Logs épicos


Geocaching em Portugal: Caches, Estatísticas, Eventos, etc.

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Mensagem Post: #61 a sábado 04 out 2014, 13:14 

Re: Logs épicos

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found :) Prodrive Top 50 / #2000


200810121645

PARTE I

Raixtaparta! Este deve ser o log mais difícil até hoje!

Um top das melhores caches por nós visitadas!
É claro que não é coisa que nunca nos tenha passado pela cabeça, fazer isso mesmo no lugar daquelas estúpidas milestones no profile, aliás já o tínhamos tentado algumas vezes, mas o resultado nunca era satisfatório, soava sempre a falso e faltava sempre qualquer coisa. Nunca era aquilo.
Assim foi desta vez. Os factores influentes alheios à cache em si são demasiados para se poder ser justo e isento: Ora porque aquela cache até era muito boa mas naquele dia levantámo-nos com os pés de fora, ora porque a cache era uma ganda merda mas fizemos uma festa do caraças e aquilo soube que nem ginjas.
Como é que se pode explicar isto? Fazer um "TOP" assim, ao sabor de tantas "marés"?? É praticamente impossível.

Ao longo de quase um mês decorrido sobre a nossa visita a esta cache, além de atrasar à brava os logs posteriores, tentámos várias abordagens ao tal "TOP+". Primeiro decidimos escolher as melhores a dedo e de memória, dentro do nosso modesto espólio, assim... talvez umas 10... Não: Umas 20... talvez 40... Espera! Falta aquela... 41! E aquelas... 85...
Nah! Isto assim não funciona. Vamos tentar outro método.

Resolvemos então optar pelo processo inverso: Sacámos uma lista das caches já encontradas, e começámos a excluir as menos interessantes. A princípio, talvez até meio, foi fácil, mas depois as coisas complicaram-se. Entrámos na fase de excluir caches que tinham sido uma fonte de prazer para nós nesta coisa do geocaching! Que crueldade! Para as caches e para nós, mas lá fomos "descascando" a coisa como se fosse uma cebola, não propriamente porque desatássemos a chorar quando tínhamos de excluir esta ou aquela cache, mas porque as fomos eliminando por camadas supostamente qualitativas, uma após outra, e lembramo-nos agora claramente de termos chegado às 141 (ficou-me o número) e pensado: Não conseguimos tirar mais nada daqui!... Bom... O melhor é continuar amanhã...
E assim foi. Ao fim do dia dizíamos a nós próprios: "Vamos lá tirar mais umas", assim, de cabeça fria, como quem arranca um dente sem anestesia, e a coisa tornou-se penosa e injusta, cada vez mais, até que nos últimos dias lá conseguimos tirar uma a ferros, embora tivesse havido ocasiões em que desistia ao cabo de meia-hora a olhar para a lista sem conseguir excluir nem uma.

PARTE II

Por comparação com a lista apresentada pelo owner, é mais que óbvio que apresentar uma lista de 50 caches é no mínimo excessivo, talvez até pretensioso para a nossa experiência e mobilidade no geocaching, mas infelizmente (ou talvez não), não conseguimos reduzi-la a umas 20, o que à escala seria o mais razoável.
Tentámos mas não conseguimos porque entrámos no campo de eliminar caches impossíveis de eliminar dentro dos nossos critérios.

A nossa lista não tem "primeiro" nem "último". Não tem prioridades. Está em ordem alfabética pelo nome da cache. Tentámos ser justos e isentos mas sabemos que isso é de todo impossível. Mesmo assim gostamos de pensar que o conseguimos!

Um detalhe muito curioso na selecção, foi o facto de haver caches "virtuais" que resistiram muito à eliminação. Até chegou à lista uma "locationess" (a nossa única), mas a verdade é que nos deram tanta luta e prazer a encontrá-las e aprendemos tanto com elas, que seria perfeitamente absurdo colocá-las de parte. A que chegou à lista, por exemplo, levou-nos semanas a programar e à espera do momento certo nas coordenadas exactas, em pleno Inverno, num exercício que envolveu uma quantidade de software e recursos de uma precisão no espaço e no tempo absolutamente impressionantes, ao sabor das condicionantes do calendário natural e das condições atmosféricas, até chegarmos à foto certa no momento certo. Como todas as outras caches que aqui listamos e muitas mais que não couberam, foi um momento absolutamente único que nunca mais esqueceremos, e só por isso já merece estar no nosso modesto "TOP+".

