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15 October 2010 Written by 

Romaria ao Caminito del Rey em 4 dias... 2/2

Dia 3 - Plano B

O plano para hoje estava definido e era como que um segundo objectivo nesta louca aventura de 4 dias. Depois de largas doses de adrenalina no caminito del Rey, hoje era dia de descompressão e nada melhor que um parque de diversões. A Isla Mágica tinha tudo o que precisávamos para nos divertirmos um pouco, ora porque no dia anterior nem tudo foram rosas, ora porque quando nos juntamos é mesmo isso que normalmente acontece - borga. No entanto, e como o carro alugado só tinha 9 lugares, não dê-mos cavaco ao S.Pedro, e a ira foi forte. Conforme as piores previsões, o dia acordou molhado, cinzento e não tinha aspecto de melhorar...

Quando a data foi marcada alguém torceu o nariz por estar a definir uma data em que as possibilidades de chuva eram mais elevadas, sendo que as actividades que pretendiamos exigiam bom tempo. Tivemos sorte no dia anterior, tivemos muito azar no dia de hoje, e eu ainda estou à espera que, mais tarde ou mais cedo, se solte o desabafo "eu bem te avisei!". Era tempo de recorrer ao plano B. Tínhamos algumas possibilidades bem interessantes, entre Málaga, Ronda, Gibraltar. No entanto precisávamos de saber o estado do tempo com mais exactidão e a sua evolução. A internet móvel não funcionou, pelo que tivemos de recorrer à ajuda divina - não, não fizemos qualquer oração. Mais fácil e eficaz é ligar ao Óscar, que vestido como uma qualquer Alexandra Fernandes, nos indicou o estado do tempo ao pormenor e nos ajudou na rota a seguir... chuva em todo lado, mas em Ronda aparentemente melhora da parte da tarde! Está decidido o nosso destino.

A viagem entre o nosso HQ em Moron e Ronda não é longa, são 120km de algumas curvas e com chuva, o que nos fez sentir que era longe longe longe. Pelo caminho a primeira paragem para uma cache com tupperware e à chegada a Ronda um transito descomunal... mas estaremos nós numa capital de distrito? A nossa RP, recentemente promovida a líder, tinha feito bem o trabalho de casa - Ronda era uma cidade com algum interesse histórico e paisagístico, e ali bem perto existiam também umas "cuevas" que mereciam uma visita. Apesar de este plano significar apenas 2 caches, seriam de grande qualidade, e diga-se que isso cada vez é o mais importante.

Entramos com algum custo na cidade e abandonamos o carro perto da rua de Santa Catarina do sitio. A chuva passou a aguaceiros, mas ainda não dava as tréguas necessárias. Fomos em busca de almoço, que apareceu em forma de Hamburguer para variar um pouco. Durante o almoço apercebe-mo-nos que apesar do trabalho de casa ter sido bem feito por uns, outros não imprimiram o que tinha de ser impresso, ficando o raio do único enigma/multi cache de Ronda comprometido... não está a correr bem, mas lá decidimos dar um giro pela cidade, enquanto enviamos um pedido de ajuda por SMS... e viva o panorâmio... e ao Óscar, claro!

 

Ronda tem um rio, e tem um grande desnível, com escarpas bem fundas e cortadas na paisagem. Visitamos a ponte velha e entramos pelas ruas estreitas em busca de outros pontos de interesse. Não demorou a aparecer umas minas, a mina do Moro, que pelas fotografias parecia bem tentador. E lá fomos visitar o espaço, umas escadas labirinticas que nos levaram bem junto do rio, bem abaixo de onde tínhamos iniciado. Se valeu os 4€ da entrada? Confesso que esperava algo maior, mais majestoso... mas não deixou de ser interessante. Dali regressamos à entrada e continuamos a subir até à ponte que é imagem de marca desta cidade. De facto é grandiosa aquela ponte, uma vista fantástica. Não admira portanto que o local estivesse lotado de turistas.

Entretanto tínhamos recebido a solução por SMS para a cache que não íamos conseguir fazer por falta de trabalho de casa. Da ponte era possível avistar o spot, mas os acessos não eram avistados nem pareciam fáceis. Decidimos investigar um pouco pela lógica e lá encontramos o trilho em ZigueZague que nos daria uma outra perspectiva, bem mais fabulástica da ponte de Ronda, tal como toda a envolvência. Ainda antes de iniciar o trilho uma mercearia com gelados que agora em Portugal só sabemos deles através da caderneta de cromos do Markl. Não resisti e comi um pé... só não provei o Dedo porque estava esgotado! Tínhamos cumprido 1/3 do objectivo do plano B para hoje - visitar Ronda.

O segundo objectivo eram as "Cuevas de la Pileta", uma espantosa gruta com vestígios arqueológicos, que teriam a nossa 3 cache do dia. A página da cache informava que as visitas eram só até às 18h, e nós estávamos a ver que não chegaríamos lá a tempo. Entrar em Ronda foi difícil pelo trânsito, sair foi igualmente difícil por causa de obras, tomtom, uma espécie de maratona e a falta de sincronismo com o raio do Garmin. E ao fim de alguns quilómetros finalmente encontramos a saída. A estrada não ajudava, mas o sol avistava e transformava a paisagem num verdadeiro quadro pintado a aguarela. ETA para as "Cuevas" às 17h45 e quando lá chegamos vimos uma mensagem no inicio do trilho que informava que a última visita era feita às 17h no período de Outubro a Março... falta de sorte. Mas vamos lá em cima à mesma... e... sim, foi possível fazer a visita!

