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O Passadiço
Tropeçámos neste Passadiço faz anos e hoje voltámos aqui para recordar, num dia muito especial.
“Um bairro que se cruza nas ruas e travessas”, que possui um Passadiço que serve a entrada ou saída para o Despacho, ou para o Loureiro, como se fica pela Larga, ou só pela Metade, ou mesmo Cucha Carvalheiro seguimos em frente e temos que ter Esperança do Cardeal, para ouvirmos por Caridade o Carrião. Lá para trás ficou a Travessa das Parreiras onde outrora existiu uma fábrica de bolos que todas as manhãs cobria de perfume doce o bairro.

“Um Passadiço para a História das gentes e dos lugares”, como o texto publicitário menciona sem qualquer publicidade enganosa, pois por aqui passaram a FAMOSA fadista Berta Cardoso, no 73. Também o Almirante Gago Coutinho terá tido residência nesta rua. No 37 mora o Instituto Gama Pinto que é o único Instituto de Oftalmologia público existente no país desde os reinados de D. Luiz e D. Carlos I. Do outro lado do passeio entre outros inquilinos esteve a sede do Sporting Club de Portugal.

E um Passadiço que parecia não ter história para contar, afinal possui “… foi detetada, em 2011, a presença de contextos ocupacionais datados de época romana (século I-IV), O facto de se situar nos suburbia de Olisipo dota este achado de um inusitado interesse. Em suma, estamos face a um novo ponto no mapa da Lisboa Romana.” E à medida que fomos lendo sobre o Passadiço, os estudiosos asseguram “… que foi, no século XVIII, a principal via de saída da cidade para Norte, por entre as hortas da cidade…” Toda esta história só foi possível saber quando foram efetuadas obras de reabilitação no 26, no âmbito do acompanhamento arqueológico.
Mas hoje não viemos aqui pela história, mas sim pela cache, poder serpentear pelo alcatrão antes basalto dos paralelepípedos, pisar o calcário dos passeios e apreciar a urban art que se vai produzindo nos muros dos prédios devolutos.

Sem instrumento para logar entrámos na única loja de bairro que encontrámos e pedimos uma caneta, que amavelmente nos foi emprestada.
Terminámos a nossa viagem no Jardim do Torel a apreciar as vistas que a nossa cidade nos oferece de bandeja, mais concretamente o amarelo 26.
Obrigado pela partilha desta cache, numa rua que nos trouxe à memória coisas muito boas. corvos