Há ainda uma infinidade de outras caches que esperamos que um dia venham a figurar no nosso "TOP+". Ocorre-nos em primeiro plano, por exemplo, a "Tou às aranhas", um mistério há muito resolvido e um local bem conhecido por duas visitas muito anteriores ao geocaching de que guardo recordações verdadeiramente mágicas, e onde gostaria muito de voltar para encontrar uma cache, que para além de já ter assumido a justa reputação de "mítica", teve ainda a excelência de conseguir transformar a minha ligeira aversão às aranhas num interesse ávido por esses fantásticos animais e tudo o que esteja com elas relacionado, com excepção do homen-aranha, claro.

Entretanto, este exercício de puro sadomasoquismo obrigou-nos a rever e exorcizar uma boa parte do nosso passado já esquecido do geocaching, e demos connosco a relembrar muito mais de 50 momentos absolutamente fantásticos, de uma pureza e genuinidade, agora já difíceis de atingir. De certa forma é uma espécie de "tónico", não para nos impelir a sair para ir procurar uma cache no terreno, porque essa "tara" bizarra e difícil de explicar não parece abalada, mas mais para o continuar a fazer o melhor possível, numa tentativa de retribuir ao owner o prazer que tirámos na busca da cache e assim fechar aquele círculo metafórico que compõe o logótipo do geocaching.com, a ligar o "waypoint" ao "grito de vitória", com os quadrados coloridos a simbolizar a imensa variedade de sabores e experiências tirados do simples facto de agarrar numas coordenadas e encontrar um logbook.

A cache em si foi fácil. O desafio foi mesmo fazer o raio da lista!
Muito obrigados por nos fazerem relembrar tanta coisa!

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et voilà!


PARTE III

GC1C435[TS7] Ponte Submersa (Seixal) by diogosantos

GCHQ8G100coordenadas [near... I hope!] by 2 Cotas

GCY0CKA C R I A N Ç A by paulowjorge

GCVWZ4A cache do Roger [Orion's Belt] by RogerOliveira (& danieloliveira)

