18de abril,2026

ValenteCruz

ValenteCruz

Wednesday, 25 October 2017 10:00

Era uma vez... a Mata da Penoita

Após o flagelo dos incêndios que assolou o país no passado dia 15 de outubro, fui dar uma volta pela desgraça por terras vouzelenses. Tinha pouca expectativa que a Mata da Penoita tivesse escapado, mas ainda assim resolvi que faria o percurso completo do trilho em corrida. Com o coração nas mãos da tristeza, subi pela Ventosa como um hobbit sem esperança à procura do monte da Perdição. Mesmo preparado para ver o pior, é impressionante notar a destruição. O negro e a cinza estenderam-se pela paisagem e bateram à porta de muitas casas, entrando em algumas. Para além das habitações e dos barracões que se perderam, vi ainda um carro junto à estrada que tinha ardido por completo.

Subindo a encosta, depois de passar as aldeias que tinham sido cercadas pelo fogo e ao cruzar a A25, fiquei com a certeza que nada escapara. A Penoita, verde e bucólica, tornou-se então apenas uma memória. Sempre tive um fascínio por esta zona desde que comecei a fazer viagens habituais para Aveiro, há largos atrás. Quando vim morar para a zona foi com muito prazer que fui descobrindo os recantos desta floresta autóctone, imagem postal do que deveria ter sido a floresta portuguesa séculos antes. A Penoita era um verdadeiro tesouro natural e era particularmente bonita no outono, com o seu tapete de folhas caídas e as cores variadas. Foi com orgulho que ajudei na divulgação da mata e do trilho através do geocaching (GC2J2GJ). Mais recentemente, no ano passado, ao equacionar os locais para tirar a foto para a capa do livro “Sombras de Silêncio”, a escolha tornou-se óbvia.

Estacionei o carro no Parque de Merendas da Penoita, coloquei a melancolia nos ouvidos e fiz-me ao caminho pelo antigo PR 4 – Trilho da Penoita. Pisando as cinzas da desgraça, fiz uma primeira paragem na Pia da Barca. À minha volta resistiam as árvores moribundas; a paisagem estendia-se pelo alcance da visão em sombras de saudade e escuridão. Segui depois pelo caminho, patinando no solo chamuscado e cheguei à Malhada de Cambarinho. Aquelas pedras históricas certamente já sobreviveram a muitos incêndios, mas a panorâmica vai decrepitando de tristeza a cada passagem.

Prosseguindo por campos e casotas agrícolas que passaram do abandono para a negridão, subi a encosta e aproximei-me de Covas, que também ficou cercada pelo fogo. Enquanto as pessoas, impotentes, se vão habituando à mudança, a paisagem parece refugiar-se num silêncio fatídico. Mais acima, Adsamo também está cercada por encostas negras. Depois de passar pela aldeia, de auriculares nos ouvidos, comecei a ouvir gritos. De início pareceu-me desespero, mas depois percebi que era um chamamento sentido. Mais à frente encontrei um pastor e estivemos à conversa sobre a miséria envolvente. Fiquei a saber que os chamamentos eram para o cão, que desde o incêndio andava esquivo com o medo e recusava a voltar para casa.

No estradão para Joana Martins, enquanto a Marisa cantava que “o brilho que o sol irradia há de sempre nos iluminar”, o cenário manteve-se. O fogo desceu a montanha até Vasconha, pintando de negro tudo pelo caminho. Ao longe, na planície até Viseu, o verde sobrevivente tentava enganar a deceção. Antes de Joana Martins fiz uma pequena paragem numa pequena capela que ardeu e subi depois a uma pequena elevação sobre a aldeia, de onde se vislumbrava o rasto do monstro até ao monte da Senhora do Castelo. É inimaginável pensar no que deve ter sido o terror para as pessoas daquelas aldeias. Ainda assim, mesmo nas pequenas coisas, nota-se a generosidade destas populações; mais à frente, na estrada, encontrei um saco plástico com comida e um reservatório de água para os animais selvagens sobreviventes.

