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01 August 2016 Written by  Laranja / Tmob

Além fronteiras - Ocean road, Australia

Do tamanho de um continente, a Austrália é um país com uma admirável variedade de paisagens, culturas e muitos outros pontos de interesse. De ambientes desérticos de cor vermelha, a grande barreira de coral, animais exóticos, belas praias, até cidades multiculturais como Sydney ou Melbourne (frequentemente entre as cidades do mundo com melhor qualidade de vida), fazem da Austrália um cenário com amplas escolhas e um destino de eleição para muitos viajantes, embora longínquo para o viajante Português.

Relativamente perto de Melbourne fica aquela que é conhecida como Great Ocean Road. Uma estrada costeira, muito cénica, que serpenteia a costa por cerca de 250km, ligando as cidades de Torquay e Allansford. Os planos para o seu desenvolvimento surgiram após a Primeira Guerra Mundial, e na verdade foram os soldados Australianos regressados da guerra que iniciaram a sua construção, como forma de homenagem aos soldados perdidos, tornando a estrada num memorial de guerra de dimensões muito consideráveis. O desenvolvimento desta via teve então uma importância a tanto nível turístico, como comercial, uma vez que as pequenas povoações da época eram na sua maioria acessíveis apenas por mar, permitindo o transporte, principalmente de madeira.

O percurso completo, a partir de Melbourne, serão cerca de 600 km, por isso ainda que seja possível fazer todo o percurso num único dia, o ideal será dedicar-lhe pelo menos dois.

Quais são então os atractivos da Great ocean road?

Trata-se de uma estrada costeira, construída numa costa irregular, para os entusiastas da condução este simples facto poderá garantir uma visita, mas na verdade há muito mais para oferecer. As vistas são excelentes e ao longo do percurso existem vários miradouros onde é possível parar por alguns minutos para desfrutar do local e tirar algumas fotografias. No caso de uma visita com bastante tempo, é possível fazer várias caminhadas que partem da estrada em si e se estendem até pontos de interesse específicos. Embora o percurso seja na sua maioria costeiro, uma boa parte da estrada cruza o Parque Nacional Great Otway , onde é possível fazer caminhadas através da floresta húmida e visitar algumas cascatas. Segundo nos disseram é também possível avistar cangurus e coalas, mas nós não tivémos essa sorte. Esta é região produtora de vinho por isso, nas proximidades, é possível visitar algumas vinhas e adegas.

Ao longo do caminho, e nas suas proximidades, existem centenas de caches, de vários tipos e níveis de dificuldade, no entanto com tantos quilómetros pela frente é preciso ser minimamente selecto sobre onde parar. Uma vez que as grandes atracções desta rota são os monumentos naturais, fruto da erosão que ao longo de milhares anos tem desenhado a costa, criando o cenário ideal para earthcaches, e boa parte das caches que visitámos foram deste tipo.

A nossa primeira paragem foi já um pouco depois de Torquay, quando começámos realmente a avistar a costa, na cache Point Roadknight [GC1TNW4], uma cache tradicional, simples, e que potenciou umas belas vistas. Alguns quilómetros mais à frente deixámos o carro e caminhámos até ao Split Point Lighthouse, onde bem perto se situa a earthcache The Aireys Inlet Volcano [GC53CZA]. Não muito longe fica a The Gateway [GCGTGT], uma cache bem antiga (de 2003), que assinala um ponto de paragem obrigatória. Um pórtico comemorativo, um monumento e várias placas de homenagem à Great Ocean Road, e àqueles que a construíram.

As várias vilas que vão sendo atravessadas são na sua essência, antigas vilas piscatórias, hoje com uma grande industria ligada ao turismo, com oferta hoteleira e de restauração. Em Lorne fizemos mais uma paragem junto ao pontão onde encontrámos as duas caches mais próximas (GC69J0Z e GC25GHV).

A paragem seguinte foi na W.B Godfrey Shipwreck [GC536B0], não encontrámos a cache, mas a sua história é bem interessante. Trata-se de uma sepultura, na beira da estrada, perto do local onde o navio W.B Godfrey terá naufragado; ninguém morreu no naufrágio propriamente dito, mas cinco homens ter-se-ão afogado durante as operações de salvamento. As suas campas terão sido descobertas durante a construção da estrada, mas os seus restos mortais não foram removidos, sendo a a estrada construída por cima. Como memorial ao acidente, foi erigida esta sepultura na berma.

Apollo Bay é um dos pontos de paragem obrigatória, uma bonita baía, com um extenso areal; a cache Bay Cache Alpha [GC21DRD] permite umas vistas bem simpáticas.

Nos quilómetros seguintes a estrada afasta-se um pouco da costa e o cenário muda bastante. Quando voltamos a ver o mar surgem alguns dos monumentos naturais mais icónicos do percurso. A earthcache But there's not twelve! [GC3QDN1] assinala “os doze apóstolos”, provavelmente o ponto mais turístico deste percurso, estamos a falar de um total de oito rochedos, isolados da costa, e criados pela erosão. Sim, actualmente são oito, em tempos terão sido doze, mas foram desaparecendo graças à acção do mar. A beleza natural continua, e a próxima paragem fez-se na earthcache An Evolving Coastline [GC26G0P].

Esta é uma das zonas do percurso mais bonitas, e recheada de pontos de interesse criados pela natural erosão da costa; fizemos várias paragens, nem todas com direito a cache. A earthcache London Bridge [GC1HNP1] assinala o local conhecido pelo mesmo nome, devido aos seus dois arcos. Actualmente apenas um dos arcos de mantém, agora já isolado da costa. O primeiro arco colapsou em 1990, e deixou duas pessoas isoladas na “ilha” recém criada; apesar de não ter havido feridos, estas tiveram de ser resgatadas de helicóptero. Também a destacar The grotto [GC1V530], um algar ao qual é possível descer por um passadiço de madeira, e durante a maré baixa caminhar através do seu arco e chegar ao mar.

No final ficou a memória de um excelente passeio, recheado de belas paisagens com muita diversidade, e que gostaríamos de ter mais tempo para explorar. Afinal o percurso é bastante extenso. Ainda que a costa portuguesa esconda recantos tão ou mais belos, a grande diferença é a inexistência de uma estrada costeira que permita percorrê-los a todos de seguida e muito provavelmente ainda bem.

Texto / Fotos: Rita MonarcaTiago Borralho (Laranja / Tmob)

Artigo publicado na GeoMagazine#21.



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