20de abril,2026

27 June 2014 Written by  Lusitana Paixão

Aldeia de Broas, por Lusitana Paixão

No concelho de Mafra e freguesia de Cheleiros, do outro lado da ribeira com o mesmo nome, encontra-se a Aldeia de Broas. O singular povoado perdido na memória do tempo, cujas origens parecem remontar ao século XVI, guarda os traços de um típico casal saloio que chegou, em tempos, a reunir sete famílias. Hoje a Aldeia já não é habitada, mas continua a ser visitada por amigos e familiares, caminheiros, amantes do BTT, e … geocachers.

Visitar a Aldeia de Broas é, antes de mais, dobrar uma verdejante encosta por caminhos rurais e campos agrícolas, com o vale do Lizandro aos nossos pés, e Cheleiros lá ao fundo. A subida é íngreme mas a vista compensa o esforço e o caminho, a pé ou de bicicleta, é percorrido de alma leve e com o ânimo de quem não se poupa à descoberta.

O isolamento da aldeia e a deficiente acessibilidade parecem ter ditado a sina de Broas. Os acessos que nunca chegaram a ser construídos, impediram o desenvolvimento da aldeia, dificultando o abastecimento de bens e os cuidados de saúde necessários a uma população envelhecida. Broas acabou desertificada e tornou-se a mais típica das “Aldeias Fantasmas”, mantendo no entanto uma identidade própria e bem viva, que parece resistir contra tudo e contra todos.

Há uma espécie de nostalgia que toma conta deste lugar e que assalta o visitante, mal entra na Aldeia. O casario, em avançado estado de degradação, mostra-nos um exemplo de arquitectura genuinamente saloia, com o seu empedrado grosseiro, aqui e ali revestido a reboco. Com um olhar atento, é fácil compreender como era bem organizada esta Aldeia, e como os habitantes foram construindo, em volta da eira, os anexos que permitiram a subsistência da pequena comunidade ao longo de mais de quatro séculos: os currais, a adega, o lagar, o poço, o moinho. Aqui vivia-se da terra, da pequena agricultura, da criação e da horta; cozia-se o pão naquilo que parece ser, um forno comunitário. São vários os testemunhos edificados do dia-a-dia deste antigamente, suspenso no tempo, à espera de uma melhor sorte que teimou em nunca aqui chegar.

A casa mais recente é datada de 1888 e a última residente deixou o casario há cerca de 40 anos, quando o adiantar da idade não mais permitiu que vivesse na solidão do alto monte. A porta da casa encontra-se aberta e ostenta uma tabuleta de papelão emoldurado “Casa da Avó Gertrudes”, a dar as boas vindas: não existe aqui vivalma, no entanto o ambiente é caloroso e acolhedor. Num pequeno nicho ao fundo, uma imagem de Nª. Sª. de Fátima abençoa o local, e muitos visitantes deixam um testemunho da sua passagem com um pequeno recado no mural.

A bela e melancólica Aldeia de Broas continua a inspirar aqueles que por ali passam, a despertar o nosso imaginário, à sombra da grande árvore secular que domina o pátio e cujo banco de pedra convida a um momento de contemplação.

Em maio de 2002 o geocacher MikeAndCows, inspirado pela descoberta da Aldeia, partilhava o seu achado e inscrevia definitivamente Broas no mapa do geocaching: “Last Home of Gertrude [Mafra]” [GC54DD] não é apenas uma cache pioneira, mas sobretudo o exemplo de uma cache que atravessou tranquilamente uma década sem acusar uma ruga. Com cerca de 70 favoritos, a cache integra uma impressionante lista de bookmarks cujos títulos falam por si: “Memorable”, “Top Location”, “I’m gonna do it again”, entre outros.

A Aldeia de Broas é definitivamente um local único e especial. Fica o convite à descoberta.

Artigo publicado em GeoMagazine, Edição #6



3 comments

  • Comment Link FloraCardoso 28 June 2014 Lusitana Paixão

    Muito obrigada Luis e Pedro. Esta Aldeia é um lugar apaixonante e inspirador! Não deixem de visitar, se tiverem oportunidade!

  • Comment Link PedroAmorim 27 June 2014 pedroclagartos

    Que artigo maravilhoso.

    Já tenho na minha To-Do list uma visita a esta aldeia, se possível ainda este ano.

    Muito obrigado pela partilha.

  • Comment Link luis 27 June 2014 luis serpa

    Excelente artigo. Está muito cativante, despertando um grande desejo de visitar esta aldeia.
    Por um lado, é triste ver que o que se passa aqui, está a acontecer noutros locais, mas por outro lado, tal solidão leva a que este lugar seja mágico.
    Muito obrigado pela partilha

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