Uma grande aventura na companhia de João (JCMarques), Roberto (d3evil), Joana (Clamie), Tiago (SurFreeMan), Américo (Dragao88), Nelson (noslenfa), Eulália e Marcelo (madureira’s) e Leonardo (Virus_jamaik)

Depois de tudo tratado de logística, a minha boleia tinha chegado e rapidamente partimos em direcção ao ponto de encontro em Penafiel, durante a viagem recebemos a notícia que uns amigos estavam atrasados e para ocupar esse tempo resolvemos fazer uma visita às Letters “Arrepios” e “Quinta de Pussos” que se revelaram uns excelentes aperitivos para o jantar que se avizinhava e para a longa viagem.
Barca d’ Alva já se via ao fundo com a ponte e as ruas iluminadas que foram alvo de algumas fotos de celebração, de seguida fomos em direcção ao famoso café do Sr. Amadeu onde fomos bem recebidos e refrescamos as gargantas. Não demoramos muito porque já era tarde e ainda tínhamos de montar as tendas na estação de comboios e ir levar dois carros a La Fregeneda. A noite custou a passar porque a ansiedade e a cama não ajudaram o sono e várias vezes acordei até às 8h em que todos se levantaram e se preparam para caminhar os 17 kms. O dia acordou perfeito, algumas nuvens no céu e uma temperatura amena que iriam ajudar na caminhada, mochilas às costas e partimos com as expectativas no máximo.

O primeiro desafio surgiu, era a cache “My past & presente” do nosso amigo K!nder que se via do cimo da ponte mas para lá chegar era preciso ultrapassar uns obstáculos, durante uns momentos houve um silêncio e uns cruzares de olhar entre nós e como ninguém se oferecia, eu arranquei em direcção a ela e atrás de mim veio o SurFreeMan, primeiro era preciso caminhar por debaixo da ponte sobre umas tabuas partidas e queimadas e depois descer por uma escada de ferro que oscilava bastante, apesar das dificuldades o desafio foi cumprido com muito suor perdido e muita emoção à flor da pele, felizmente correu tudo bem numa cache à K!nder.

Mais uns kms percorridos e o cansaço a revelar-se devido ao calor que entretanto começou apertar, as dores nos pés também não estavam ajudar pelo caminhar irregular e as muitas pedras espalhadas e eis que ao ruído das cigarras juntou-se uns latidos de cães, ao princípio julgámos que seriam caçadores mas num olhar à volta pelos terrenos não viamos ninguém e com o caminhar esse latidos intensificavam-se até que a passar por uma pequena ponte reparamos em três cães presos no ribeiro seco, eram dois labradores e um rafeiro que estavam numa cova no granito criada pela corrente da água, não conseguiam subir porque o granito era liso e húmido e descer era impossível porque era um precipício. Sentia-se que o ladrar deles era de aflição e estavam a pedir-nos ajuda, rapidamente resolvemos salva-los, alguns de nós partimos no auxilio deles mas era complicado devido à inclinação de alguns pontos, felizmente tínhamos uma corda que nos ajudou na descida até eles, recordo-me muito bem do momento em que nos aproximamos deles, notava-se a alegria dos cães nos saltos e lambidelas nas nossas caras em sinal de agradecimento. Contudo ainda faltava a subida que se revelou trabalhosa pela ansiedade de sair dali dos cães mas, ao fim de alguns minutos estavam salvos e com abarriga cheia com a comida que lhes demos.

Tudo corria bem até ao momento em que surgiu um túnel e a seguir uma ponte, um dos labradores bloqueou e tinha medo de passar na estreita faixa de ferro mesmo com ajuda nossa e recusava-se a andar, os outros dois cães continuaram atrás dos outros e chegaram ao lado de lá sem problemas. Muitos minutos ficamos ali, por um lado não queríamos deixar um dos cães para trás e por outro lado pesava o tempo que estávamos a perder com aquela situação, o cão tinha de vir pelo próprio pé, não havia alternativas de passagem porque o local era numa falésia e traze-lo ao colo era muito perigoso para a pessoa e para o cão, graças a Deus apareceu um grupo de geocachers que fazia o percurso no sentido oposto e depois de conversarmos o grupo aceitou trazer os cães de volta a Barca D’Alva e nós retomamos a viagem em direcção a La Fregeneda.
(soubemos mais tarde que o grupo consegui chegar a Barca d’Alva e uns habitantes conheciam a dona dos cães, era uma espanhola que disse que eles estavam desaparecidos à mais de três dias e um deles tinha uma ninhada de 17 cachorros bebés, felizmente acabou tudo bem)

Pé ante pé pelas tabuas envelhecidas onde por vezes parávamos para tirar umas fotos à linda paisagem ou aos abutres que pairavam por cima das nossa cabeças, até por vezes ouvia-se um apito de comboio que nos faziam olhar uns para os outros, será que estávamos ouvir coisas da nossa imaginação?? É certo que já estamos a caminhar à bastante tempo sobre uma linha férrea mas como estava desactivada era impossível passar um comboio mas, não é que surgiu um!!

Ao longe pareceu um mini comboio com várias pessoas em cima, eram os Thebraveones que fazem viagens em mini comboios por linhas férreas desactivadas, um deles que estava sentado à frente com cachimbo na boca e com um boné disse:
-Vos, de onde vindes?
Uma pergunta feita desta forma transportou-nos por meros momentos para o passado e em brincadeira depois deste episódio, dizia o Dragao88 que devia ter respondido…-Vimos da muy nobre, leal e invicta cidade do Porto, senhor. EHEHEH

O fim já estava muito perto e só faltava o último túnel e por sinal o mais comprido, 1500 metros pela escuridão apenas vendo uma luz ao fundo, pelo meio era complicado devido aos montes de excrementos de morcegos, a única passagem era por um caminho junto das paredes. Ao fim de 30 minutos eis que era de novo dia e a estação estava ali mesmo à nossa frente apenas com a companhia dos nossos carros.
Foi quase o fim da aventura, ainda faltava o regresso a Barca D’Alva para buscar o outros carros e o regresso ao Porto que correu tudo bem.
Foi a minha primeira grande aventura de geocaching, tive o prazer da companhia de uns grandes amigos e tivemos excelentes momentos de diversão, entreajuda, companheirismo e convívio.
Resta-me dizer a todos os geocachers que façam a cache que fizerem, tentem vive-la ao máximo e aproveitem cada momento que ela vos proporciona, é este o objectivo do geocaching.
DRAGÃO - Jorge Mesquita
Este artigo foi premiado no passatempo Geopt "Uma aventura, 1000 palavras" com uma T-shirt Geopt!


