19de abril,2026

14 March 2018 Written by  Ricardo Ribeiro

Locais: Vintgar Gorge

Quem viaja pelo norte da ex-Jugoslávia não poderá ignorar a existência das quedas de água de Plitvice, na Croácia. Mas visitar este local – classificado como Património Mundial pela UNESCO – pode ser complicado. Pela sua localização remota e pelo custo da entrada (cerca de 15 Eur). Contudo, existe um prémio de consolação, mais acessível e bastante mais económico: Vintgar Gorge. Nas imediações do famoso lago Bled, na Eslovénia, este “canyon” é uma alternativa, não tão espectacular, mas de acesso muito mais fácil. Afinal de contas, ninguém passa pela Eslovénia sem visitar Bled, mas muitas pessoas desconhecem a existência deste local mágico a uns meros 2 km do centro da vila. Na realidade, foi quase por acaso que me apercebi da sua existência, já nos últimos dias de preparação da viagem, e nem queria acreditar que estive quase a passar-lhe ao lado.

O Vintgar Gorge corre durante cerca de 1,6 km e foi descoberto para o mundo em 1891, por Jakob Žumer e Benedikt Lergetporer. Pouco depois foram instalados os primeiros passadiços de madeira que têm vindo a ser renovados até hoje. Ali, o rio Radovna escavou um “canyon” de paredes ingremes que chegam a ter 100 m de altura.

Com a devida preparação é fácil chegar à entrada do “canyon” conduzindo um carro; mas quem se encontra apeado tem três outras hipóteses: caminhar cerca de 5 km para cada lado; apanhar um táxi e regressar a pé; encontrar o autocarro correcto (existe informação detalhada na Internet sobre esta opção).

Ia preparado para pagar os 5 Eur do bilhete indicados no website oficial do local. Mas, surpresa… chegados ao local, uma corrente e um claro sinal: encerrado, proibida a entrada. Oh, não! Isto não está a acontecer! Que pesadelo! Uma coisa é certa… a proibição estava lá mas não havia nenhum guarda à vista. E se ignorássemos o aviso? Depois de uns minutos para ali a matutar, vimos alguém lá ao longe, a caminhar em nossa direcção, vindos da área interdita. Seriam guardas? Não! Um par de namorados. Pronto, estava dado o sinal. Era para saltar a corrente e partir à descoberta do Vintgar Gorge.

Os primeiros cem metros são maravilhosos, mas não especialmente únicos. Caminha-se lado a lado com o Radovna, que corre, tranquilo, no seu leito. Apesar de já irmos em meados de Abril, o Inverno ainda ali vive: as árvores despidas têm aos seus pés um manto de folhas castanhas, em decomposição, tombadas no Outono passado. E há neve, depositada nos declives. Muita.

O espectáculo da Natureza começa pouco depois, quando encontramos o acesso ao passadiço de madeira. As águas aceleram e perdem-se numa multiplicidade de formas que se extenderá durante centenas de metros. Há rápidos, cortados por tranquilas lagoas. E alargamentos do berço do rio, que lhe emprestam por um instante os ares de um curso de água normal. E o trilho ali colocado por mão humana salta, de uma margem para a outra, passando sobre as águas limpidas por diversas vezes.

Fascinados, de boca aberta com a beleza sem fim que nos rodeia, ouvimos um barulho estranho… tem de ser gente. E pouco mais à frente, lá estão eles, um grupo de homens que trabalha na manutenção do passadiço. É evidente que o Vintgar Gorge se encontra aberto ao público apenas na época alta, e que todos os anos há que proceder à manutenção do trilho. Hesitantes, aproximamo-nos deles. Não há nada a perder. Se implicarem conosco, teremos que voltar para trás. Como se costumava dizer quando andava na escola, “bater não batem e ralhar não doi”. Mas ao contrário de uma reacção hostil só recebemos indiferença e uma autorização velada para passar por eles.

Mais à frente tornou-se clara a necessidade destas reparações. Tivemos que ultrapassar uma enorme brecha no passadiço, com alguma arte e engenho físico. E depois outra. Entretanto o espectáculo continuava. Onde as lagoas se formava, a profundidade aumentava, talvez a 8 ou 10 m, e mesmo ali via-se o fundo como se apenas uma follha de água existisse. Enormes peixes cruzavam os seus domínios, com ar imperial. Entretanto outro aventureiro caminhava a uma boa distância atrás de nós.

Por fim o sonho de chegar ao fim do Gorge terminou. Outra equipa de trabalhadores derrubava árvores que se encontravam em risco de queda na encosta ingreme. A coisa ali era a sério, com “walkie-talkies” e capacetes, e o passeio terminou. Gostaria de ter visto a queda de água final, que marca o término do canyon. Tem 13 m e chama-se cascata Šum, literalmente, “cascata barulhenta”. Valeu.

 

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

 



1 comment

Login to post comments
Geocaching Authorized Developer

Powered by the Geocaching API..
Made possible through the support of Geocaching Premium Memberships, the API program gives third-party developers the opportunity to work with Geocaching HQ on a full suite of integrated products and services for the community. API developer applications are designed to work with the core services of geocaching.com and provide additional features to the geocaching community.

Geocaching Cache Type Icons © Groundspeak, Inc.
DBA Geocaching HQ.
All rights reserved. Used with permission..

Connect

Сыграйте на покердом. Вы сможете тут победить. Это точно...
Disfruta de más que un simple juego en winchile. Puedes ganar aquí...
Aproveite o cashback semanal de até 20% nas suas apostas no wjcassino777.org, sem complicações.

Newsletter