Dado o tiro de partida para mais este passeio pela república dos corvos, a ideia com que ficamos quando vemos aquela lagarta luminosa a encolher e a esticar conforme as ruas que fomos conquistando, somos uns verdadeiros vaga-lumes, tal era a quantidade de luzes que estavam espalhadas pelo corpo com os reflectores no vestuário, os amarelos nas rodas, a luz branca à frente e a vermelha atrás.
Mesmo tendo um conjunto de desafios com nomes tentadores optámos pelo verdadeiro repto que foi pedalar e apreciar todos momentos que os geocachers faziam para ultrapassar estes desafios.
Talvez o primeiro desafio tenha sido a descida do Parque Eduardo VII, a qual foi concluída em menos de um minuto e já estávamos ao pé do Marque(z) de Pombal, que se encontrava em amena cavaqueira com o seu Leão, por incrível que pareça mantiveram-se de costas para nós, impávidos e serenos.
Cumprido este desafio surgiu-nos atravessar a rotunda, mas o que parece difícil, o Gustavo torna-o fácil, à nossa frente fez com que o nosso pelotão compacto fizesse a circunferência com os carros a pararem à nossa passagem. Perfeito!!!!
Já na porta do jornal, foi vê-los a tirar os jornais económicos, desportivos, diários e a mostrarem-nos como verdadeiros ardinas de Lisboa, pena que nenhum tenha levado o Século, um jornal do outro século.
Antes de atingirmos a Grande vista de S. Pedro, passámos à porta do Pavilhão Chinês, um dos ex-libris da cidade, mas não tivemos tempo de saborear um chá, enfiados nos sofás acolhedores, pois os desafios eram mais que muitos, assim cumprido o desafio e visto o Jardim do Torel do outro lado, pedalámos até ver o outro amarelo da carris, mas em formato ascensor, mais flashs, mais uns dedos de conversa, mais um momento de descontração.
Por incrível que parecesse com meia dúzia de pedaladas e já estávamos no Bairro Alto, com prosas pelo meio. Foi o Cauteleiro que nos chamou para anunciarmos as raspadinhas, pois ele só sabe apregoar "Olha a Grande, compre a Sorte Grande", afinal não saiu a terminação, mas saiu mais um desafio “Chatear o Camões”. Neste, parecíamos uma biblioteca itinerante, tal a quantidade de livros que foram sendo fotografados, que até os góticos pensaram estar noutro planeta. Pena não termos bebido um capilé ou uma groselha, mas a noite não estava para este tipo de bebidas.
Demos um salto como se fossemos umas molas e já estávamos ao pé dos outros dois poetas, que nos aguardam sentados para não se cansarem, mais fotos, mais figuras e mais dois desafios atingidos.
Atravessando os passeios e em sentido proibido dobrámos um par de esquinas e mais dois desafios nos esperavam o Sr da Cabeça de Livro, onde os livros voltaram a ser reis. Outros aproveitam o momento e deram um salto à Opera com gelado.
E eis que surge o outro momento da noite para nós, descer a Rua Garret em contramão e de seguida a mítica Rua do Carmo, que os UHF tão bem cantaram:
“ Rua do Carmo, rua do Carmo
Mulheres bonitas, subindo o Chiado
Mulheres alheias, presas ás montras,
Alguns aleijados em hora de ponta …”
O desafio era Santa Justa e enquanto uns iam até ao final da rua e repetiam mais uma esquina para chegar à Rua Áurea, outros mais destemidos, que tratam os degraus por tu, ultrapassaram-nos num abrir e fechar de olhos.
E como se fossemos um carrossel, mais uma corrida, mais uma viagem eis que pedalámos para a o Arco Triunfal, magnifico, a Rua Augusta era só nossa, Lisboa estava aos nossos pés, os geocachers da noite tinham-na invadido pacificamente saboreando a sua beleza, que por vezes nos escapa no dia a dia.
D. José I, no seu cavalo recebeu-nos de braços abertos, pois não havia viva alma naquela praça, uma vez que o Martinho já tinha corrido os taipais.
“Vá para fora cá dentro”, foi isso que fizemos saímos do Terreiro do Paço e entrámos na Praça do Município e quando menos esperávamos surgiu o Zé Ribeiro vestido tipicamente português, chegando ofuscar os tocadores de capa e batina com a sua guitarra portuguesa, que os Tribo do Trilho trouxeram para abrilhantar o espectáculo da noite.
Depois das fotos da praxe tiradas pelo reporter de serviço João dos Felinos, das risotas, das conversas avulsas, o horizonte apontava para a Merendeira, mas antes ainda passámos pelo celebre cacau da ribeira, desafio que foi ultrapassado quando ainda não o era.
E eis-nos chegados à casa do celebre caldo verde, a fila andava a passo de caracol e o pão com chouriço não se deixava trincar, a noite já tinha entrado pela madrugada e ainda faltava o regresso, motivo pelo qual nos fez pensar encurtar a viagem de volta.
Vimos os Bichos_do_Mato, outro team que nos esquecemos do nome, o Webxxi a prepararem a saída e oferecemo-nos para os acompanhar na derradeira etapa final, aproveitamos para convidar o meninosousa, nosso companheiro de viagem e espectador assíduo dos desafios, que ainda hesitou, mas face ao adiantado da hora e às três noites em claro, aceitou.
Despedidas rápidas ao owner deste evento e ala que se faz tarde. Viramos a esquina e o Largo de Santos à noite parece que não dorme, gente e mais gente e as nossas bicicletas nem conseguiam seguir a sua trajectória, de tal modo que a nossa máquina voadora começou a sentir a inclinação da barriga do D. Carlos quando atravessámos a sua avenida.
Chegados à assembleia tivemos que tomar uma decisão pela direita ou pela esquerda?, pela Rua da Amália ou pela Calçada da Estrela ? Votos na urna e ganha a Estrela à Amália, para mal dos nossos pecados. Cruzámos os carris do 28 e a roda pedaleira, os carretos, as mudanças, as pernas começaram a ter um papel preponderante nesta viagem e até ao Jardim da Estrela ninguém pára, o corpo todo ele aquece de cima abaixo e só paramos ao sinal vermelho satisfeitos de termos afrontado a calçada e atingido o objectivo.
E agora só faltava subir a Rua Domingos Sequeira, hoje desligada das luzes da ribalta, que o cinema Paris ali espalhou. Candeeiros apagados só as luzes dos sete resistentes iluminavam a escuridão, mais uma paragem forçada num sinal vermelho, mais uma viragem à esquerda e o Santo Condestável, também ele já tinha ido dormir.
Contámos 12 km, todos juntos tirámos algumas fotos, agradecemos uns aos outros o esforço desta parte final e desejamos um bom regresso a casa. Nunca estivemos à LASKA.
Um agradecimento a todos os que participaram nesta aventura e um especial obrigadão ao Prodrive pela organização deste magnifico evento. corvos
1105corvos20111028 para 29, da noite para a madrugada"