GC26C3A Pequena Gruta [Mafra] by Pedro Regalla

GCTQRKAlcube Valley by FGV

GC16ZN1Alien Invasion by Edmi

GCH37DAlto da Memória by ppinheiro and MCA

GCW1JDAmon Hen II - O Cume da Visão by GlorfindelPT & Elektra

GC156CZBaía do Burdo [Milfontes Powertrail #4] by btrodrigues

GC16F2WBailarico das Bruxas [Negrais] by matalabichaTeam

GCHJ8RBH01 Granja dos Serrões karren field [Sintra] by Bargao_Henriques

GCTV7DBH23 Monsanto Subterrâneo [Lisboa] by Bargao_Henriques

GCVF9FBouro [Caldas da Rainha] by HDV

GC156QQBurca [Milfontes Powertrail #3] by vsergios

GCRAQACabreia Paradise (Sever do Vouga) by zoom_bee

GC88D3Castelo dos Mouros [Sintra] by Mantunes

GCNEHEDP5- Nutty Toon Cache by danieloliveira

GC164Z9E tudo o vento levou - TP65 [Montachique] by touperdido

GCNY87Elevador de Sta. Justa / Sta. Justa Lift by rifkind & rifkinda

GCYGZAEnigma by NFreitas e AnaFilipa

GC125GQFolhas e Pontes by BrunoNF

GCTEAYG Spot [Lisboa] by Lumacafi & WonderUrsa

GCVZ7CGnE II c - De liana em liana [Cascais] by Sara e Hugo Rebordão

GC14Y15GT Friends Cache [Serra do Sintra] [Lisbon] by golden-team

PARTE IV

GCRQT1Guns of Navarone [Trafaria] by SUp3rFM & Cruella

GC15NC5H5N1-Bird Epidemy/Epidemia de Aves by McPenha & Rifkindsss

GCA2D8Hanging Gardens of Babylon [Setúbal] by pcardoso

GCC349International Space Station by Klunz

GC1DG7TJAGHS [serra da lua] by almeidara

GCK8F1J-ATBASH-te Banho? [VN1000F] by 2 Cotas & Friends

GCNF9Mkit sobrevivencia-peninha by Santo

GC54DDLast Home of Gertrude [Mafra] by MikeAndCows

GC12PBCLetterbox Ti Jacinto [Alenquer] by Mtrevas Team

GCWV4BLiving Doll by SeagullKitties

GCH0Z3Loca do Gato [Loures] by clcortez

GCX69CO Naufrágio do San Pedro de Alcantara [Peniche] by manchanegra

GCV303Olari l'Olelas by afonso_loureiro

GC19AJRPalácio do Correio Mor by clcortez & vsergios

GCQDE4POR CAMINHOS ESQUECIDOS! by ToscanaTT Team

GCWPQ8Praia do Cavalo [Sintra] by Portelada

GC1D9NAQuinta dos Loridos [Bombarral] by Team Hulkman

GCPFN4Santuario do Senhor da Boa Morte [V.F.Xira] by lamas

GC180G0Sapal de Corroios [Corroios] by tmob

GC68FEStarry, Starry Night by cporth

GC1DH1AStones in my stomach - DP/EC20 by Paulo Fonseca & Daniel Oliveira

GC13KTFTelheiras - Porta do Céu by acasim & Beta

GCGGAYThe Lonely Lookout by GreenShades

GC136QETorre Velha [Margem Sul] by almeidara

GCN3EYUm poço de Mistério by #arny

Desculpem lá a seca, mas a culpa é do owner!

F I M

part1, part2, part3 e part4
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Mensagem Post: #62 a domingo 05 out 2014, 01:05 

Re: Logs épicos

Não chega aos 7.000 caracteres mas pronto...é uma boa maneira de acabar os logs épicos de 2008, com o ataque de um numeroso grupo aos alien's, antecipando a primeira morte de uma cache que antecipou a GPN.

Esta foi especial por isso peço desculpa mas sai o log em português que é-me mais fluido e posso alargar-me mais:

Tudo começou por volta das 18:00, o dia já ia longo, entre outras intervenções de menor envergadura, tínhamos convergido numa fabulosa aventura numa gruta e tínhamos acabado de apanhar um grupo de piratas do tempo com a boca na botija.
Depois de um almoço tardio o que mais apetecia era um duche e um bem merecido jantar.
Mas tal ideia foi imediatamente posta em causa quando recebemos um importante comunicado via Jaiku:

TOP SECRET: Um avião da FAP, acaba de avistar objectos estranhos a sobrevoar a Mata dos Medos

Era agora obvio que o nosso dia ainda não tinha terminado e mais se confirmou quando recebemos nova comunicação com ordens superiores:

ALERT: "Brigada Malhadora" dirija-se para a Mata dos Medos às 24h00

Adeus duche quente e noite passada a ver futebol no conforto do sofá, a nossa presença era necessária na Margem Sul e não íamos deixar ficar mal os nossos camaradas.
Acelerámos o passo para as viaturas e pusemo-nos a caminho. Entretanto a hora estimada ainda vinha longe e resolvemos fazer alguns exercícios de aquecimento nas redondezas bem como esgotar a paciência do senhor do restaurante quando apareceram 30 pessoas em vez das esperadas 16!

Com o aproximar da hora dirigimo-nos para o Ponto Zero com alguns desencontros pelo caminho, obra obvia de alguns espiões Alliens que esperavam assim semear a desordem e desentendimento no seio do nosso grupo.

Mas a força de vontade e preserverança eram fortes e quando as forças reagruparam no ponto marcado esperava-nos o Grande General SUp3rFM que iria liderar pessoalmente uma das vagas de assalto.

Rapidamente se delineou o plano de assalto. Devida à persistência dos Alliens e às condições adversas do terreno para a movimentação de grandes grupos, a Força de Assalto seria dividida em quatro grupos que efectuariam cada um a sua Vaga de Assalto para tentar exterminar de vez a Allien Invasion.

