04/02/2013 por papaleguas

Quando o António me disse que estava a tratar de criar uma multi-cache para cada um dos seis percursos PR (Pequena Rota) existentes no segmento do concelho de Tavira da Serra do Caldeirão, soube desde logo que tinha ali entretenimento garantido. Apesar de não ser grande fã do que quer que a serra algarvia tenha para dar ao caminhante, fiquei logo entusiasmado com a prometida proximidade de seis caches envolvendo umas boas passeatas a pé. Depois, foi esperar, com paciência… primeiro que fosse feito o trabalho de “owner”, depois, pela publicação. E, finalmente, no dia 19 de Janeiro de 2013, ficaram disponíveis essas seis caches, mais uma, de bónus, para quem completasse a série.
Esperei pela melhor ocasião para sair à descoberta da primeira destas caches. E foi logo no dia 23. O dia estava ideal para caminhadas, o tédio atacava… montei-me na moto 4 e venci os 9 km que me separavam do ponto inicial, não do PR 12, mas do PR 10. Contudo, tudo correu mal. A sinalização do percurso é quase inexistente, e, sem o track fornecido pelo owner, que não levava comigo, só por milagre se terminaria este PR. Depois, um infeliz erro na inserção das coordenadas de um waypoint (já corrigido pelo owner) fez-me desviar do que era devido e deixou-me confuso. Acabei por abandonar o passeio quando vi que após 2 km num volteio desnecessário estava de regresso à aldeia e à estrada nacional. Boa oportunidade de me pôr a andar dali para fora.

E pronto, chegou a altura de uma segunda incursão, que, como se verá, se veio a revelar bem mais sucedida. Não com a ajuda dos (i)responsáveis pelo PR, porque as marcações do PR12 são apenas marginalmente melhores do que as do PR10. Logo a 200 m do início, primeira encruzilhada com três opções… marcação? Nada. Desta vez venho prevenido com o track fornecido pelo owner, de forma que sei por onde seguir. Mais à frente, nova encruzilhada sem marcação, e de novo o GPS está lá para me apontar a escolha certa. Mas não é este o conceito de um PR, pois não? Ainda me ocorreu que nessas encruzilhadas existissem setas de direcção feitas em madeira que pudessem ter sido consumidas pelo fogo que andou por esta região no Verão passado… mas não… ambas as encruzilhadas parecem ter sido poupadas. Já mais à frente, marcações em locais totalmente desnecessários, à beira da estrada, onde não existem hipóteses de confusão.
Mas voltemos ao principio das coisas. O cachemobile ficou umas centenas de metros à frente do ponto de início da multi-cache e ficou muito bem. Junto ao lavadouro que afinal é o último ponto de recolha de dados. O passeio começou bem.O dia estava de novo excelente para a práctica da caminhada, apesar de uma manhã (e de uma véspera) muitoooo ventosa. Temperatura amena, sol brilhante, a encher de cor a paisagem envolvente, nesta altura do ano dominada pelo verde. O curso de água que em boa parte do trajecto corre ao lado do caminhante ia bem alegre, animado pelas chuvas generosas que têm caido. No início estava um pouco preocupado: um GIF animado na listing da cache teimava em fazer crashar o Garmin Oregon (já retirado pelo owner) e sabia que necessitaria do tablet para consultar tudo o que era necessário consultar. E neste momento, digo: Ainda bem que a primeira encruzilhada não tinha marcações, porque ao procurar o tablet para esclarecer uma dúvida dei por falta dele… tinha ficado no carro… felizmente que descobri quando ainda só estava a 250 m do meu ponto inicial. Toma, mais 500 m nas pernas.

Depois, o passeio fez-se. Sem grandes desníveis, rolava-se facilmente por um estradão de terra batida bem compactada. Muita passarada, a tomar o Inverno pela Primavera, em alegre chilreio. À musica dessas aves, juntava-se o som constante da água cristalina (e isto não é uma figura de estilo… a água era mesmo cristalina) do ribeiro ali mesmo ao lado. Chegou-se ao lugar do Curral da Pedra. Um aglomerado de casas que me chamou a atenção pela excelente condição da sua maioria… não vi uma só pessoa enquanto o atravessei, mas fiquei com a impressão que uma boa parte daquelas casas pertence a estrangeiros que ali encontraram um porto seguro. De um lugar ali, perdido, esperaria ver abandono e ruínas, mas não é nada disso que se passa em Curral da Pedra.
O fim já não está longe. São mais 2 km. Mas antes há ainda que vencer uma súbida com alguma inclinação. A partir daí, é sempre a descer, até à encruzilhada já conhecida, onde tudo começou. E logo à frente, o carro. Mau! As contas não batiam certas. A fórmula de verificação recusava-se a colaborar. Telefonema para o owner, e uma nabice minha ficou a descoberto. Merecia regressar com um DNF, para não ser tão tapadinho. Mas lá se refizeram as contas. E, coincidência, a cache está precisamente a 22 m do ponto onde parei o carro. E fi-lo ali porque foi apenas ali que consegui ter sinal de rede no telemóvel. Encontrada!

Em suma, um pedacinho de tarde muito bem passada – foram cerca de duas horas e meia. Como mais alguém escrev eu no log desta cache, que bom que o António teve a coragem de se afastar da fórmula ordinária do power trail e optou por multi-caches, que trarão até aqui quem efectivamente quiser caminhar e usufruir da natureza. Os galifões que precisam do aliciamento dos números para mexer as pernas ficarão à distância, e ainda bem. No que toca a logs de visitas, bem se pode aplicar a velha máxima… “mais valem poucos e bons”.

Fonte: Papacaches


