18de abril,2026

ValenteCruz

ValenteCruz

Sunday, 25 June 2017 10:00

sunrise@Cântaro_Magro_III

 Já lá vão seis anos desde o primeiro sunrise. Os três primeiros decorreram sem que existisse um evento de geocaching associado. A motivação inicial estava relacionada com a procura de inspiração para escrever O Tempo Inquieto. Passados estes anos, diria que a história continua a escrever-se, mas de uma forma diferente, também pela maneira como cada pessoa que participa no evento o vive. O plano de atividades era exigente e as temperaturas elevadas acabaram por acrescentar mais dificuldade. A ameaça de trovoada e chuviscos ajudava a completar o cenário, mas nem isso demoveu as dezenas de pessoas que se deslocaram até às terras altas da Beira para mais um fim-de-semana de aventuras e Natureza.

No sábado, depois de uma breve confraternização em Seia, arrancámos Into the Wild pelos trilhos da Estrela. A subida inicial até à Cabeça da Velha fez-se sem grandes problemas e o percurso pelos canais de água serviram para recuperar do esforço, assim como o banho refrescante nos Cornos do Diabo. Continuando pelo trilho, passámos o Porto dos Bois e aproveitámos a ribeira da Caniça para uma nova pausa, refrescando a vontade e alimentando o ânimo. Como anunciado pelas previsões meteorológicas, estava bastante quente, pelo que o desafio exigia mais cuidado, muita água e algumas paragens de recuperação do esforço.

 

Enfrentámos depois o grande desafio do dia, com a subida da Crista do Carvalhalzinho. Aproveitando o trilho aberto no ano passado pela prova do Ultra Trail Serra da Estrela, fomos subindo a encosta. A visão do vale da Caniça foi-se tornando mais inteira e panorâmica. As dificuldades foram sentidas de forma distinta e o grupo acabou por se alongar. A chegada à Lagoa Comprida serviu para um novo descanso, assim como para um almoço reforçado pelas iguarias da região. Foi interessante notar a mudança no estado de ânimo: à chegada, metade dos caminhantes estava convencido que iria desistir; após o descanso e algumas palavras de motivação, quase todos prosseguimos.

O percurso quase plano pelo estradão da lagoa serviu para ajudar a recuperar do cansaço. Nota ainda para o mar de água que jorrava do túnel vindo da Lagoa do Covão do Meio, do outro lado da montanha. Despedimo-nos da planura reconfortante e iniciámos a subida para o planalto do Cume. Mais uma vez, é fantástico vislumbrar a Lagoa Comprida na sua plenitude; parece um manto de água suspenso sobre o horizonte. Depois de passarmos pelo Cume, enveredámos por uma nova versão do percurso. Em vez de descermos até à Garganta de Loriga seguimos pela Rota do Maciço Central e fomos cumprimentar de soslaio os dois cântaros. Arrisco dizer que a mudança vale sobretudo por aquela visão. Dali, fomos até à Torre num esgar. Para além do cansaço natural, continua a fascinar-me a alegria nos rostos das pessoas por terem ultrapassado o desafio. Aquilo que antes era apenas um sonho tornara-se realidade pelo suor da vontade. No total foram cerca de 24 km de percurso. O trilho pode ser visto aqui. Parabéns a todos os resistentes!

 

Após a logística de recuperação dos carros, seguimos para o estacionamento do Cântaro Magro, onde já estavam alguns participantes a aguardar para a subida. Aproveitámos então para jantar e ultimar os preparativos. Com algum atraso, acabámos por subir já depois de anoitecer, mas tudo correu sem sobressaltos. Porém, quando chegámos ao topo já lá estava o vento. Depois de alguma exploração, fomos à procura dos lugares mais abrigados. Fizemos o check-in e preparámo-nos para a ceia. Como tem sido habitual, não faltaram os queijos e os enchidos para reconfortar o estômago, assim como variadíssimos licores para tonificar a alma. A meio do convívio passou uma nuvem mais negra e ainda deixou cair algumas pingas, mas foram chuviscos de pouca duração. Felizmente.

Como o dia anterior tinha sido exigente e o seguinte não se afigurava diferente, alguns dos participantes avançaram para a pernoita. Outros, pareciam querer vigiar a noite e as estrelas enquanto houvesse motivação. Ou seja, algo para beber. Pelo meio tive de me afastar um pouco para ver se conseguia dormir, mas mal consegui enganar o sono. Noite dentro, chegaram mais participantes. Inclusive, depois de esgotarem a bebida, os convivas conseguiram que chegasse mais. Fui despertando de barulho em barulho, até que me levantei às 4h30 para ir buscar os participantes que iriam fazer a subida de madrugada. Quando cheguei ao local de estacionamento encontrei um certo olhar intrigado em algumas pessoas que iriam fazer a subida pela primeira vez. No fundo, é a mesma que eu tive há alguns anos atrás quando desconfiava ser impossível fazer aquela subida sem material.

