
Found it Prodrive
16H30M
#4914
Despertada a curiosidade num tópico no forum do geopt.org, não consegui resistir à primeira oportunidade de vir experimentar o canyoning. Na realidade já o tinha experimentado, embora numa versão bastante mais soft, aquando dasubida do Rio Poio.
Hoje foi muito mais radical. Só mesmo possível graças à ajuda do FTomar, Gafanhoto e Jojogeo, que providenciaram o material e o know-how para que conseguíssemos fazer a descida do rio Teixeira sem ossos partidos nem grandes mazelas.
Saímos de Lisboa por volta das 7.30 horas da manhã, e passei pelo Bombarral para recolher o João e a Maja (Team Hulkman). Pontualmente às 10.30 estávamos no ponto de encontro onde o grupo de Tomar já nos aguardava.
No parking spot recomendado deixámos os carros e equipámo-nos com os fatos de neoprene, seguindo depois pelo trilho até à cache Canyoning no Teixeira, onde finalmente tivémos uma perspectiva daquilo que nos aguardava. As escarpas são impessionantes e fazem-nos acreditar que a melhor maneira de descer o rio será mesmo pelo seu leito, em modo canyoning.
Já com os pés dentro de água avançámos até à primeira cascata onde um grupo fazia a sua descida. O primeiro impacto dá uns certos calafrios. É uma descida de cerca de 30 metros na vertical pendurado por uma corda, mas à medida que nos vamos acostumando ao ambiente e interiorizando a descida, tudo acaba por nos parecer um pouco mais natural.
Um a um, com maior ou menor dificuldade, iam fazendo a sua descida. Evitava-se ao máximo o contacto com a rocha molhada e escorregadia que nos roubava toda a aderência e escolhiam-se apoios secos, mas no rappel não há muitas hipóteses para contrariar a natureza, a gravidade exerce a sua função e mais metro menos metro acabamos todos por seguir a mesma linha perpendicular ao solo.
Não posso dizer que esta descida tenha corrido mal. Só me estatelei uma vez, num dos patamares salientes da cascata, por nítida falta de aderência... e de jeito
. A experiência é brutal e a sensação de ír ultrapassando aquele obstáculo apararente intransponível para o comum dos mortais é muito gratificante.
É especialmente magnífica quando chegamos à base da cascata, mergulhamos naquelas águas cristalinas (o rio Teixeira é considerado um dos mais despoluídos da Europa), olhamos para cima e exclamamos: "ouch! eu desci isto?" ![]()
Depois de desmontado o equipamento fomos descendo o rio, ora saltando de pedra em pedra, ora caminhando dentro de água, ora a nado. A temperatura ambiente estava magnífica, acima dos 25ºC e a água apesar de estar um pouco fria, sabia muito bem, sobretudo durante as secções mais expostas ao sol que chegava a queimar dentro do fato térmico.
Quando havia obstáculos maiores, entre 4 a 5 metros de desnível com lagoas profundas na base, nem sequer montávamos a corda de rappel, optávamos por saltar directamente para dentro de água proporcionando momentos de grande adrenalina.
Rapidamente chegámos à segunda cascata de ordem de grandeza das dezenas de metros. Ainda maior do que a primeira e com algumas passagens um pouco mais técnicas
.
Com maior ou menor dificuldade, uns mais acrobáticos que outros, todos conseguiram ultrapassar mais este enorme obstáculo. Pessoalmente senti-me bastante aliviado quando mergulhei na lagoa. Foi uma descida bastante atribulada. Assim que a iniciei, e mal coloquei os pés na parede perdi toda a aderência e fiquei de cabeça para baixo, pendurado por uma corda, a mais de 30 metros de altura. Medo, muito medo! Esse episódio condicionou toda a descida, e não tendo tido grande pontuação na nota técnica, a artística rebentou a escala
.
Entre a segunda e a terceira cascata mais do mesmo, pedras e mais pedras, saltos e mergulhos para a água de penhascos mais ou menos intimidatórios, mas que naquele momento já nem sequer proporcionavam hesitação: salta para a frente que a água é macia
.
Ah! Pelo meio também houve uma cache com um log-book para assinar, uma mera formalidade já que estava ali mesmo à babuja. Com o entusiasmo do canyoning fiquei satisfeito que não nos tivéssemos esquecido de a procurar.
Estavamos agora perto da última secção e só faltava mesmo um último grande obstáculo para o transpôr, mas as opções para o superar eram variadíssimos e para todos os gostos: um salto de 22 metros para a lagoa, um outro apenas de 10 metros, mas com um acesso mais tenebroso, cujo mínimo descuido proporcionaria uma queda de 5 metros em cima de outro penhasco, rappel até à lagoa ou então uma descida em rappel de 5 metros até ao penhasco inferior e depois então um salto mais curto de 5 metros para a lagoa, que em abono da verdade foi a alternativa mais apreciada, excepção feita a alguns destemidos que optaram pela prancha dos 10 metros.
Daí até à parte final todos os pequenos (grandes) obstáculos já se assemelhavam mais a caches drive-in, daquelas de terreno 1 com acesso para cadeira de rodas.
Não há dúvida que foi a cache mais exigente que já encontrei até hoje, nem tanto pelo esforço físico (é sempre a descer
), mas mais pelos desafios psicológicos que tivémos que superar e pelas passagens mais técnicas que na falta de jeito castigam um pouco mais o corpo e deixam algumas mazelas. Nada de mais
.
Resta-me agradecer a todos os companheiros de expedição pelo magnífico dia de canyoning e de geocaching, em especial ao FTomar pelo desafio lançado e pelo apoio logístico prestado. Sem ele, teria sido ficção científica tentar cumprir esta missão.
Deixo o conselho de experiementarem esta actividade acessível a crianças de 14 anos, como foi o caso do Júnior que veio deslumbrado com a aventura radical, assim como a mulheres (a Maja superou a prova com distinção) ou mesmo tipos sem grande aptidão tecnica para o rappel, como é o meu caso. Já posso escrever na minha lápide: "Sobrevivi ao Rio Teixeira".
Romantica a ideia de fazer 600 kilómetros para procurar um par de caches? Nah! Fazia 6000 kilómetros!! Isto é geocaching de luxo! TFTC. TNLN.
Team Prodrive
www.geopt.org



