elpombero Escreveu:Já sabemos (estás, obviamente, no teu direito) que não gostas de PTs. Eu não gosto nem desgosto. É como me apetece. Já saí de casa de propósito para fazer o PT da Malveira (adorei) e já passei mesmo ao lado de um em Castelo de Vide e não me apeteceu. Resumindo: não tomo esteróides
"
Uma droga prejudicial sem a qual se está de fora". Fora de quê? Tenho a certeza (mais que não seja pelas crónicas das tuas viagens, que devoro - a propósito para quando o livro???) que tens mais que "fazer" e desfrutar....
Juro, não consigo entender a "dependência" dos números. E terem que tomar doping para irem na "frente" tipo Armstrong do ciclismo-geocachiano! Mas isto sou eu.
Se não consegues entender, bom para ti. A sério. O meu irmão, que sempre foi um tipo preguiçoso, também não consegue entender porque é que alguém se submete ao esforço de fazer desporto em vez de passar o dia no conforto do sofá a ver televisão e a meter qualquer petisco no bico. Menos bom para ele porque esta incompreensão, traduzida para a práctica, não lhe faz nada bem à saúde. Contudo, ele, mesmo com a genérica desaprovação, consegue perfeitamente entender que quem faz desporto não se deve dopar, porque o doping, para além de fazer mal ao corpinho, estraga também o gosto pelo saudável gosto da competição pela competição. É desta saudável competição dos números no Geocaching (que de resto é um pouco como o Marco Paulo da minha juventude... ninguém gosta mas os discos vendiam-se aos milhões) que se fica de fora se se fingir que não existem power trails.
E se não existissem, de todo power trails? As caminhadas continuavam a ser feitas, as caches continuavam a ser encontradas - com mais tempo para apreciar a envolvência e a natureza, e menos a abrir e fechar plásticos e rubricar ou carimbar papéis, e a saudável competição pelos números mantinha-se, empolgante, nivelada por baixo em termos de números totais.
Existindo, como existem, power trails, como funciona? As caminhadas são feitas, passa-se mais tempo a parar e a arrancar do que a andar, passa-se mais tempo a levantar pedras e abrir e fechar caixas do que a respirar o mundo que nos rodeia quando estamos por lá, ensina-se aos "nossos" filhos que é OK considerar aquela cache encontrada mesmo que não a encontremos porque já sabemos que ninguém dará por nada, em vez de lhes ensinar os nomes da passarada que se vai avistando. É que é importante levar mais 80 founds para casa naquele dia, ignorando-se o infinitamente superior prazer que conferiam os 80 founds anuais há muito, muito tempo.
E a troco de quê? Pela enésima vez, aguardam-se as razões sólidas e intelectualmente defensáveis da existência de power trails. Mas não vão aparecer porque, acredita, já pensei até ao infinito em tudo isto. A única coisa que vai aparecer são os lugares comuns do costume, de solidez duvidosa: os "só lá vai quem quer", que fazem tábua rasa de linhas e linhas de texto a explicar porque é que não é bem assim, e coisas do género. O que de facto é totalmente opcional, a todos os títulos, é a valoração do elemento estatístico no Geocaching. E é por isso que de facto não me aborrece nada que não compreendas o interesse pelos números. Ah! Com aspas ou sem aspas, escreveste "dependência" o que é totalmente errado em muitos casos. A competição saudável nesse aspecto não implica dependência. É apenas mais um ingrediente do prato que se degusta quando se faz Geocaching.