Talvez começar pelo príncipio: quando a Groundspeak implementou o sistema de “Favorites”, já eu tinha há muitos anos uma lista chamada “Caches Favoritas”. Esse rol era aliás uma evolução de uma ainda mais antiga lista que denominei “Top 10 Caches”. Como o seu nome indica, pretendia ai reunir as dez caches que mais me tinham agradado. Mas a verdade é que passado algum tempo as dez já iam em vinte e tal e, sem conseguir decidir-me pela eliminação de uma mão cheia delas, mudei o nome da lista, tornando-o mais liberal, e segui em frente.
Ora foi portanto com naturalidade que encarei a instauração dos “Favorites” como uma terceira geração desta minha lista. Só que, já se vê, mesmo sem a rigidez das dez primordiais, esta minha lista tinha mesmo assim critérios muito exigentes. Muito mais do que a Groundspeak burilou com o seu ratio de um favorite para atribuir por cada dez achamentos. Credo! Por cada 10? Nem pensar que me disponho a distinguir uma cache em cada dez que encontro. O meu ratio real será talvez de 1 em cada 100. Ora deixem-me lá ver… tenho 5.640 founds e 101 “favorites” atríbuidos. Já é uma bela liberalização do meu critério inicial, mas mesmo assim completamente à margem dos padrões correntes.
Depois, não sou grande entusiasta do próprio conceito. A Groundspeak passou anos a negar a implementação de um sistema de classificação de caches, e acabou por o fazer. Só que, como em tantos outros contextos, vingou a corrente ditadura do pensar positivo. Passo a explicar: nesta era Facebook, onde “Like” se tornou parte da linguagem corrente, não existe uma contrapartida, um “dislike”. Está-se a tornar socialmente proibido não gostar ou discordar. E isso é uma ditadura, porque como em qualquer ditadura existem duas vias legais: apoiar ou ficar silencioso. Ora o sistema de “favorites” é precisamente isso. É-nos permitido gostar de caches e manifestar esse gosto. Não nos é permitido expressar opinião oposta. À boa moda salazarista, ou se vota a favor, ou não se vota. É esta a liberdade que se tem na hora de abordar a avaliação de uma cache que acabámos de encontrar.
Por fim, já ando um bocado enjoado dos resultados prácticos da “favoritizações”. Para uma cache se distinguir, das duas uma: ou é tudo acerca do contentor, esquecendo que este não deveria ser nunca um fim em si, ou é sobre uma cache que colocam em risco o pescoço de quem a pretende alcançar. E disto não varia muito. Ora como eu não sou dado nem a uma coisa nem a outra, resta pouco para mim como beneficiante da informação que decorre da atribuição de “favorites”.
Fonte
Artigos de papaleguas (papacaches.wordpress.com)


