Chegados à confluência dos Rios, vimos três pescadores na zona, entabulámos conversa, tirámos foto da praxe, brincámos com a fisga comprada em Castelo Novo, que estreei nesta caminhada (brincadeiras e memórias de infância), e iniciámos a caminhada Rio acima. Os pescadores, foram muito simpáticos e tentaram ajudar-nos com algumas informações sobre o percurso Rio acima. Desejámos-lhes boa pescaria, embora parecesse que não estavam a ser muito bem sucedidos. Mas ainda era cedo.
A caminhada foi muito dura e tivemos imensa dificuldade com a dureza do percurso. O constante sobe e desce, baixa, desequilibra, por aqui não dá, tenta ali, arranha nesta silva e naquela também... houve situação em que recuámos cerca de 200m para mudar de margem e progredir, em vez de subir uma escarpa que nos pareceu enorme para contornar por cima. De início apostámos apenas na margem esquerda (todos os pontos conhecidos pareciam ser nessa margem) mas depois, passou-se a usar a margem que melhor servia para progredir, evitando assim, contornar por cima os penhascos maiores. Isto claro está, em zonas em que o caudal o permitia. Noutra situação, após chuvadas, com maior caudal ou o piso/blocos de pedra húmidos, não deverá ser possível.

Para mim, foi a caminhada mais dura que já fiz no geocaching. Mas penso voltar para acompanhar companheiros Expedicionários que desta vez não puderam vir.
A paisagem é realmente extraordinária na beleza e rudeza que apresenta naquele local. Há recantos que deliciam o olhar e sentimo-nos especiais quando estamos nestes locais especiais. Pena algum lixo no Rio, que tentámos reduzir fazendo um pequeno CITO pelo caminho, mas os pneus e o depósito de combustível não dava para trazer…
Antes do segundo ponto, vimos um pastor na outra margem, o seu cão e um rebanho de cabras …cinzentas (nunca tinha visto). Cumprimentámo-lo, ao longe, e aos gritos fomos falando. Perguntou-nos o que fazíamos ali – “estamos a subir o Rio!” – ao que ele respondeu – “Por aí não, que tem muito mato junto ao rio. Subam o carreiro das cabras e lá mais à frente já é mais fácil caminhar”. Não era nada que não tivéssemos feito já (andar pelos carreiros das cabras) mas fizemo-lo apesar de o GPSr apontar cento e poucos metros em frente, e não para cima. Mais à frente, já tapados pelo mato, descemos em direção ao ponto 2 sem estarmos à vista do pastor.

A partir do ponto 2, o caminho a princípio ainda se desenrolou pela encosta, mas já bastante evidente e fácil e, mais à frente, quando nos aproximámos do Rio, vimos um cavalo e um burro, que fotografámos e como o local era agradável e a altura boa, parámos para almoçar.
A partir daqui, a caminhada foi um passeio à beira rio sempre por locais, ora no leito, ora em estradão, bastante fáceis de caminhar.
Ainda tínhamos equacionado a possibilidade de desistir a partir do ponto 2, se a distancia ao ponto final fosse equivalente à que o distancia do ponto 1 e se o terreno/progressão fossem equivalentes, mas não. Isto porque a certa altura começámos a fazer contas ao tempo de luz natural que tínhamos – não podíamos ficar sem luz ainda no Rio, em terrenos parecidos com aquele que tínhamos percorrido até ao ponto 2! Mas a distancia menor, deu-nos logo ânimo para continuar e, logo de seguida, o terreno melhorou muito e nessa altura, o problema era só o cansaço, o suor e as nuvens de mosquitos em volta das nossas cabeças.

Na parte final, já depois de se ter encontrado a cache, devido ao cansaço e a alguma falta de discernimento, ainda caminhámos alguns 500 m em frente mas depois voltámos para trás para apanhar um estradão que nos permitia alcançar a aldeia de Matela. Esta volta para trás tirou-nos o merecido banho/refrescamento que tanto precisávamos. Aos próximos, fica o conselho para lerem melhor do que nós os waypoints e o texto disponibilizados na página da cache. Foi uma falha nossa que foi cometida porque tínhamos pouco tempo de luz solar ainda disponível, para os kms que subir até à aldeia de Matela.
A cache estava em bom estado e com o logbook por estrear. Situação que nos deu especial prazer por ser uma cache tão longe da nossa área de residência, e publicada há tanto tempo (para os standards actuais, porque “no meu tempo” era habitual as caches esperarem meses para serem encontradas).

Muito obrigado pela cache e muito obrigado pelo enorme desafio. Superado!
Deixei um carrinho miniatura.
MAntunes, na companhia dos Expedicionários, "almeidara, "MCA" e "PH"