Em fila, escuridão dentro, seguimos pelas escarpas do Cântaro. Ao longe, deveria parecer uma procissão para o céu. A subida acabou por delongar-se um pouco mais do que o esperado, dado o número de pessoas. Todavia, obstáculo atrás de obstáculo, lá conseguimos chegar ao topo. Seguiu-se o momento pelo qual todos esperávamos. Mais isolados ou em grupo, em silêncio perscrutador ou em convívio, os presentes distribuíram-se pelo espaço para receberem mais um dia. Pode parecer tendencioso, mas o amanhecer neste local é deveras especial e diferente de todos os outros. Este foi ainda mais especial, pois finalmente consegui convencer a Valente a estar presente. Ano após ano, creio que este evento se transformou no meu início de Ano Novo. Assim espero continuar por muitos anos.

Após a habitual foto de grupo, recolhemos os resquícios da noite e descemos em fila para o mundo real. Aproveitámos então para tomar o pequeno-almoço com vista para o fabuloso hotel. Já com o estômago reconfortado, os participantes foram seguindo os seus caminhos. Alguns iniciaram a viagem de regresso, enquanto outros preparavam-se para mais alguma exploração da Estrela. O programa do evento para domingo oferecia uma caminhada entre o Magro e o Gordo. Após algumas despedidas, o grupo de resistentes fez-se ao caminho para a exigente descida para o Covão Cimeiro. Qualquer que seja a panorâmica que se tenha do Magro, o Cântaro impressiona a cada vislumbre.

Com passagem pelo carro sinistrado que fica a meio da descida, prosseguimos para o covão e atravessámos aquele terreno pantanoso. Apanhámos depois boleia na Rota do Maciço Central e chegámos ao Covão d’Ametade, onde a sombra verdejante nos reconfortou o corpo. Sempre na senda da rota, continuámos para o Vale da Candeeira, atalhando caminho um pouco antes na direção da Lagoa dos Cântaros. Na chegada à lagoa aproveitámos para um merecido banho nas suas águas refrescantes e límpidas. Já com o estômago reconfortado, iniciámos a subida pela crista da montanha em direção ao topo do Cântaro Gordo. Gosto bastante de fazer aquela parte do percurso, tanto por ter ainda alguma tecnicidade, como pelo desafio da subida constante e inclinada.

Com algumas paragens pelo caminho, alcançámos por fim o topo do Cântaro Gordo e fomos bafejados com uma vista fantástica sobre os vales limítrofes. A conquista deste desafio representou também o ponto de viragem nas dificuldades do fim-de-semana. O pior já passara. Seguindo pelo trilho, descemos do Cântaro e enveredámos pelo planalto na direção da estrada que, posteriormente, nos haveria de levar de regresso ao estacionamento do Cântaro Magro e à conclusão das aventuras do fim-de-semana. No total, neste percurso fizemos cerca de 8km, mas as dificuldades extravasam essa distância. O track pode ser visto aqui.

No final, já no conforto do carro, aproveitámos ainda a passagem pela Lagoa Comprida para um brinde de despedida. Infelizmente, enquanto andávamos perdidos do mundo na Estrela, uma neblina esbatida de fumo trouxe-nos a notícia dos incêndios que assolavam Portugal, em particular da tragédia de Pedrógão Grande.

Foram dois dias exigentes e quase sem dormir, mas fui para casa com a alma cheia. Tanto porque todos os regressos a estes recantos da Estrela são fantásticos, mas sobretudo por notar o encanto dos participantes ao viverem aquele momento especial e a sua alegria na superação dos desafios. Ao longo dos anos, dado o contexto e a envolvência, creio que o evento acabou por adquirir uma certa mística, que continua a fascinar quem o vivencia e também quem gostaria de estar presente. Para o ano há mais. Muito obrigado a todos os participantes por tornarem o sunrise@Cântaro_Magro ainda mais especial!

As minhas fotos do evento podem ser vistas aqui.

 Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Sunday, 28 May 2017 10:00

Drave Trail III

Existem locais que nos fascinam desde o primeiro olhar. Existem locais que nos enchem a alma a cada regresso. Existem locais que, de tão fantásticos, existem em nós como se fossem mais do que memórias. A Drave é um local assim. Adormecida numa encosta da serra da Arada, entre a confluência de três ribeiros de águas cristalinas, é a morada perfeita para quem gosta de chamar casa à Natureza.

