Feita esta introdução, vamos à acção. Faltava 10 minutos para a meia noite, e iniciamos o nosso caminho em busca da paz, mas principalmente em busca de finalmente o found nesta cache que tantas vezes foi adiada. Os veículos tinham sido previamente escolhidos a dedo... nada como um tractor para nos levar até ao ponto zero sem grandes problemas, mesmo que devidamente chocalhados. Um SUV, daqueles de facho, mas que me surpreenderam pela positiva. O que fez, fê-lo bem, apesar de aparentemente ter vontade própria.
Pela subida de terra batida, com regueiras a cada 100m, daquelas de afundar um carro mais baixo, e a faltar 3minutos para a meia noite, decidimos importunar um coelho. Esse animal que hoje já tantas vezes nos enfrentou, colocando-se heroicamente em frente aos carros, desta vez estava mais inclinado para vir a servir de acompanhamento a uma arroz de sarrabulho. Alguns crentes desta procissão sairam do carro e tentaram apanha-lo... sim, a fé move montanhas, assim como as pernas rápidas dos coelhos. Continuamos a subir um pouco mais até que às 23h59 o tractor passa por uma regueira daquelas que o SUV de facho não se deveria arriscar a subir. Todos saíram dos "rodas altas" para ver e analisar o terreno, como grandes especialistas na matéria. Aliás, havia até entre nós uma pessoa que fazia parte da "organização", provavelmente da procissão, devidamente identificada por um colete reflector. Vai senão quando, às 00h, sem dó nem piedade, um crente de alcunha Aleixo, decide bater com a porta do carro. A essa hora caí a maldição, as rezas que se faziam ouvir através do bosque, o vento que de repente se fez sentir, e o alinhamento dos astros assim como o movimento da órbita da lua, fez com que o SUV de facho ganhasse a tal vontade própria e se auto enclausurasse. Sim, o raio do veiculo trancou-se mesmo com a chave na ignição. Pior: ficou imobilizado bem no meio do percurso, sem qualquer hipótese do veiculo que seguia à frente o ultrapassar em direcção de novo à civilização. Tudo tinha ficado prisioneiro de tal veiculo, os telemóveis, os GPS, as chaves de casa que recuperariam a chave suplente, um gadget manhoso da Worten que estava a filmar a subida... a nossa alma tinha congelado, aliás, estava mais parva que congelada...
(to be continued...)
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Sra. da Paz
2/3 - Internet in the florest!
Seu dono, impávido e sereno, procurava uma solução caída do céu. Quem sabe a mesma "força" que o tinha fechado, o abrisse, por obra e graça de um santo qualquer. Partir o vidro seria a solução mais rápida? Seria, mas não seria a mesma coisa. E mesmo depois de uma série de rezas, tentativas de invocar o demo, os "boizolas" e outros seres superiores, a solução não caiu, e o seu servo ( o do SUV de facho), decidiu rumar a casa em busca da chave suplente, mesmo que, a chave de casa estava também ela dentro do carro.
Ficaram então 6 pessoa a tomar conta do SUV, enquanto dois rumaram então à Maia, uns 50kms da nossa posição actual. Sempre é mais fácil partir a janela de casa que a do vidro, sempre dá menos nas vistas partir uma janela de uma casa numa qualquer artéria movimentada de uma cidade, do que um vidro de um carro algures no mato, a mais de 1km de uma qualquer estrada transitável. E porque ficaram 6 pessoas a tomar conta do carro? Porque eventualmente, alguém que por ali fosse a passar no seu joguing nocturno, não se faria rogado em ganhar um carro. Sim, a chave na ignição, telemóveis, GPS, gadjet a filmar online... não, deixa ficar porque o dono deve só estar por aí a aliviar a bexiga! Para além disso, estávamos agora no horário de passagem da procissão... quantos não gostariam de ter um daqueles parado em frente ao cemitério?
Começaram então as apostas de quanto tempo demoraria a terminar a novela. As apostas foram sendo colocadas online num forum bem porreiro por sinal, à pala de uma qualquer banda larga fornecida por uma qualquer empresa de vão de escada, que opera no mercado de serviços em Portugal. Online, ainda deu para fazer vídeos em Streaming... sim, porque havia esposas e mães em casa que poderiam não acreditar em tal mirabolante história pelo que havia de criar provas. Essa provas podem ser vistas por todos, acho... em (visit link)
A noite começava a arrefecer, pelo que o motor do SUV ainda servia algum calor. No entanto isso foi-se dissipando pelo que em plena floresta, e aproveitando a presença de um escuteirinho Mirim, uma fogueira foi também feita. Música, gritos, rufos e tambores, tudo servia para ir passando o tempo, mesmo tentando encontrar forma de abrir o raio do carro, utilizando as mais avançadas técnicas de Grand Thief Auto. Se tínhamos banda larga, algum fórum nos havia de dar a solução ... e viva o Google.