A logística a cargo de uma só pessoa, que fazia a marcação, recebia o dinheiro, despachava os petromax pelo pessoal e ainda fazia de guia. Resta dizer que ele percebia do assunto, no entanto era o verdadeiro "Pain in the ass", pois tirar fotos não era permitido, e nós não queríamos deixar de sacar umas chapas. Não faz qualquer sentido visitar um local como aquele e não poder levar um "souvenir". Depois de uma rabecada, lá fomos avançando pela gruta, onde havia bonecos michelin, umas gravuras onde estudiosos viam em demasia, e um chão que permitia o belo do resvalamento artístico. A visita demora cerca de uma hora, mas é uma hora bem empregue e seria bem mais agradável se disponibilizassem lanternas em vez dos petromax que tanto gás libertam. Ainda havia luz do dia, pelo que lá fomos procurar a cache e completar o 2º objectivo do dia. Apesar da chuva que nos tirou a Isla Mágica, o plano B estava a seguir com sucesso

Avançávamos agora para Sevilha, de forma a completar o último objectivo - comer uma paelha! Chegar a Sevilha não foi o mais difícil, o mais complicado foi mesmo encontrar um local barato e bom para deitar abaixo tal iguaria. Um taxista informava que isso podia ser encontrado em qualquer lugar, outro informava que não era fácil... E com o banco da traseira já a stressar em demasia com o banco da frente, acabamos por abandonar o carro e ir comer umas tapas. Não é uma paelha, mas também não se comeu assim tão mal. Já caches, é que não fizemos nenhuma, pois fazer digestão sim, mas caminhar 2km depois da barriga cheia não pareceu boa ideia. Dois terços cumpridos do plano B, foi tempo de regressar de novo ao nosso HQ. No dia seguinte romariamos a casa.

 

Dia 4 - O regresso

E depois de um dia de temporal, o sol brilhava novamente e o céu estava limpo. Não fosse amanhã dia de trabalho e se calhar era um bom dia para ir à Isla Mágica. O problema eram os 800km que nos separava de casa, que inviabilizava qualquer loucura. O plano para hoje era simples - Regressar parando em Mérida para almoçar e visitar a cidade.

Fomos avançando pela autoestrada entre Sevilha e Mérida, tendo como referencia o ETA até ao Porto vs os kms em falta para a viagem. Decidimos que teríamos tempo para manter o plano, pelo que à hora de almoço chegamos a Mérida. Ainda fomos espreitar o preço para visitar o coliseu e o anfiteatro, verdadeiras pérolas que já tive o prazer de visitar à uns 20 anos. Naturalmente na altura pouco ou nenhum proveito tirei e hoje seria uma boa matiné. Mas os espanhóis têm aquele horário meio estranho de almoço. Eram 13h30 e as visitas terminavam às 13h45, só regressando de novo às 16h. Ok, vai ter de ficar mesmo para uma segunda oportunidade.

Para almoço descobri-mos um restaurante chiquérrimo com Menu turístico, onde se incluía a Paelha. Tu queres ver que vou vingar o falhanço de ontem? Sim, vinguei, mas com uma paelha congelada, aquecida no microondas mesmo ali nas nossas barbas. Se num chiquérrimo é assim, mal posso esperar para ver numa "bodega". Mas quando estamos com os amigos, estas situações só nos permite um pouco mais de diversão e animação.

Para a digestão, decidimos dar um giro pela cidade, de forma rápida. Já que não visitaríamos os exlibris da cidade, vamos lá dar uma olhadela ao Templo de Diana. Not... estava em obras e apenas a base era possível de mirar, ao longe. Tivemos mesmo de nos contentar com a praça central, a ponte romana e umas ruínas em baixo de um prédio que parece ter sido construido mesmo contra qualquer regra de preservação de património. Esta cidade ficou marcada para uma nova visita em breve.

Estávamos na "Extremadura", e o mapa ainda não tinha sido pintado, pelo que fomos em busca da única cache que existia em Mérida - Uma espécie de One4theRoad naqueles touros à beira da estrada, característicos de Espanha. Não é propriamente uma cache épica, ou que represente de forma grandiosa todo o interesse da cidade, mas foi a cache que tivemos para fazer antes de rumar ao nosso rectângulo à beira mar plantado. Ainda surgiu a ideia de visitar Badajoz, mas a verdade é que o tempo urgia.

Em Portugal, activamos o modo radar, e para além das One4theRoad da A23, acabamos por visitar (no meu caso revisitar) um castelo recuperado em Alegrete. Foi um desvio de alguns quilómetros do caminho esperado, mas que valeu bem a pena pelas vistas e fantásticas obras de requalificação. Foi a cache do dia sem dúvida. Era tempo agora de seguir straight ahead para o Porto, parando nas estações de serviço para matar o vicio.



Foram 4 dias bem intensos, com muita aventura, amizade, camaradagem, vistas fabulásticas, kms e kms de alcatrão. A ideia de alugar o carro de 9 lugares permitiu-nos tudo isto de uma forma mais próxima. De certeza é algo que vamos repetir no futuro... ao camino del Rey ou a outro qualquer destino.



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