Comecei, cedo, por dar uma volta ao Vale e Cascata da Candeeira. Segui depois pelo planalto e fui descobrir a Varanda dos Pastores, mais um local de vistas extraordinárias. Com esta cache estavam preenchidos os requisitos para completar este desafio mas ao longo do dia ainda tive a oportunidade de descobrir, entre outras, as caches Sierra Star e Poio do Judeu, além de ter conquistado as vistas de mais um VG sobre o Vale do Zêzere.

Segui depois à descoberta desta cache. Comecei por analisar as curvas de nível e estacionei naquele que me pareceu o melhor acesso da estrada. A neve que por ali existia de manhã era praticamente inexistente e apenas resistia nos piornos. O trilho é fácil de seguir e rapidamente cheguei ao cimo da encosta, onde perscrutei no horizonte pela localização da cache. Lá em baixo, entre as fragas, o contentor apareceu quase de imediato, sendo que a sua escolha e a do local estão excelentes. Encontrei por lá uma pathtag dos donos mas, e como eles já tiveram a amabilidade de nos dar uma, acabei por deixá-la aos vindouros. Anteriormente tinha colocado a possibilidade de aceder à Garganta de Loriga daquele local mas acabei por voltar para trás; talvez numa outra oportunidade de instabilidade mental.
Aproveito aqui ainda para revisitar outras descobertas nesta serra de encantos. Começo pelo dia em que visitámos os três Cântaros e o Covão d’Ametade, num evento extraordinário. Em particular, o Cântaro Magro tornou-se num local-ícone da minha consciência, pela muita vontade em chegar ao seu topo e por sempre ter pensado que seria impossível. A visão, ao longe, daqueles gigantes é avassaladora. Imagino que muitos dos povos que por ali passaram, desde os celtas aos lusitanos, os tenham venerado como deuses. Os tempos mudaram mas a veneração mantém-se.

Recordo ainda a experiência iNtO tHe WiLd e de tudo o que a cache me levou a descobrir, primeiro na companhia do Sphinx e posteriormente sozinho, num dia que terminou com a pernoita no Cântaro Magro, com o intuito de ver nascer o dia no topo da imaginação. Na memória ficou ainda a conclusão do powertrail da Estrela e as dificuldades suplantadas, assim como o fantástico percurso que desemboca na Nave da Mestra. Referência também para a visita à encantadora Lagoa da Paixão e as vistas panorâmicas do Fragão do Poio dos Cães.
Para além das caches e experiências já referenciadas, visitámos ainda Buraco da Moura, Cabeço dos Corvos, Cornos do Diabo, Expedição Scientífica, Fraga dos Trilhados, Fragão do Corvo, Lapão da Ronca, Penhas Douradas, Piccoto, Piornal, Poço do Inferno, Fraga Grande, Pedra do Sino, Ponte Jugais, Riacho na Serra e Tributo aos Pastores. Aqui fica a estatística completa das descobertas.

São estas e todas as outras que ainda não descobrimos, assim como os outros lugares que ainda não estão georeferenciados, que nos fazem regressar com cada vez maior vontade de nos perdermos pelos trilhos da Serra da Estrela. Existem sensações únicas que sobrevêm quando se caminha pela montanha e mais do que uma forma de conhecer o mundo que nos rodeia acaba por ser uma forma privilegiada de nos conhecermos um pouco melhor, ao arrepio da rotina do dia-a-dia.

Muito obrigado aos Sphinx_n_Sophie pela criação deste desafio, pela cache e pela partilha de mais um local de excelência, que merece ser visitado quer se tenha completado ou não os requisitos associados.