Os grupos começaram a ser definidos enquanto a Artilharia Pesada já disparava infligindo baixas pesadas nas naves alienígenas.

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foto do Fonsecada-Portucalense


Fui incluído no 1º Grupo de Assalto para o qual foram definidas duas bravas Comandantes, já experientes na luta contra os Alliens: Catarina, a Grande e AlfaCentauri seriam as responsáveis pela supervisão do grupo bem como pela manutenção da sua coesão.

Enquanto ponta da espada no ataque aos invasores, o nosso grupo foi apetrechado com a nata dos oficiais presentes e equipado com a mais avançada tecnologia ao serviço do nosso exército: os óculos espaciais da Dakidali.

Depois, na Liderança Operacional tínhamos o Comandante Fonsecada-Portucalense, apoiado pela sua cara-metade sempre alerta aos seus excessos de velocidade e pelo seu rebento fotográfico da NoWorkTeam, o diminuído fisicamente Miguel, mas nem por isso menos activo nas duras batalhas que se seguiram. Como reforço de última hora ainda foram incluídos na força os cj_fcul, que ficaram sob a ríspida batuta do Comandante Fonsecada.

No Departamento Tecnológico tínhamos obviamente a Dakidali com os seus óculos de combate, apoiada directamente pela Salamandras e pela Aplicada.

Para fechar o grupo estava eu e o meu ajudante de campo Bolachinha no Departamento de Informação e Segurança.

Assim que a artilharia pesada cessou fogo pusemo-nos em marcha, o plano era simples: Localizar e inutilizar as comunicações alienígenas e provocar o maior número possível de baixas.

Com o Departamento Operacional a funcionar a todo o vapor descobrimos a base alienígena rapidamente e depois foi uma questão de assegurar o perímetro e identificar os pontos fulcrais das transmissões extra-terrestres a eliminar...

Com a 2ª Vaga de Assalto já iniciada, coube-me a tarefa de os retardar mais um pouco de modo a conseguirmos completar a nossa 1ª missão e evitar que sobre eles caísse a vanguarda Allien em toda a sua força. Com a nossa missão completada ali partimos em direcção ao 2º objectivo.

Grande foi a resistência Allien, que defendia o perímetro com grande fúria pois sabiam que o nosso ataque tinha sido iniciado e estava bem organizado. Após feroz combate conseguimos detectar a Nave Mãe extra-terrestre e tomá-la num último e vigoroso assalto. Depois foi altura de ficar com os despojos de guerra e registar o nosso assalto vitorioso para a posterioridade.

Quando terminámos a nossa missão: Quebrar Linhas de Comunicação e Romper Defesas foi a vez da 2ª Vaga de Assalto completar a sua: Assegurar o Perímetro e Quebrar Bolsas de Resistência.

No regresso à base, perante a oportunidade de surpreender a 3ª Vaga de Assalto a meio da sua missão: Reforçar Perímetro e Estabelecer Linhas e Vias de Comunicação, o Departamento de Informações e Segurança traçou rapidamente o plano.

Uma vez reconhecido o perímetro e avaliada a nossa posição relativamente à trajectória prevista do alvo, foi tempo de passar à prática e aproveitar a escuridão para nos embrenharmos no mato e esperar pacientemente a passagem do 3º Grupo.

Por momentos ainda pensámos que o ataque surpresa iria sair gorado uma vez que os batedores do 3º Grupo começaram por escolher um trilho na direcção errada. Por sorte aperceberam-se e voltaram à trajectória correcta, passando um dos elementos a menos de 1 metro da Salamandras, por pouco não a pisava!

Depois foi esperar o sinal: Quando o grosso do grupo estivesse entre dois pinheiros previamente assinalados e…. BBBBBUUUUUUUUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Foi a confusão geral, nesse momento também chegara a uma clareira ali perto o 2º Grupo já com a missão cumprida, com um pouco mais de calma e paciência tínhamo-los surpreendido todos ao mesmo tempo.

Depois foi tempo de regressar ao ponto de partida e restabelecer as forças dispendidas.