A fogueira já não aquecia, e o carro já não mandava calor, pelo que decidimos ir para dentro do tractor. Seis gajos e alguns refluxos de ar aqueciam o ambiente, não sem antes o Aleixo, principal responsável pela ira dos mortos que nessa noite nos encontraram no seu caminho, lhe ter dado um ataque de claustrofobia... lá teve de ir para o banco da frente!
Entretanto chegavam as boas novas da cidade da Maia... a ideia peregrina de assaltar uma casa veio a trazer outros problemas, se calhar mais complicados do que partir o seu próprio vidro do carro. E não é que um qualquer vizinho mais ranhoso ao ver dois manfios rondar uma casa num R/C chama a policia... e a policia, de armas em punho, como um qualquer filme do Tarantino, pede identificação. "Ah, pois, está num carro que ficou fechado no meio do monte em Esposende." Claro, e pode provar que a casa é sua? "Claro, eh... bem... se calhar não!" E pronto... nada como empolgar ainda mais uma história que já de si parecia irreal. Comecei a pensar que ainda não seria hoje que iria finalmente fazer a cache da Sra. da Paz!!! Que INFERNO!!! Enquanto aguardavamos o desfecho de tamanha novela mexicana, foi tempo de gastar os últimos cartuchos dos telemóveis e portáteis disponíveis e iniciar-mo-nos no maravilhoso mundo do ChatRoullete. Bom, mais valia continuar à procura da Tracy Lords... que raio de submundo... A reportagem ia sendo feita em streaming também, e quando tudo ficou sem alimentação, restou-nos uma lanterna, só para ver quem alçava a perna a cada rufo.
(to be continued...)
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Sra. da Paz
3/3 - A cachada (o log que interessa!)
E, passado duas horas depois de abandonarem o local em busca da chave que abriria o teimoso do SUV, que no caso foi pior que uma mula, duas lanternas avistavam-se no horizonte, ou melhor, no meio da floresta. Os bófias, profundos conhecedores do mundo TT e tecnológico que nos envolve, acharam por bem ficar no inicio do estradão... "Ui, vocês querem-nos levar para o monte??". Pois, aqueles dois com cara de esfomeados não enganam ninguém, nem a policia. Carro aberto, recuperado os pertences, foi tempo de o fechar agora por vontade do dono, e enfiar 8 gajos dentro do Defender. Aquilo tem lotação para 6, mas 8 já é um abuso... Afinal, mesmo depois de todo o desenrolar da história, pior, depois de um dia de trabalho, às 02h40, ainda havia disposição suficientemente boa para ir fazer a cache e finalmente quebrar o feitiço. A mim parece-me é que a procissão já tinha terminado, e por isso estávamos agora autorizados a seguir em frente, enquanto os mortos voltavam aos seus T1 6 palmos abaixo de terra. É importante referir que todas as apostas se mostraram nulas, isto porque apenas eu estive mais perto por defeito do tempo estimado, mas disse que não trariam a chave. Assim sendo, ganha a banca. Os últimos 500m de Todo-o-terreno foi feito em modo Sardinhas em lata "Bom Petisco". Só faltou mesmo lá a Bordela!
Chegamos lá em cima, e a pequena capela estava aberta, deixada assim quem sabe pelos antecessores que abandonaram o local minutos antes. Aproveitamos e fizemos o log no livro de visitas da capela, onde dois pardais se mostravam incomodados com a nossa presença. Sim, eram pardais, não eram morcegos, que nesta terra não há disso. A vista é de facto fantástica, e de noite bem mais especial. Depois de toda a aventura desta noite, foi uma cerejita lá em cima. Ainda faltava logar a cache propriamente dita, que nos fez fazer mais uma incursãozita monte adentro. Sim, porque havia que justificar o esforço e isto não é WayMarking! Ah, e o logbook da capela não é oficial da Groundspeak
Cache encontrada, logada... eu respirava e dizia: FINALMENTE! Estranhamente no local ninguém quis se chegar à frente com a cachaçada, mas desengane-se quem pensa que se esqueceram.
A descida em modo "Bom Petisco" foi bem mais soft, mas eu esperava descer a trialeira nesse modo... infelizmente não havia travões que garantissem a segurança do SUV. Não é que merecesse tanta consideração, mas pronto... é caro. Depois foi o regressar até à Offteam H.Q. por vários caminhos diferentes, mas onde chegamos todos mais ou menos à mesma altura. E pronto... ai quando vi o cameramen de Iphone em punho já sabia o que me esperava. Mas sabem que mais: uma milestone sem este ritual já não tem a mesma piada. Aliás, uma milestone sem vocês e as peripécias que normalmente vivemos juntos, já não tem a mesma piada.
A #2000 está mais perto, pelo que reservem a vossa agenda. Um obrigado ao Geoboicote, por mais uma vez fazer o alto patrocínio de tão bom momento em que para além de espalhar o pânico em cemitérios e igrejas, provou uma vez mais que a amizade é a fonte da VIDA!


