Log dos acaros. Quem quiser ver reportagem mais desenvolvida é só ler a GZ Portugal de Maio.
February 5 by acaros
GEOREPORTAGEM
Já estávamos esfomeados, o sino já tinha dado as duas badaladas. Os banhos da ribeira já clamavam uma reposição de calorias decente. Correndo para tão esperado destino serpenteamos pelos montes em caravana, recuando no tempo. Foi debaixo do chaparro que montamos acampamento. Enviamos para o estômago bastante bolo alimentar composto por tarte de alho francês, pães de queijo e sandes com paté de atum e tomate fresco, o clássico. Preparamo-no, então para o que aqui viemos fazer. Camuflamos o material e cobrimos os rostos de máscaras, para nos atrevermos a entrar neste espaço perdido no tempo, espalhando os nossos cheiros pelos recantos de outrora. Trazendo-nos à realidade apareceu já ao final da tarde o Sr. Alcindo com a D. Maria, acompanhados pelo Leão e pelo Rucca fieis companheiros de quatro patas.
O Sr. Alcindo viveu na aldeia até ao desasseis. Na casa maior até à qual nos leva o caminho. Ia a pé para a escola de Cheleiros descendo os montes e atravessando dois rios até lá chegar. A casa pertenceu à sua avó, mas que na verdade era sua tia mas casando-se com o seu avô passou a ser sua avó. Foi a pessoa com quem foi criado desde pequeno. A sua avó não era a primeira proprietária daquela casa. Ela era criada de um homem rico que não deixou herdeiros e herdou dele a casa e alguns terrenos por aqueles montes. A Aldeia fica na fronteira entre o concelho de Sintra e o concelho de Mafra. Sendo que os terrenos eram distribuídos em ambos os concelhos, a franquia devia ser paga em ambos os sítios. Os moradores da aldeia também estavam inscritos em juntas diferentes, uma pertencendo ao concelho de Mafra, outra ao concelho de Sintra. Talvés por isso tenha acabado por ficar esquecida a aldeia (digo eu). A Água que sustentava a vida das pessoas que habitaram Broas ou Casal das Broas como lhe chamavam na altura vinha de vários sítios. Havia um poço que fica a oeste na encosta a uns 100 metros abaixo das últimas habitações e tem uma espécie de nicho que o protege que durava até Junho. O Sr. Alcindo ia ao poço com cântaros de barro, e quando o poço Secava, no Verão tinha que descer encosta abaixo até à outra nascente serpenteando por um caminho de cabras. Nos últimos tempos de vida a aldeia já não tinha muitos habitantes, a última foi a D. Joaquina que morava lá em cima, no concelho de Sintra. Mas na sua vida próspera estava tudo arranjadinho, os jardins entre as casas semeados de nabo e feijão e os terrenos de pasto cheios de ovelhas. Todos tinham animais, havia galinhas, patos, cabras e vacas, e burros obviamente que traziam água do rio para regar as hortas. Actualmente o Sr. Alcindo é conhecido como o Alcindo do Castelo, foi uma grande sorte termos cruzado o seu passeio pela aldeia da sua infância. Agradecemos a sua simpatia.
Depois começou a aparecer malta de todos os lados, eram ciclistas, eram escuteiros, eram casalinhos romanticos, mas nenhum geocacher. Resolvemos terminar a viagem no tempo e fomos fazer mais cahes.
TFTC/OPC