Houve quem resolvesse ir embora, pois estava na hora, mas o 3º e 4º Grupos estavam a demorar muito. Demasiado. Resolvemos investigar. Foi imediatamente constituído um pequeno grupo de reconhecimento. Eu a Dakidali e a Catarina seguimos o trilho com as lanternas todas apagadas. Detectámos a trajectória do 4º Grupo e os sons que vinham do 3º. Depois ficámos à espera… Nada… O 4º Grupo estava à espera que o 3º completasse a sua missão. Pouco depois o 4º avançou e também apanhou um cagaço… E nós ali a assistir àquilo tudo sem sermos notados… Voltámos para trás sem mais intervenções, estava tudo controlado e a caçada acabava em beleza.

Com certeza uma das melhores caçadas em que já participei. Pelo convívio, pela paródia e pela cache, só por si um monumento ao geocaching.

Muito obrigado Edmi pela excelente cache e magnífica execução e obrigado aos cerca de 50 camaradas que estiveram presentes e fizeram desta uma noite memorável. Obrigado a todos.

Data e hora: 2 de Novembro 2008, 00:59

Out: -
In: Vários animais miniatura que não me lembro quais.

Team Geo-Cricket
MightyReek, Dep. Informação, Segurança e Superioridade Táctica

part1 e part2

O ataque foi preparado sítio onde se preparavam as coisas em 2008.
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Mensagem Post: #63 a quarta 08 out 2014, 18:40 

Re: Logs épicos

Primeiro log épico de 2007

:) t@ndre found (tradicional-) Penedos de Góis em boa companhia.

#831

Tour " #500FTomar à caça de penedos!", na excelente companhia de: Vitor Sérgio, Bruno, Clara, Costa, Fernando, JJJótas, João, Keluxes e Miguel.

A coisa não começou bem para o meu lado.. pois acordei tarde e tive de fazer uns quilómetros adicionais ao esperável, mas nada de critico quando se pretende fazer geocaching à seria :P Eram 6AM quando olho para o despertador e não consegui discernir correctamente em que fuso horário estava! Afinal de contas tinha acagado de configurar o mesmo para despertar ás 5AM, mas parece que me esqueci de activar a coisa :(.... O pânico instalou.se.. medo ... muito medo... será que vou falhar o micro-evento?? CLARO que não... por isso era 6.10AM e já estava no carro a prego a fundo (teve de ser:( )... entretanto telefonei a Kelux a informar a minha falha.. assim e de forma a não atrasar a coisa combinei ir ter a Alenquer directamente encontrar-me com a grupe do rasteirinho (AKA pegeut 407).

No caminho andava eu a uns meros 160kms, ia cumprimentando directamente um senhor da lei, que se aventurava a atravessar a A1 a pé sem qualquer colete reflector. Parece que tive sorte pois ele até acelerou o passo ;).

Chegado a Alenquer a coisa animou e bem, pois não era o último a chegar :), parece que existe por ai um bom de um geocacher que tem como marca chegar atrasado, quer seja em locais previamente combinados, quer seja a entrar para o carro, mesmo por vezes deixando a bagageira do rasteirinho aberta... dá para perceber??

Bom a coisa continuou e lá fomos ter com o resto da malta á estação de Aveiras. Tudo a meter cafeína para cerebro, para evitar surpresas pelo caminho. A cavaqueira começou quando os PMRs foram ligados.. uns falavam de pão com chouriço, enquanto outros rejubilavam com o trocadilho do chouriço e do respectivo tamanho... à de perceber estes carnívoros??? creio que não!

Depois da primeira paragem para reabastecer o nosso cache-deposito, lá partimos direitinhos para o nosso ponto alto do dia, os penedos de Gois.. e que penedos! Entretanto e tal como sugere o owner, á que fazer uma paragem nos poços de gelo para encontrar a micro da multi que se havia de fazer a seguir!