Neste ano, o regresso à Drave ficou marcado para o dia 20 de maio. Vindos dos mais variados locais, os participantes juntaram-se em Regoufe. A breve confraternização serviu para rever os amigos e conhecer as aventuras mais recentes. Fiquei também a saber os pormenores do resgate das cabras perdidas. Afinal, as cabras tinham sido dispersas por um helicóptero nas buscas pelo Pedro Dias, sendo que as bichas ainda conseguiram escapar aos lobos. Já mais bravias do que domesticadas, apenas à terceira tentativa e com o rebanho no local é que foram finalmente resgatadas.

Como tem sido habitual, os participantes foram divididos entre a corrida e a caminhada, com percursos e dificuldades distintas. Naturalmente, acabei por seguir com o grupo de corrida. De todas as formas de chegar à Drave a subida do rio Paivô, prosseguindo pela ribeira da Drave, é a minha favorita. Chegados ao rio, rapidamente percebemos que o nível da água iria colocar-nos alguns desafios. Em janeiro passado, na marcação do track, tinha conseguido fazer o percurso sem molhar os pés. Desta vez, fomos à água logo ao primeiro obstáculo. Porém, como estava bom tempo, o trajeto pela água acabou por ser mais uma benesse do que um contratempo.

Desafio atrás de desafio, lá chegámos à Aldeia Mágica, onde reencontrámos os caminheiros do evento, sentados à sombra de uma história de magia. Como tem sido habitual, a aldeia estava cheia de vida. As pessoas chegavam e partiam com o olhar encantado. Os escuteiros dividiam-se entre o passeio, o descanso, o restauro de uma escadaria e uma palestra sobre a história da aldeia.

O nosso almoço decorreu junto à lagoa da aldeia, entre a sombra e o bucolismo. Depois do repasto, tivemos ainda tempo redescobrir alguns recantos da aldeia. Com os grupos entregues à exploração daquele mundo mágico, prosseguimos pela ribeira de Palhais em direção ao Portal do Inferno. Com o sol a pique sobre a encosta escalvada, esta subida encimou uma miragem de descanso. Seguiu-se uma descida técnica até Covas do Monte, onde aproveitámos para recuperar o fôlego. Por fim, nova subida extenuante ao Portal, com a aldeia e os campos a surgirem bem emoldurados. Depois do pior, enquanto partilhávamos ideias e momentos de trail, descemos até Regoufe num relance. Pelo meio pudemos testemunhar a generosidade dos habitantes destas montanhas mágicas, com o padeiro da região a servir de taxista, guia de adegas e conselheiro sentimental. O track da corrida pode ser visto e descarregado aqui.

Já em Regoufe, enquanto esperávamos pelo jantar, ainda tivemos tempo de ir espreitar as minas. O cenário distópico parece lembrar-nos que tudo nesta vida é passageiro. Com o apetite aguçado pelo cansaço e pelas vistas generosas, o jantar no restaurante “O mineiro” foi excelente, tal como a conversa que o acompanhou. Dificilmente haveria melhor forma de terminar este dia fantástico. No final, foi um prazer ouvir as histórias da dona Fátima. Desde os rapazes que vão treinar de noite para aquelas montanhas como preparação para os Himalaias, aos encontros com os lobos e às suas entrevistas para a comunicação social.

Restam os agradecimentos. Obrigado ao João e ao Joaquim por se terem lembrado que seria boa ideia organizar um evento de trail na Drave. Obrigado ao Filipe que serviu de guia para o grupo da caminhada. Obrigado à dona Fátima e aos seus colaboradores pela extrema simpatia e profissionalismo. Obrigado a todos pela participação. Até para o ano!

 

 

Sunday, 14 May 2017 10:00

Castillo de Peñafiel

Existe um encanto sublime e misterioso em visitar sítios que sucumbiram à passagem do tempo. Escritos pela saudade, é como se o abandono delineasse no presente as formas do mundo num futuro ausente. Na antiga região da Egitânea sobram os locais onde é possível desvendar os resquícios de um passado riquíssimo, enquanto a atualidade se vai escrevendo à conta de quem resiste e persiste. Assim que ficámos a conhecer a existência do castelo de Peñafiel (Zarza la Mayor, Espanha), engendrámos de imediato um plano para o visitar. É um dos locais mais deslumbrantes que o geocaching já nos revelou. Tudo é fascínio e nada é deceção. A paisagem surge engrandecida e a história sobrevive! O facto de estar isolado apenas o torna ainda mais interessante. Vale!



Artigo publicado em cruzilhadas.pt

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