Entrei depois no bosque da Penoita, onde já tinha começado o trabalho para reconstruir as linhas elétricas. Dali até ao parque de merendas foi um relance de mais alguma melancolia. Pode parecer estranho, mas acho que o facto de ter feito o percurso nestas condições era quase uma necessidade para aceitar a nova realidade. Fica também a vontade de, no futuro e ainda que de forma humilde, contribuir para resgatar a Mata da Penoita destas sombras. Após cerca de sete anos de descobertas, é com alguma tristeza que nos despedimos das caches deste trilho. A quem fez o percurso, obrigado pelas visitas e pelos relatos. Serão não apenas uma recordação, mas também o testemunho daquilo que o trilho deverá voltar a ser.

Depois do que aconteceu, é natural analisar e discutir o que foi feito de errado ou o que faltou fazer, tanto na prevenção como no combate. Não me vou pôr a atribuir culpas e certamente existem opiniões muito mais ajuizadas sobre o que deve ser feito no futuro para mitigar situações semelhantes. Neste caso, fica sobretudo a ideia de impotência face a um cenário de condições excecionais para a ignição e propagação do fogo. Porém, de um modo geral, fica também a certeza que muito precisa de mudar. Mil palavras de agradecimento por todos que, naquela noite, deram o melhor si para combater este e outros incêndios!

Por fim,  gostaria de partilhar e incentivar ao apoio do movimento solidário criado pelo Município de Vouzela para ajudar a reconstruir o futuro no concelho. No imediato, pela subsistência das vidas afetadas. Depois, para reflorestar o coração de Lafões!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Sunday, 22 October 2017 10:00

Brutal!

Numa tarde solitária pela montanha, fui refazer parte do trilho do Ultra Trail Serra da Freita, descobrir novos percursos e encontrar uma cache Brutal! (GC7324F) Estacionei em Póvoa das Leirias, onde já existiu uma placa icónica que “proibia dançar na estrada”. Desci a aldeia pelo PR das Bétulas em direção a Candal. Ao longe, e bem lá em cima, ainda senti o desafio da Besta a espicaçar-me a vontade. Mas hoje o destino era outro. O trilho até Candal já está revestido pelas folhas outonais. Não só pelas cores, o Outono talvez seja a melhor estação para fazer caminhadas/corridas pela montanha.

Fui de Candal a Cabreiros num esgar de alcatrão e entrei depois no turístico Caminho do Carteiro. Mesmo com poucos quilómetros nas pernas, fazer aquela descida em corrida é sempre um teste para os joelhos. Mas é também um consolo para as vistas, descobrir o vale de Rio de Frades a surgir inteiro aos nossos pés. A paisagem, apesar de ensombrada pelo incêndio do ano passado, mantém-se grandiosa e panorâmica.

Embalado pela descida, parei apenas no miradouro sobreposto ao Poço Oito. Aquela dupla cascata é uma verdadeira maravilha da Natureza! Um grupo de canyoning tinha acabado de fazer a descida e preparava-se para sair da lagoa. Fiquei por ali algum tempo em contemplação e lá prossegui pelo caminho. Parei apenas junto ao antigo edifício abandonado. Notei o trilho e pensei que o final deveria ser já ali. Dei a volta às vistas e fiz as contas à vida. Estranhei os cerca de 400 metros para finalizar a descoberta, mas pareceu-me que o local poderia fazer sentido. Desci então a encosta, passei pelo túnel e prossegui pelo rio. Andei por onde nunca tinha andado e fiquei com uma certeza: podemos pensar que conhecemos a zona, mas Rio de Frades é uma verdadeira caixinha de surpresas. Descobri mais umas minas suspensas sobre uma cascata/lagoa fantástica!

Depois de perceber que me tinha enganado nas contas, voltei para trás e subi a encosta a dizer mal da minha desatenção, que ameaçava alterar-me os planos para o percurso. Nesta segunda abordagem nem foi necessário olhar para o telemóvel e lá cheguei ao destino. Foi com alguma emoção que encontrei a cache, percorri os registos, reavivei as imagens na memória e senti as palavras escritas. Para além de algumas aventuras vividas com o André, recordo os interesses comuns. Em particular, as longas conversas sobre Rio de Frades, as suas minas e os tesouros por encontrar. Recordo ainda os planos de pesquisa e descoberta em conjunto, que infelizmente ficaram por cumprir. O André era um bom amigo e era sobretudo uma excelente pessoa!