Bom e tal é só descer esta estradinha e depois subir uma pequena rampa... mas este pessoal não sabe o significado de pequeno? O rasteirinho chorava por asfalto.. enquanto o mtrevas acelerava a fundo naquela que seria a pior descida do dia.. nós lá dentro gritávamos.. deixa-nos sair que o panisgas do carro não aguenta com tanta feromona! E foi a única solução: em quase todos os buracos, os manganos (AKA 3 carnívoros e 1 ovolactovegetariano) saiam do carro para ver os gritos do liãozinho enquanto conhecia novas pedras! Quem tivesse a ver de fora, devia ser engraçado: ai e tal sai la e entra de novo e sai la e entra de novo e sai la.. eu diria um pouco repetitivo.. enquanto isso tínhamos atrás de nós um tipo feito taxista que gostava bastante de usar a buzina.. ainda hoje não percebi a sua motivação, será falta de tráfego??

Pronto a última subida! até nem foi muito problemática.. mas o tipo da buzina.. lá continuava! Bom, chegado ao estacionamento combinado, devo dizer que é preferível não levarem mais de 3 carros para o mesmo, pois para dar a volta a coisa não é fácil.. e facilmente ficariam presos lá em cima.

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Pronto e tal, agora é a pé!!! A primeira subida engana, pois consegues fazer duas paragens com banquinhos e tudo, mas o resto do percurso não é assim!! Por isso vão com calma! A primeira surpresa foi encontrada logo no fim dessa mesma subida! Não, não vimos um urso, nem mesmo um lobo, ou mesmo uma águia, apenas nos percebemos que ninguém levou imprimido as indicações do owner... todos tínhamos lido os logs, todos tínhamos estudado o percurso, mas imprimir é para panigas :X, Esqueçam esta última parte, levem tal como o owner sugere as indicações do mesmo, vão ver que fazem todo o sentido!

Pois eu acho que é para contornar pela esquerda.. olha que não é pela direita, tás doido não vês que temos de subir ao cume e descer?? Pois imaginei ou não foi assim que olhamos para todos e logo no primeiro "montinho". A coisa ia prometer :)

Bom.. Mas sem stress que o dia era para ser alegre e divertido! E lá foi o vegetariano feito batedor a tentar perceber onde afinal ficava o trilho, creio que conseguimos percorrer o mesmo para ai uns 80%, o que não é nada mau! depois de contornar o primeiro cume pela esquerda, logo se aproximou o segundo já com vista (linda por sinal) para o terceiro e último cume (AKA montes de calhaus!). Sempre pela esquerda lá fomos, feitos meninos bem comportados em fila indiana.. creio .. mas isso são capazes de serem rumores que se cantou inclusive, o apita o comboio.. mas devem ser apenas as más línguas!

Chegado ao cume do VG, subi com todas as forças ao mesmo, contente de uma missão cumprida, orgulhoso, feliz... e com cara de parvo! Á e tal, então quem procura a cache? Como?? responderem em grupo, ainda faltam 500 metros para a cache.. Dahh, pois esqueci-me de avisar que estava a guiar este pessoal todo sem GPSr, guiei-me apenas pela linha de vista. Pronto lá fui gozado por metade da comitiva, e por mim mesmo também, pois por alguma razão não me estava a lembrar do tão bem descrito mecanismo onde a cache estava!

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E pronto descemos o VG para onde apontava o GPSr, e aqui foi a primeira dificuldade, uma rampa que colocava algum tipo de perigo para quem a descesse, mas com mãos amigas tudo foi simplificado. Depois dali foi sempre a descer.. como ia à frente consegui ver uma raposa, e que beldade! É destes acontecimentos que me puxam para caches desta dificuldade, onde a intervenção mão humana é bem reduzida! Aqui na descida inventei um pouco e fui seguindo a setinha do GPSr que me apontava para me aventurar nos penhascos que ali se mostravam, e infelizmente a coisa ia correndo mal, pois um pé numa pedra falsa, fez com que essa mesmo rebolasse, penhasco fora, enquanto o pessoal lá em baixo (de lado) olhava para mim incrédulo.. sorry.. fiz asneira, assim voltei para trás e continuei o trilho como suposto!

