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Registado: quinta 25 mar 2010, 05:07
[VOTAÇÃO] Coins and Pins - Ed. Especial: Graciosa
Para além do vencedor ganhar uma fantástica Geocoin de Ed. Limitada, a melhor história terá honras de destaque na Homepage do portal e na próxima newsletter.
Primeira participação:
Tradicional Cache - Rainbow Hydrothermal VentsFTF
Aproveitando o facto de vir passar a passagem de ano à Ilha das Flores, nos Açores, não se podia perder a oportunidade de ir a locais únicos e maravilhosos aliando o geocaching a beleza que é esta Ilha. O último dia do ano ainda há pouco tinha começado para se fazer algumas caches na Ilha e após a cache Miradouro do Lajedo (Lajedo Viewpoint), naquela brilhante vista, através do Miradouro, para o Oceano Atlântico algo despertou a minha atenção... ao fundo... no meio da nublina.
- "Pai, o que é aquilo?"
- "Não sei, que estranho..."
Era longínquo... longínquo, mas uma grande fumarola de cor bem negra ascendia no soalho daquele mar... Nesse breve segundo de pura estupefacção olhei para o GPS que sempre me acompanha nestas aventuras e... "inacreditável". Ali... Ali mesmo... Parecia já ali... Uma cache... Um cavalo no meio da imensidão de água, a uns míseros 2300 metros de profundidade, no meio daquilo a que o meu pai se referia de "estranho". Meti na bússola e... o que era já ali estava a... 421 kms... 421!
Mas... o que me iria fazer não pedir para tentar... era um FTF, uma oportunidade única de fazer algo IMPOSSÍVEL, uma viragem no Geocaching Nacional, uma vitória da persistência, do incrível, do inacreditável... Talvez só o facto de isso mesmo, ser impossível... De ser dia de festa... Dia de Passagem de Ano... É certo, mas o que me prendia aquela imagem, aquele olhar, era bem mais do que qualquer oportunidade de realizar algo que jamais imaginaria ser possível. Deste momento ao... Porto das Ilhas das Flores foi um mero instante em que mil pensamentos assombravam as nossas cabeças, 3 pessoas e um maluco, eu... Mas nada me removeria daquilo... era aquilo! Só o meu pai alinhou naquela loucura... era uma loucura que também o consumia, um desejo a concretizar! Prometemos ir naquele barco e vir dentro de pouco tempo, só dar uma vista de olhos... A promessa era repudiada pelo olhar dos dois elementos femininos da família! Elas sabiam que nós iamos lá, que estávamos a caminho de 421 kms de distância... e no meio do Oceano!
Mas... partimos!
O meu pai aliou os seus conhecimentos marítimos, naquele barco (?), qual barco qual quê?! Era uma pequena embarcação, que a cada metro que navegava estava mais debilitada... estávamos reduzidos ao fracasso da ilusão de um sonho, até eu via isso! Afinal... era a própria vida que estava em risco! A partir daqui e durante as horas que se seguiram pouco tenho a dizer sobre esta aventura (!), imaginem o que foi... imaginem porque não está cá nada para vos contar... só eu, e o "velho"! Perdemos absolutamente tudo naquela viagem... menos o sonho e o momento!
A cada segundo que passava olhava para a bússola do GPS, que indicava 420,9...420,8...420,8... nada andava... Até que... Algo ainda mais inacreditável aconteceu, de repente estávamos ali, perto mas... emboscados no meio do Oceano, pelas suas marés desconsoladas! Saímos vivos, mas só nós... Sem GPS, sem telemóvel... sem nada! Eramos nós, nós e só nós... a poucos metros daquela fumarola negra. Num golpe de geocacher, avisto algo diferente e só tenho tempo de dizer: "Não acredito", atiro-me como se fosse a minha vida que ali estava, e o que supostamente estava lá em baixo flutuava, presa nos sonhos de quem nunca ninguém arriscará! Não precisávamos de nenhum submersível porque o "Sea Horse" veio ter a nós, como nos recompensando desta missão impossível.
Era o concretizar do maior desafio de qualquer vida, uma coisa inexplicável... E eu estava ali...
Abri, o logbook, que sobrevivera a 9 anos e meio de vida, limpo e são... E assinei... FTF - 31-12-2011 - xxxxxxx
Que horas eram? Não fazia ideia e por isso deixei assim! As lágrimas acompanhavam o receio... Não saíam palavras, os sentimentos tomaram conta de tudo o que se possa imaginar sem possível... e impossível, e apenas consegui dizer: "Vamos regressar?". O "velho" (como carinhosamente lhe chamo) estava fora de si, não dizia nada, estava num outro mundo, e abanou a cabeça... dizendo que sim! "Mas como?" "Não tínhamos nada..." Ao fundo, o fogo de artifício da comemoração de um novo ano, sabíamos portanto... que o log tinha sido feito no último minuto de 2011 e que... tínhamos que ir naquela direcção, para Terra!
Pelo caminho, fomos interpelados por todas as "forças" de salvamento, era o que precisávamos para sairmos vivos desta "jornada" (!), e que jornada... Ao chegarmos a Terra as palavras ficaram-nos entaladas no abraço à família, no meio das lágrimas soltei um grito (que se deve ter ouvido no Continente)... "CONSEGUIMOS!"...
In: Lágrimas e... Log de FTF...
Out: TB
(Conforme noticiado informo que estou disponível para contar pormenorizadamente este dia e... Acreditem... Acreditem sempre.)
Segunda participação:
Ainda hoje não consigo acreditar no que conquistei, a “Rainbow Hydrothermal Vents” e ainda por cima com direito a FTF!
Esta aventura começou a ganhar corpo durante um congresso de olivicultura realizado na Grécia no passado mês de Maio. Estava sossegado a tentar encontrar uma boa razão para beber aquela coisa que tinha à minha frente a que os gregos davam o nome de καφενείο, ao contrário do resto do planeta que chamam de café, quando sou interpelado por um dos oradores, o Dr. Pancatoly Kapolovitch, um dos nomes mais sonantes que intervêm mais ativamente na pasta da Agricultura e Pescas da EU.
Depois de alguma conversa da treta quebra gelo e, enquanto de forma disfarçada ia deitando num vaso aquele horrível café ao mesmo tempo que fingia dar atenção ao Dr. Coiso que tanto me custa soletrar o seu nome, ouço-o referir, não sei bem como, que necessitava de amostras de cultivares de oliveiras portuguesas para uma experiencia a levar a cabo nas profundezas do atlântico.

