A Frecha da Mizarela vive no meu imaginário de geocacher desde Abril 2011 como o palco do DNF mais doloroso de todo o sempre. Mas, entre tantas emoções fortes vividas nessa altura na Serra da Freita, ficou sobretudo o deslumbre por esta gigantesca garganta de água e a promessa de lá voltar para saborear em pleno esta paisagem única e provar o verdadeiro encanto de uma caminhada nas suas escarpas.

Outubro de 2012, chegou o momento de concretizar o desejo. Demos início ao percurso pelas 15h00, em frente ao parque de campismo do Merujal onde as viaturas ficaram estacionadas em segurança. Mochilas equipadas, não tardamos em encontrar as placas informativas do PR7 que, no seu conjunto, se encontra excecionalmente bem assinalado.
Este percurso é composto por 11 caches tradicionais e uma cache mistério cuja coordenada deverá ser calculada com recurso às indicações encontradas nas caches intermédias, ao longo da caminhada.
Encontradas as duas primeiras caches sem dificuldade, seguimos o caminho florestal que desce em direção ao Miradouro da Mizarela. Mas antes, é preciso ganhar coragem para procurar a terceira cache sugerida no percurso desenhado pelo Owner, de longe a mais exigente e de difícil alcance!
Chegar ao topo do inóspito e gigantesco rochedo escarpado não é tarefa fácil; encontrar o tupperware é mesmo uma prova de persistência. Garantidas estão, contudo, as vistas alargadas!
Retomamos a nossa rota e descemos pelo trilho até ao Miradouro, possivelmente o ponto de vista mais impressionante e desafogado sobre o principal atrativo paisagístico da zona: a Frecha da Mizarela, uma das maiores quedas de água naturais da Europa e a mais alta de Portugal com cerca de 70 metros.

As marcas do percurso indicam-nos a bifurcação a tomar, cerca de 300 metros abaixo do miradouro, por entre um denso carvalhal. Aqui começa a parte mais interessante e também mais exigente da caminhada, com trilhos estreitos em curvas esguias de considerável desnível, até nos encontrarmos à cota do Rio Caima. A caminhada torna-se então suave durante umas centenas de metros, até chegarmos à Aldeia da Ribeira.

A aldeia é constituída por um pequeno aglomerado de casas que denotam a dedicação dos moradores à lavoura, com culturas em socalcos, uma eira e alguns espigueiros. No fundo da aldeia cruza-se o rio por cima de um pontão e retoma-se o trilho pela esquerda, chegou a hora da subida íngreme que nos levará até à soberba cascata em socalcos da Ribeira da Castanheira!
A parte mais difícil do percurso ficou para trás, bastando em diante gerir a fadiga no resto da subida que nos leva até à crista da escarpa leste. Rapidamente se chega à Ribeira dos Cabaços, de olhos postos no relógio neste fim de tarde de Outubro, com o sol a desaparecer lentamente sob o vale da Freita.

As caches, essas, foram aparecendo com naturalidade ao longo do percurso, servindo perfeitamente o propósito de paragens curtas, propícias a retomar o fôlego, apreciar a paisagem e usufruir de cada recanto singular desta fantástica caminhada no coração da Serra. O percurso circular foi completado em cerca de 4h30, com paragens para procurar as caches e uma pausa para um lanche frugal.
Fica a sugestão de um percurso de dificuldade média numa paisagem única, que vale a pena descobrir e saborear! Nota máxima para a excelente companhia das Abelhinhas, All Happy e Shiva Kapha e um especial agradecimento ao owner amoleto por esta série de caches acessíveis e brilhantemente documentadas em listings apelativas e completas.
Partilha também as tuas descobertas, em www.geopt.org!

Partida e chegada – Parque de campismo do Merujal (Arouca Geopark)
Total do percurso – 8.000 metros
Duração do Percurso – 3h30m
Desníveis - Descidas e subidas de forte inclinação
Nível de dificuldade – Médio/Alto
Altitudes
Parque de Campismo – 890m
Mizarela – 915m
Miradouro natural – 800m
Ribeira – 650m
Escola de Escalada – 960m
Desníveis acumulados – 680m
In GeoMagazine, Dezembro 2012 - Edição #0


