20de abril,2026

26 February 2013 Written by  Ricardo Ribeiro

Porque não uso (muito) os Favorites

Talvez começar pelo príncipio: quando a Groundspeak implementou o sistema de “Favorites”,  já eu tinha há muitos anos uma lista chamada “Caches Favoritas”. Esse rol era aliás uma evolução de uma ainda mais antiga lista que denominei “Top 10 Caches”. Como o seu nome indica, pretendia ai reunir as dez caches que mais me tinham agradado. Mas a verdade é que passado algum tempo as dez já iam em vinte e tal e, sem conseguir decidir-me pela eliminação de uma mão cheia delas, mudei o nome da lista, tornando-o mais liberal, e segui em frente.

Ora foi portanto com naturalidade que encarei a instauração dos “Favorites” como uma  terceira geração desta minha lista. Só que, já se vê, mesmo sem a rigidez das dez primordiais, esta minha lista tinha mesmo assim critérios muito exigentes. Muito mais do que a Groundspeak burilou com o seu ratio de um favorite para atribuir por cada dez achamentos. Credo! Por cada 10? Nem pensar que me disponho a distinguir uma cache em cada dez que encontro. O meu ratio real será talvez de 1 em cada 100. Ora deixem-me lá ver… tenho 5.640 founds e 101 “favorites” atríbuidos. Já é uma bela liberalização do meu critério inicial, mas mesmo assim completamente à margem dos padrões correntes.

Depois, não sou grande entusiasta do próprio conceito. A Groundspeak passou anos a negar a implementação de um sistema de classificação de caches, e acabou por o fazer. Só que, como em tantos outros contextos, vingou a corrente ditadura do pensar positivo. Passo a explicar: nesta era Facebook, onde “Like” se tornou parte da linguagem corrente, não existe uma contrapartida, um “dislike”. Está-se a tornar socialmente proibido não gostar ou discordar. E isso é uma ditadura, porque como em qualquer ditadura existem duas vias legais:  apoiar ou ficar silencioso.  Ora o sistema de “favorites” é precisamente isso. É-nos permitido gostar de caches e manifestar esse gosto. Não nos é permitido expressar opinião oposta. À boa moda salazarista, ou se vota a favor, ou não se vota. É esta a liberdade que se tem na hora de abordar a avaliação de uma cache que acabámos de encontrar.

Por fim, já ando um bocado enjoado dos resultados prácticos da “favoritizações”. Para uma cache se distinguir, das duas uma: ou é tudo acerca do contentor, esquecendo que este não deveria ser nunca um fim em si, ou é sobre uma cache que colocam em risco o pescoço de quem a pretende alcançar. E disto não varia muito. Ora como eu não sou dado nem a uma coisa nem a outra, resta pouco para mim como beneficiante da informação que decorre da atribuição de “favorites”.

Fonte

Artigos de papaleguas (papacaches.wordpress.com)



8 comments

  • Comment Link João Manuel Carneiro Malheiro 28 February 2013 Pintelho

    @Torgut face a essas, resta-te o "direito de antena" do log.
    Sendo a GS uma empresa com fins lucrativos, não lhes interessa que haja "anti-favoritos" (ou as recordações das caches mesmo, mesmo más). Essas, convém esquecer [:)].

  • Comment Link Ricardo Ribeiro 27 February 2013 Torgut

    @ Pintelho: Como a minha memória é muito, muito má, vitima de anos a fio do desregramento de noitadas e bebedeiras, o meu principal critério é a consciência de que daquela cache nunca me hei-de esquecer, num sentido positivo, claro. Também há as que nunca me hei-de esquecer, pelo oposto, mas para essas está a mordaça colocada.

  • Comment Link Mikron 27 February 2013 mikron

    Parabéns! Excelente perspetiva.

    "À boa moda salazarista, ou se vota a favor, ou não se vota. É esta a liberdade que se tem na hora de abordar a avaliação de uma cache que acabámos de encontrar."

  • Comment Link Cláudio Silva 27 February 2013 Acori

    clap clap clap

  • Comment Link silvestre 26 February 2013 bocaseca

    Nunca estive tão de acordo com um comentário destes. Revejo-me no seu conteudo

  • Comment Link João Manuel Carneiro Malheiro 26 February 2013 Pintelho

    A propósito deste artigo, quando o partilhei no Facebook deixei o seguinte comentário:


    Não concordando na íntegra com este texto, pois ecompreendo perfeitamente os argumentos por detrás da dita "ditadura do pensamento positivo", não deixei de me identificar com a fase final do mesmo, em que se descreve as "papa-favoritos" como caches "all about the container" ou "põe o pescoço de quem as procura em risco".

    É por isso que, pessoalmente, utilizo critérios bem mais latos de atribuição de favoritos, provavelmente acima dos 1 / 11 caches (guardo sempre meia-dúzia na carteira). Assim, permito-me distinguir caches que realmente merecem e não se enquadram em nenhuma das duas categorias propostas pelo Torgut. E vocês, como fazem?

    Aqui, o contexto não é o mesmo, mas o conteúdo do comentário não perde sentido, acho.

  • Comment Link Nuno
Fonseca 26 February 2013 netuseraz

    Muito boa a tua perspectiva :)

  • Comment Link João
Vieira Mendes 26 February 2013 JonSepulveda

    Onde é que se põe o like neste artigo? :)

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