– Explique lá isso melhor, Dr. Pancadoly! – Pergunto.
– O objetivo é saber qual os fatores naturais que a azeitona necessita para fazer o verdadeiro azeite colhido ao luar. Para isso nada melhor que a pressão das abcissas do Atlântico conjugadas com a escuridão dos profundos oceanos apenas ligeiramente iluminados pelos faróis do submersível MIR. – Respondeu o Dr. Canpatoly.
– Eh, pá. Eu até podia participar nessa experiência. Sou olivicultor português e percebo mais de lagares de azeite do que o próprio Oliveira da Serra com o seu azeite Chinês. – Retorqui.
– Humm, realmente você reúne todas as condições para este estudo. E experiência em mergulho nas profundezas do Atlântico, têm? – Pergunto o Dr. Ratatouly.
– Ó doutor, isso não há problema. Ainda no ano passado fui procurar a cache dos Canhões dos Piratas que fica ali para os lados do Carvoeiro que acho que é no atlântico. E olhe que a água devia estar bem mais gelada que no fundo do mar. – Respondi.

No dia anterior ao mergulho, fui ao monte e recolhi as ovelhas para não estragarem as pequenas oliveiras que iriam ser plantadas no fundo do Atlântico. Depois de meter as oliveirinhas num saco do Modelo, apanho o comboio até Santa Apolónia para depois então embarcar no Navio Escola Sagres que estava atracado no Cais do Sodré e já tinha o MIR no convés prontinho a mergulhar.
A viajem até perto dos Açores não foi muito má a não ser um pequeno acidente provocado pelo choque num cachalote que nadava distraído e embateu no casco do Sagres e que por pouco mandava o MIR ao malagueiro.
Era véspera do mergulho e todas estávamos bastante tensos, especialmente eu uma vez que cabia-me a mim a enorme responsabilidade de sair do submarino para plantar as oliveiras. Mal consegui dormir mas o dia não tardou a nascer e pouco depois das oito horas já estávamos a mergulhar.

Que coisa mais linda, nunca tinha visto tanta água na minha vida e até consegui fotografar um peixe-espada que momentaneamente parou talvez com curiosidade acerca do que por ali se estaria a passar.
Chegados ao fundo do mar, meti as oliveiras num saco de serapilheira, vesti o escafandro e com um ligeiro pulo calquei solo duro. A princípio ainda custou um bocadinho aguentar aquela sensação esquisita nos ouvidos mas depois fiquei com a ideia que a cera terá estalado e comecei a sentir-me bem melhor.
Peguei na enxadinha e comecei a cavar para plantar a primeira oliveira. Cavei, cavei e a determinada altura bati numa coisa dura que fez um som como que tivesse batido numa arca de algum tesouro de piratas. O Dr. Cantrapoly que tinha ficado na MIR encostou os olhos esbugalhados ao vidro da MIR que parecia um ovo e fez-se um silêncio abissal. Larguei a enxadinha e afastei o resto da areia com as luvas grossas e qual é o meu espanto:
- Eh, porra, pá! É uma cache, homem! – Disse todo contente.
Enquanto o Dr. Cupartoly procurava no Google o que era uma cache, dou um salto de meia dúzia de centímetros e grito:
- Fiz o FTF na Rainbow Hydrothermal Vents! Sou o melhor.
Esperem até o Monho e o Prodrive verem isto, vão ficar passados. Esta é uma verdadeira cache para os Prémios GPS! Com jeitinho ainda vou ser entrevistado pelo Geopt.tv – Ganda Pinta!
Esta foi sem dúvida a cache que menos esperava encontrar, também pudera, a 400 km de distância, fonix…
PS: Não encontrei o TB, julgo que terá sido comido por algum carapau porque o contentor tinha um buraco com as dimensões da boca deste tipo de bicho.
