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15 July 2016 Written by  Kelux

Geocoin Victoria Amazonica

Quando comecei a pensar na minha 3ª geocoin dedicada ao Brasil, achei que não havia necessidade de me restringir a temática animal, podendo perfeitamente explorar a riquíssima flora brasileira, e em futuros projetos, até mesmo algumas tradições, como as festas juninas, por exemplo.

Foi com esta nova abordagem e com o vastíssimo campo de inspiração que ela proporciona que me lembrei de uma visita à margem sul do Rio Negro, onde fiquei fascinado com algumas lagoas perenes em Iranduba, repletas de victoria amazonica, ao ponto de quase não se ver a superfície da água, mas sim um imenso tapete verde. À época fiquei um pouco receoso de me aproximar demasiado, pois o experiente Seu Zé logo lembrou que aquele é o ecossistema preferido da anaconda, que se desloca por baixo da folhagem, completamente em “modo-ninja”. Ainda assim, perdi (ou ganhei) um bom bocado a fotografar as lagoas.

Assim, a victoria amazonica, tornou-se a eleita perfeita para uma geocoin dedicada ao mundo vegetal da América do Sul. Não sendo uma exclusividade brasileira, tanto que o seu anterior nome, victoria regia, se refere a uma antiga monarca britânica, soberana da Guiana. Ora, tendo em consideração a pequenez da Guiana, comparada com os outros países que partilham a bacia amazónica, faz muito mais sentido que o nome da planta tenha perdido o “sangue azul”.

É uma planta da família Nymphaeaceae, cujas folhas podem atingir os 3 metros de diâmetro e a flor (chamada lírio-de-água) chega aos 40cm. As raízes e demais ramagem submersa, alcançam os 7 a 8 metros de comprimento. Normalmente de cor verde-alface na folha, o lírio é branco na primeira noite de floração, passando depois a rosa.

Tendo algumas das minhas fotos para iniciar a pesquisa, comecei os primeiros esboços em setembro de 2015 para fazer uma geocoin tradicional, basicamente uma rodela circular com os detalhes pintados. Com o decorrer do projeto, fui acolhendo algumas boas sugestões de amigos e colaboradores e surgiu a ideia de ter um rebordo elevado, mais alto que a base da geocoin.

Desde esse ponto comecei a desenvolver duas versões base. Além da anteriormente descrita, pensei em criar uma geocoin em 3D e 4D no caso do lírio, que assim perderia a cor branca ou rosa.

Foi quase “amor à primeira vista” para todos aqueles a quem mostrei os esboços. O problema foi ter recebido uma negativa da fábrica, que não conseguiria produzir o que eu queria e com a qualidade que queria. Mais de um mês após o início do processo esta resposta era um balde de água gelada. Just got news from the team that your design is in 4D style. So we cannot make it. Maybe this time only focus on 2D version?”

Costumo ter alguns problemas em conseguir passar para os outros a imagem mental que idealizo, bem concreta do aspeto final de uma geocoin... e esta era muito forte para mim. Depois de ter encontrado uma solução que, para além de ser um objeto de troca e de coleção no geocaching, tinha tudo para ser uma peça bela por si mesma, ser obrigado a contentar-me com a versão inicial, soube-me a pouco.

A partir daí, voltei ao Illustrator e desenhei o lírio detalhadamente, visto de cima, de baixo e de lado, de modo a facilitar o trabalho da fábrica. Tudo o que podia fazer estava feito, restava-me esperar que a intensa troca de correspondência entre Manaus e Hong Kong gerasse frutos. Após alguma pressão no sentido de que este projeto bem concluído seria uma mais-valia para o catálogo do produtor e a minha sugestão de que se contratasse um escultor externo à fábrica, recebi a tão desejada luz verde. “Hello! Good news. I have tried to discuss with our team. Now we want to try to make your 4D Lily coin.” Foi um dia feliz. J

Com toda a dificuldade técnica envolvida, apenas no final de novembro tive as samples prontas… e não me satisfaziam. As nervuras da folha estavam erradas, afundadas no fundo da geocoin, em vez de ligeiramente erguidas como acontece na planta real. Como se não bastasse, isso provocava que o esmalte não ficasse uniforme por não ter áreas contidas para ser vertido. O aspeto das manchas em tons de verde era insuportável, para mim. Recusei as samples e expliquei o que teria de ser alterado. Infelizmente, tal alteração obrigou a novos moldes. L

