E lá ia eu em direcção a Porto de Mós, quando me lembrei que nesta bonita vila também existem tesouros daqueles que há mais de vinte dias eu não procurava. Num instante repleto de relatividade, lá utilizei o aparelhómetro que às vezes dá para telefonar e escolhi duas caches que ficassem nas redondezas. Como nunca tinha ido até ao castelo, esta foi uma das escolhidas.

Após percorrer o lado mais sombrio e ventoso do acesso à bonita fortificação, cheguei ao local que estava bastante frequentado, pelo que tive que me comportar como um turista de ocasião. Ainda dei uma vista de olhos ao local que o telemóvel me indicava, mas nada me revelava que fosse por ali.
Olhei com mais atenção e, bem pertinho dali verifiquei a existência do chamado trilho do geocacher, pelo que a identificação do suposto esconderijo foi praticamente definitiva. Era certamente ali! Mas para não colocar em causa a integridade do tesouro, e como para mim o geocaching é tudo menos números, optei por ir contemplar o castelo, aprender algo sobre ele, e se possível guardar algumas imagens na memória física da máquina, para mais tarde colorir as minhas recordações.

Andei por ali uns bons vinte minutos num misto de contemplação friorenta, uma vez que o vigor do astro rei estava enfraquecido por uma gélida brisa que varria desesperadamente o azul celeste, facto que apressou a minha tentativa de reportagem fotográfica amadora e me levou de volta à busca do almejado receptáculo. Por sorte, coincidência, obra do destino ou simplesmente porque sim, a área estava agora sem ninguém. Como já tinha vislumbrado o suposto esconderijo, não demorou muito tempo até estar a registar a visita no livrinho de recordações desta cache.
Uma cache simples, num local majestoso, onde esta fortaleza medieval que já foi palco de pedaços da história de que somos feitos, vigia em jeito de guardiã a formosa vila de Portus de Molis, mas que vem comprovar que o geocaching também é cultura.
Haja quem a queira e a respeite!
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Gato Maltês