Quando me juntei ao resto do pessoal, já tinham dado a volta ao penhasco e aproximavam-se vertiginosamente do GZ. Infelizmente o mesmo não estava conforme a descrição da página, e a cache, em vez de engenhosamente estar a pairar a uns bons metros encontrava-se à altura da cara. Mas pronto, nada que desanimasse o pessoal que em "unisom" gritou bem alto (pronto não foi assim tão alto..) “Parabéns Fernando!”, e claro que venham mais 500, e se forem deste calibre ainda bem :)

Á e tal, agora temos de logar a cache! Enquanto uns comiam o merecido mini-almoço, os outros assinavam o loogbook, com aquela cara de parvoíce que todos conhecemos, quando finalmente chegamos lá ;)

A volta.... No regresso o que custou mais foi sem dúvida a primeira parte, que é bem puxada, principalmente porque estávamos em plena 1.00PM, mas felizmente que o sol foi amigo e não apertou tanto como tão bem consegue. O caminho de volta é sempre melhor, e desta feita foi o que aconteceu, conseguimos ir até aos carros sem ter que subir qualquer dos três cumes sempre do lado (agora inverso) direito.

Chegados aos carros, decidimos ir procurar sitio para o morfes, mas sem muita sorte, pois a placa que lá se encontra a indicar parque de merendas, é algo ambígua, pois depois de uns tantos minutos a andar em estrada de terra batida.. parque nem vê-lo.. apenas a marca sonora do taxista que nos continuava a acompanhar conjuntamente com a sua buzina (AKA BTRodrigues com o seu Toyota). Acabamos por comer por ali mesmo no meio da estrada de baixo de uma boa sombra.. afinal não é propriamente o sitio que interessava, mas sim a companhia.. apesar de ouvir-se sempre como barulho de fundo uma voz a indicar “vamos a um restaurante, comer febras”! Mas um ovolactovegetariano, não se deixa convencer assim tão rapidamente :P (só mesmo quando a fome aperta mesmo!)

Depois desta cache lá fomos fazer outras também bonitas por natureza, mas não marcantes como esta! Ao owner um grande obrigado pelo conhecimento/local/e dicas!! Aos companheiros um grande obrigado por mais um dia fantástico de geocaching, que venham mais destas.. que nós estamos cá para isso!

Um grande bem-haja a todos!

TFTC
In: 2TBs
Out: 2TBs

PS: a todos peço desculpa por estar a ocupar tanto espaço aqui nos logs!

part1, part2 e part3

O geocacher que deu o nome ao tour foi mais contido.
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TB
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Mensagem Post: #64 a quarta 08 out 2014, 18:48 

Re: Logs épicos

Excelente log! Realmente são estas as mais marcantes, e acompanhadas sabem sempre bem.
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Mensagem Post: #65 a quinta 09 out 2014, 11:51 

Re: Logs épicos

Muito gosta o pessoal de sofrer...

:) prodrive found (multi-) Na Linha do Douro em boa companhia

15H15M
#2631

A aventura desta fabulástica jornada de Geocaching começou há algumas semanas atrás quando o Pedro (PMarques99) me desafiou para o acompanhar nesta grande caminhada para o seu Found #1000.

Desde a publicação da cache que ficou assente que mais cedo ou mais tarde este pequeno (para a Humanidade mas grande para o Homem ) troço da Linha do Douro teria que ser percorrido. Nunca imaginei é que se proporcionasse ser tão cedo.

Confesso que para além de ter lido os logs dos visitantes anteriores não fiz qualquer tipo de preparação para esta cache. Sabia que íamos caminhar ao longo do troço desactivado da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca D’Alva, passar umas pontes metálicas, atravessar uns túneis num total de 28 kilómetros, e pouco mais. Como ouvi num falar num tal de senhor Amadeu que nos trazia de carro no caminho de regresso ainda pensei que ele poderia aparecer de surpresa e deixar a coisa por metade .

Com algumas cedências pelo meio lá consegui autorização para estar presente nesta expedição e poder celebrar com o Zé Maria dos Global Trekkers, o Pedro e a Sílvia o Found #1000 do Team PMarques99.

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Na viagem desde Lisboa até à Pousada de Juventude de Vila Nova de Foz Côa (onde ficámos instalados na véspera) lá fui ouvindo na rádio as previsões do estado do tempo para o dia seguinte: Céu muito nublado com possibilidade de chuva e ocorrência de trovoada. Neve nas terras altas. Perfeito .

