jasafara Escreveu:prodrive Escreveu:O regresso das caches Virtuais é a sequência natural da tendência do jogo aqui discutida:
http://www.geopt.org/index.php/board/viewtopic.php?p=235548#p235548O Geocaching está-se a tornar cada vez mais Virtual e a Groundspeak já percebeu essa tendência que parece não ser um fenómeno unicamente português.
As caches Virtuais são tendencialmente as caches mais favoritadas e este modelo selectivo de escolha de owners parece-me uma excelente forma de premiar/agradecer o trabalho dos voluntários e dos owners que melhor têm contribuído para jogo (independentemente dos critérios do algoritmo que os selecciona).
Acredito que mais tarde ou mais cedo a Groundspeak venha a alargar o grupo a todos os Premium Members, sabendo de antemão que isso será porta de entrada garantida a mais alguns milhões de dólares.
Na realidade as caches físicas estão tendencialmente a transformar-se em caches Virtuais com founds intermináveis em caches que não estão no seu lugar há muito tempo. Os revisores deixarão de ter mecanismos de verificar se as caches precisam de ser desactivadas e mesmo os owners deixarão de perceber se as caches estão mesmo lá ou não, a não ser que se desloquem fisicamente ao local e mesmo assim, nada lhe garante que alguém não a tenha mudado de sítio.
Tudo se está a tornar Virtual no Geocaching, desde as caches, aos founds e até mesmo às pessoas, com novas contas Virtuais a aparecer a cada dia.
Os Souvenires e as Lab Caches, também eles Virtuais, movem o mundo do Geocaching e arrastam multidões de pessoas.
Tal como disse há uns meses atrás, não acho necessariamente mau... nem bom... é apenas a tendência natural das pessoas e num período em que o jogo começa a entrar em declínio a GroundSpeak apenas dá aos jogadores aquilo que eles querem na tentativa de fazer estender o interesse pelo jogo durante mais alguns anos. É legítimo e a meu ver é a correcta visão empresarial do negócio.
Quem já cá anda há alguns anos há-de-se lembrar do site de sugestões que a GroundSpeak teve há alguns anos atrás, em que a sugestão mais votada e de forma distanciada era a que pedia o Regresso das Caches Virtuais.
Pessoalmente estou bastante satisfeito com a decisão e é mais um factor motivador para o jogo. Considero que a busca da cache física é um "mal-necessário" e desagrada-me passar demasiado tempo de rabo para o ar à procura de uma agulha num palheiro quando o local tem tanto mais para nos mostrar.
Além disso, evitam-se situações desagradáveis como
esta.
O Geocaching estava a tornar-se numa lixeira em que tudo é local, e esta novidade tenta inverter a um pouco a tendência e caminhar mais na direcção de que o local é tudo!
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Concordo a 100%
Para quem vai mesmo aos locais é igual e evita os DNF's (às vezes frustrantes) ou as procuras chatas e intrusivas para o meio que também dispenso bem.
Para os owners que estejam para aí virados apesar de tudo fica mais fácil validar os founds (para os batoteiros dará um bocado mais de trabalho fazer logs de sofá).
Só que fica pior é quem se move principalmente pelos containers. Mas para esses continuará a haver caches físicas que ganharão a maior parte dos prémios GPS
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Há uns tempos, quando experimentei o
Munzee, fiquei bem impressionado pelo facto de os founds apenas contarem se forem registados enquanto se está fisicamente nas imediações das munzees, porque dificulta muito a batota (embora não a impeça completamente). Mas qual é a consequência? Um jogo automatizado e competitivo, assente exclusivamente na conquista de pontos, sem qualquer hipótese de referenciar devidamente o local através de uma listing informativa que enriqueça a experiência de visitar o local.
Isto é o que faz o Geocaching incomparavelmente mais interessante. Tem uma aura romântica que assenta, em parte, na conquista do troféu que é encontrar o container, que é o traço identitário mais marcante do Geocaching. Mas é também a sua principal vulnerabilidade.
Uma cache não é um container. Uma cache é a conjugação entre o local, a listing e o recipiente. O local deve ter algum interesse em mostrar, não apenas por ser bonito, pode ser só pelo seu significado (e omito propositadamente o termo “importância”, porque o lugar pode não ter nenhuma e ser bastante interessante). A história pode ser a mera informação sobre o local, uma chamada de atenção para algo curioso, ou uma história fantasiada que cativa a nossa atenção e nos faz querer viver a experiência. A forma como isto tudo se articula é o que eu chamo de enredo, e é o elemento mais importante numa cache, porque é o enredo subjacente a cada cache que resulta numa experiência para contar.
Também gosto de containers engenhosos, embora prefira aqueles em que o engenho está mais na forma de esconder a cache (muitas vezes à vista de todos, mas sem que se dê por isso) do que no aparato tecnológico ou cenográfico (que é o que, queira-se ou não, dá votos nos prémios GPS). Mas a sobrevalorização do container leva a um de dois resultados negativos: ou um container espetacular num sítio sem interesse, mas que é o único onde ele pode estar sem correr risco de ser vandalizado; ou um container desleixado deixado ao calhas, apenas para permitir ter uma cache para o número.
Claro que isto importa pouco para quem pratica o Geocaching de arrastão, e isso é que me parece ser a principal vulnerabilidade do Geocaching, mas isso é uma outra discussão.
Acompanho o prodrive e o jasafara quando consideram que as caches virtuais valorizam mais a experiência, porque permitem usufruir melhor sem ter de andar de rabo para o ar à procura da cache. É por essa razão que gosto cada vez mais de fazer earthcaches e que tenho menos paciência para resolver enigmas, que muitas vezes se resumem a encontrar as cifras corretas. Mas isto só funciona, na minha opinião, se não se perder completamente esse elemento romântico que é o troféu no final da caçada.
Parece-me muito boa esta iniciativa da Groundspeek, sobretudo porque é equilibrada e ponderada, e porque é uma forma de premiar e diferenciar quem se dedica a criar caches de qualidade. Mas se o futuro do Geocaching for apenas isto, e se as caches virtuais se vulgarizarem, mesmo que só para membros premium, temo que venha a ser mais parecido com o Munzee.