Aqueles que já lidaram com fabricantes chineses, talvez saibam o quanto é difícil que eles reconheçam um erro, qualquer que seja, por isso há que usar a máxima diplomacia nas trocas de correspondência, no sentido de que haja um final feliz para o projeto. Assim foi e apenas na véspera de Natal, pude ter novas samples, bem mais próximas daquilo que havia mentalmente visualizado, meses antes.

Mas, ainda nem tudo eram rosas. A opção encontrada pela fábrica para prender o lírio na folha não se mostrou eficaz e a delicada peça soltava-se com facilidade. Inaceitável!

Nova troca de emails, que não, a cola usada era da melhor qualidade e não sabiam como era possível tal acontecer. Pedi que se usasse algo magnético, mas tal não seria possível sem novos moldes. Entrámos em novo impasse e a minha saúde mental começava a querer abortar o projeto, para evitar males maiores. Até que sugeri um parafuso em vez de um rebite, para segurar o lírio na base da folha. Mas queria novas samples para testar antes da produção final... e seria a fábrica a suportar os custos da teimosia em manter o rebite que já se tinha concluído não funcionar. No final de janeiro veio a resposta. “Hello! We have asked factory to send out the sample. In order to have good business relationship, this time we will bear the courier cost.” YES!!!

Após estas últimas samples aprovadas, foi pedido que cada geocoin fosse acondicionada em caixas de cartão com molde de EVA, em vez das habituais saquetas de plástico. A produção ficou concluída na segunda quinzena de março e a encomenda chegou finalmente à loja encarregue de a comercializar, na Escócia.

Podem imaginar o meu suspiro de alívio.

A seguir, o tal “amor à primeira vista” consumou-se e a geocoin teve uma receção fantástica, ao ponto de todos os packs terem esgotado no primeiro dia, sobrando apenas algumas geocoins das edições regulares. O feedback recebido de quem comprou qualquer versão desta geocoin, tem sido muito gratificante para mim. OBRIGADO!

 

Foram produzidas um total de 385 geocoins, em onze modelos diferentes. Pondera-se a possibilidade de cunhar mais exemplares apenas das edições regulares.

Edição Regular 1 Folha e lírio em Antique Gold (40 unidades)

Edição Regular 2 Folha e lírio em Antique Silver (40 unidades)

Edição Regular 3 Folha e lírio em Antique Copper (40 unidades)

Edição Regular 4 Folha e lírio em Antique Bronze (40 unidades)

Edição Limitada 1 Folha em Antique Copper e lírio em Satin Silver (35 unidades)

Edição Limitada 2 Folha em Antique Copper e lírio em Satin Bronze (35 unidades)

Edição Limitada 3 Folha em Antique Copper e lírio em Satin Gold (35 unidades)

Edição Limitada 4 Folha em Antique Copper e lírio em Satin Nickel (35 unidades)

Edição Extra Limitada 1 Folha em Antique Copper e lírio em Antique Gold (30 unidades)

Edição Extra Limitada 2 Folha em Antique Copper e lírio em Antique Silver (30 unidades)

Edição de Artista Folha em Antique Gold e lírio em Black Nickel (25 unidades)

As vendas são feitas por lotes ou por unidade, Conjunto de Colecionador (11 peças diferentes), Conjunto Especial e Conjunto Regular;  finalmente as RE e as LE podem ser adquiridas isoladamente.

A próxima geocoin desta série, volta a focar-se na fauna brasileira. Fiquem atentos!

 

FICHA TÉCNICA

Design: Kelux Geocoin Design

Produção: Kelux Geocoin Design

Patrocínio: Geocache Land

Vendas: http://geocacheland.com/products/victoria-amazonica

Com ícone e código de rastreamento em www.geocaching.com

Dimensões: +/- 52mm diâmetro x 12mm altura

Peso: 39g

 

Texto / Fotos: Rui de Almeida (Kelux)

Artigo publicado na GeoMagazine#21.



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