordo com o perfil de geocacher e com a utilização das vantagens disponibilizadas. Ser ou não ser membro premium, eis a divagação!
Um dos problemas iniciais da Groundspeak, a empresa que detém a plataforma geocaching.com e que foi a principal impulsionadora do passatempo, prendeu-se com a falta de capital. Uma das formas encontradas para ultrapassar esta dificuldade foi o recurso a donativos/anuidades. Os geocachers que se tornaram e continuaram a ser membros premium desde o primeiro ano da empresa, contribuindo assim para a expansão inicial do geocaching, foram posteriormente denominados membros charter como sinal de reconhecimento. Em Portugal, o único geocacher que teve o estatuto de membro charter foi o MAntunes.
O centro de ajuda do portal geocaching.com menciona um conjunto de 14 vantagens relacionadas com a existência de uma conta premium. A lista, simplificada e traduzida, é a seguinte:
![Chapéus [Águeda]](http://antoniocruz.pt/wp-content/uploads/2016/05/Chapéus-Águeda.jpg)
- Criação de pocket queries (listas de caches produzidas de forma imediata segundo critérios específicos – local, tipo, dificuldade, terreno, etc – até um máximo de 1000 caches por pocket querie);
- Colocação e acesso a caches premium;
- Criação e gestão de bookmarks (listas de caches organizadas segundo um determinado critério);
- Criação de uma lista de caches existentes ao longo de uma rota;
- Notificações instantâneas de caches novas;
- Atribuição de pontos favoritos às caches;
- Escolha do fornecedor do mapa (Google Maps, MapQuest e/ou OpenStreetMap);
- Filtro de caches que aparecem no mapa;
- Consulta de estatísticas;
- Prática de geocaching sem o recurso a papel;
- Acesso à Geocaching Live API;
- Acesso a todas as ferramentas premium de todos os sítios da Groundspeak (geocaching.com, waymarking.com e wherigo.com);
- Ver registos de geocachers que observaram as nossas caches premium;
- Contribuição para o desenvolvimento e manutenção do portal geocaching.com.
Qualquer análise ou divagação que se faça sobre a utilidade prática das diferentes vantagens dependerá do perfil do geocacher, da utilização que faz das regalias disponibilizadas e ainda do conhecimento que possuiu sobre outras ferramentas ou aplicações tecnológicas. Assim, esta não é uma problemática fácil de generalizar. Porém, posso abordar a minha experiência pessoal. Logo após o registo tornou-se por demais evidente a vantagem da criação de pocket queries. Imbuídos pelo espírito imberbe de querer encontrar todas as caches do mundo e arredores, à falta de alternativas, a passagem individual de caches para o GPSr ou a impressão em papel pareceram uma verdadeira penitência. Pouco tempo depois surgiu a atribuição de pontos favoritos às caches e o contexto tornou-se ainda mais interessante. A ideia de premiar ou diferenciar as melhores caches pareceu tão natural quão útil, tanto na perspetiva de dono como de descobridor.

As notificações instantâneas de novas caches também se revelaram interessantes no início, mas como nunca fomos infetados pelo “bichinho” do FTF (first to find) acabámos por não usufruir de facto da vantagem. Por mais que tente compreender as vantagens de criar e gerir caches premium, confesso que não consigo. Acredito que todos os geocachers devem ter a oportunidade de encontrar todas as caches. Em relação à manutenção das caches, as boas e as más práticas tanto existem nos membros premium como nos membros básicos. Indissociavelmente. Porém, se menos geocachers têm acesso a uma determinada cache é mais provável que ela venha a precisar de menos manutenção. Mesmo quando era membro premium estas caches sempre me pareceram um elitismo desnecessário. Contudo, dada a existência desta “vantagem”, trata-se de uma prerrogativa que cabe ou não aos membros premium usar. As bookmarks também nunca me fascinaram de sobremaneira. Bastava-me colocar as caches que me suscitavam interesse em observação. Sendo membro premium podia explorar as estatísticas e responder a algumas curiosidades. Por fim, na perspetiva de utilizador de um serviço, acabou por ser justo contribuir para o desenvolvimento do passatempo, também pelas fantásticas experiências proporcionadas. As regalias em falta nesta análise, por desconhecimento ou desinteresse, acabaram por ser ignoradas.
Depois, num processo gradual, o nosso perfil de geocachers foi-se alterando. Passámos a abdicar da quantidade em prol da qualidade e atualmente basta uma boa cache para nos remediar a necessidade de descoberta. Assim, aliada à existência de alternativas, a premência de usar pocket queries desvaneceu-se. Apareceram depois alternativas para se ficar informado sobre novas caches e esta vantagem esfumou-se. Surgiram ou foram descobertas alternativas viáveis para suster a curiosidade em consultar estatísticas, cuja cadência foi também diminuindo muito consideravelmente. Pelos meios disponíveis, o nosso geocaching manteve-se sem o recurso ao papel. Sendo cada vez menos uma necessidade, optámos por deixar de ser membros premium. No final, até a libertação da atribuição dos pontos favoritos nos pareceu mais uma bênção do que um inconveniente. Deixámos de poder ver as caches premium, mas aprendemos a lidar com a ausência com uma indiferença forçada. Resta também o conforto da contribuição para a manutenção do geocaching.com no passado.
Ser ou não ser membro premium dependerá do perfil de cada geocacher. Esta divagação não pretende influenciar decisões, mas apenas relatar uma perspetiva. Para os mais curiosos ou duvidosos, a Groundspeak, os revisores e/ou outras entidades podem oferecer aos membros que nunca tenham sido premium uma mensalidade para experimentar. Membro premium ou não, no geocaching basta o prazer de descoberta. E isso deve ser básico!