Despedi-me de Rio de Frades a remoer a saudade e investi no percurso para Covelo do Paivó, feito maioritariamente por alcatrão, o que acabou por desgastar mais do que os quilómetros já percorridos. Ao chegar à ponte desci ao rio e tomei um merecido banho, preparação para a longa subida a haver. Tinha considerado a hipótese de subir para Candal pelo estradão, mas optei por arriscar uma subida desconhecida pelo percurso que me haveria de ligar ao Trilho Inca. Deixei a aldeia para trás, levantei o olhar e enfrentei a subida íngreme. Ao chegar ao topo recebi uma visão envolvente que me atenuou o cansaço. Após uma pequena paragem para reforçar as energias, segui pela crista do monte. Mais acima, os Dois Pinheiros pareciam uma meta. Prossegui depois para o Trilho Inca e foi com alguma melancolia que o redescobri despido pelo fogo. O destino estava mesmo ali. No final, os cerca de 23 km estavam bem pesados nas pernas. É sempre um prazer regressar a estas Montanhas Mágicas! 

 

Artigo publicado em cruzilhadas.pr

Continuando a viagem pelas caches vencedores dos Prémios GPS 2016, desta vez rumamos ao distrito de Coimbra, onde a Nossa Senhora do Geocaching (GC6JQ6Z), cache criada pel'Os Pontos Cardeais, se destacou.
 
 
Apesar deste ano ter sido o nosso terceiro prémio distrital consecutivo no distrito de Coimbra só acreditámos mesmo na altura do anuncio. Existem sempre outras caches que também merecem tal distinção. O local da cache foi explorado por nós pela primeira vez em Maio mas depois com o tempo bastante reduzido e bastantes alterações que a cache levou só foi publicada em Dezembro. Para ajudar o container final foi roubado na altura do pico do verão o que limitou bastante as visitas. Por estes dois motivos este ano ainda acreditávamos ainda menos que nos anos anteriores. Apesar deste prémio também ficámos muito contentes por ver uma cache nossa que é um simples lock & lock ser nomeada. É sinal que fomos pelo caminho certo, o local é o mais importante.
 
Ficamos contentes por ver o nosso trabalho reconhecido pela comunidade, olhamos para trás e ficamos orgulhosos do que temos feito até aqui. Quando começámos a colocar caches em conjunto foi com a ideia de fazer algumas coisas engraçadas que cativassem os mais novos a querer fazer geocaching e não ficarem em casa agarrados ao computador/consola. Apesar disso é com agrado que vemos que os graúdos também gostam. Mas nada melhor que ler no log algo do tipo: "Foi complicado convencer o mais novo a deixar o container no local. Queria-o levar para casa." Missão cumprida!
 
Começámos em 2013 a colocar caches e desde essa altura para cá temos notado um decréscimo de qualidade, há caches de qualidade sim mas não tantas como em anos anteriores. Acho que o que leva a isso é a escassez de locais que sejam merecedores de caches. Que mesmo com containers todos xpto a malta tem tentado associa-los a um sitio mais ou menos interessante. Apesar disso no distrito de Coimbra já temos três caches muito boas publicadas neste ano de 2017.
 
Por ultimo queríamos fazer um agradecimento ao Melg@, que apesar de estar lá comigo, não fiz no discurso em Setúbal. Ele tem ajudado bastante com material de informação e não só para esta como para outras caches nossas. Também queríamos agradecer a quem visitou e votou na nossa cache.
 
Agora com o acalmar dos incêndios haverá tempo para repor o container final. Infelizmente também o local da cache foi afectado pelos incêndios e um dos containers que ficou no local esteve perto de arder. Pedimos desculpa a quem quis visitar a cache e não pode. Está prometido que voltará em breve com uma grande ajuda do amigos A1000car e do GeoTagXplorer. Um bem haja a eles.
 
Agora vou-me ausentar que vou comer o bolo que me ofereceram pela vitória. Um abraço a todos.
 
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