Artigo publicado na GeoMagazine#20 e em antoniocruz.pt.
Caminho de Santiago – Caramulo e Vale do Vouga
Decorreu no passado dia 24 de abril a inauguração do Caminho de Santiago – Caramulo e Vale do Vouga, referente ao concelho de Oliveira de Frades. Trata-se de um percurso linear, entre a sede de município e a localidade de Reigoso, com cerca de 13 km de vivências. Pretende-se assim recuperar o caminho secular que tinha como destino Santiago de Compostela. O evento foi ainda integrado nas comemorações do Dia Mundial dos Monumentos e Sítios.
A inauguração acabou por ser “apadrinhada” pelo geocaching e teve como anfitrião o Filipe Soares (fmpbs). Feito o convite, a comunidade apareceu em peso. Mais de 80 participantes apresentaram-se junto ao Museu Municipal logo pela manhã. Enquanto se reavivavam as memórias de outras aventuras, os estômagos iam sendo reconfortados com as iguarias da gastronomia local, que fez do concelho a capital do frango do campo.
Feito o registo do evento no bastão de peregrino, criado propositadamente para o efeito, seguiu-se o registo fotográfico na escadaria da igreja matriz. O espaço foi curto para os sorrisos e expetativas. Iniciou-se de seguida a caminhada, em que os peregrinos foram guiados pelas setas amarelas e pelas caches estrategicamente colocadas. Sobre o percurso e os locais visitados o melhor é recordar as palavras promocionais ao evento para perceber o interesse subjacente:
“Parte do Caminho assenta no trajeto da estrada romana que ligava Viseu a Águeda, que desde a Idade Média passou a ser designada por estrada “velha” ou do “peixe”. Nela se cruzavam almocreves, que forneciam de peixe as gentes da serra e peregrinos a caminho de Santiago de Compostela. Ao longo do Caminho, o património é rico e diversificado: diversos troços da estrada romana, carvalho centenário classificado, casas apalaçadas e de matriz rural beirã, fontes, alminhas, capelas e igrejas, com especial destaque para a Igreja de Reigoso (com referência à Albergaria Medieval).”

Parte do percurso já era conhecida, uma vez que no ano passado tivemos a oportunidade de participar numa primeira caminhada de reconhecimento e marcação. Ainda assim, regressar é sempre um prazer. Deambulando por pedaços de ruralidade e zonas florestais típicas da região, cada quilómetro vencido aproximava-nos de Reigoso. Para além do património, mais ou menos esquecido, as partes de floresta diversificada e os cruzamentos com algumas linhas de água tornavam o percurso mais agradável e conferiam à experiência um bucolismo que nos ia preenchendo os sentidos.
É ainda de enaltecer o trabalho desenvolvido pelo anfitrião na criação de caches e outros elementos condizentes com a tradição do caminho, o que acaba por envolver mais profundamente o caminhante no espírito inerente. Numa organização irrepreensível, à chegada dos caminhantes a Reigoso já lá estavam os autocarros que haveriam de fazer a viagem de regresso a Oliveira de Frades, onde decorreu o almoço-convívio que finalizou as atividades da manhã.

Se durante a manhã se caminhou entre a tradição e o passado, a tarde estava dedicada à natureza e ao futuro. Decorreu na serra do Ladário mais uma ação de reflorestação de árvores e esperança. Pela passagem do tempo e ajuda dos participantes, a paisagem vai recuperando do terrível incêndio que assolou a região no verão de 2013. Depois dos trabalhos houve ainda tempo para algumas descobertas e um lanche de despedida. Foi, portanto, um excelente dia de convívio, exercício e boas causas!

Artigo publicado em antoniocruz.pt.