Fosse qual fosse o estado do tempo, nada nos demoveria de embarcarmos (ou melhor, encarrilarmos) nesta aventura até ao fim, e desta forma, por volta das 7.40 horas estávamos a entrar na estação do Pocinho para dar os primeiros passos desta caminhada.

Enquanto procurávamos os dados na locomotiva para obter as coordenadas do segundo ponto, questionava-me sobre a ideia de enfiar gaitinhas numa cache desta natureza, mas acreditem ou não, os momentos de recolha de dados ao longo do percurso foram muito bem recebidos e serviram como estímulo, distracção e descanso. Aliás é o momento oportuno para felicitar os owners pela forma equilibrada como as várias etapas estão montadas, com gaitinhas inequívocas e com pouca margem para espalhanços, mesmo para quem já tem o raciocínio toldado pelo cansaço.

A paisagem ao longo destes 28 kilómetros é de uma beleza ímpar, e se por um lado a ausência de sol descoloriu um pouco o cenário e o tom das fotos, por outro tornou a expedição bastante menos cansativa. A chuva ligeira foi sempre bem recebida e ajudou a refrescar. Houve um periodo em que o sol intensificou um pouco, e pedimos mesmo o regresso da chuva. As nossas preces foram atendidas . Aliás para terem uma ideia mais precisa, levei duas garrafas de 1,5 litros de água e trouxe para casa mais de 1 litro. Uma boa parte da água que bebi, nem foi para matar a sede, mas sim para aliviar o peso da mochila .

O grande adversário desta jornada foi mesmo o piso irregular e as pedras rolantes aguçadas, propensas a entorces. Felizmente, retirando uma canela esfolada numa escorregadela que dei numa altura de chuva ao passar um troço em que tivémos que trepar uns blocos de pedra que desabaram sobre a linha, não houve incidentes a registar.

Inicialmente ainda tentámos caminhar sobre as traves de madeira da linha, mas as curtas distâncias entre elas (cerca de 50 a 60 centímetros) proporcionavam uma progressão muito lenta, com passos bastante mais curtos que o normal. Volta e meia, quando as plantas dos pés já estavam muito massacradas das pedras, lá voltávamos a essa versão, baixando o ritmo, mas servindo um pouco de descanso.

Sem grandes pressas e de máquina fotográfica em punho, os kilómetros iam caíndo naturalmente sem praticamente se dar por eles. Sempre que nos aproximávamos de uma estação abandonada ou de uma casa de abrigo o entusiasmo aumentava, não só porque era um alvo apetecível da objectiva, mas também porque havia curiosidade em explorar cada recanto e em recriar no nosso imaginário a época aurea em que aquelas estações eram o cartão de visita para os viajantes que se aventuravam à descoberta da região. Incontornavelmente também o ponto de partida ou de chegada de sonhos e ambições. Durante várias décadas foram seguramente a janela de contacto com o mundo, sendo a via ferroviária a preferencial ligação com o exterior. A proximidade com a fronteira de Espanha deve ter propiciado aquelas paredes a vivência de histórias de elevada riqueza humana.

Uma das componentes mais extraordinárias desta expedição foi a banda sonora: silêncio absoluto, apenas interrompido pelo chilrear dos pássaros, as vozes de comando e de incentivo dos timoneiros das equipas inglesas de remo que treinavam no rio, que exporadicamente passavam por nós e a música do Quim Barreiros em altos berros vinda dum barco turístico que subia o Douro, tal como nós. Felizmente passou rápido .

Desde o Pocinho até Barca D’Alva não nos cruzámos com vivalma, excepção feita a uma cobra cujos pés dos meus companheiros de caminhada passaram todos a menos de 20 centímetros, o suficiente para ela se sentir incomodada e enfiar-se num buraco. Não sei que espécie era, mas no final ainda deu para ouvir o seu chocalho. Ah! E também vi uma carraça ou duas .

Contrariamente a quase todas as outras caches e apesar da celebração que isso provocou, o acto de encontrar o container não se revestiu do entusiasmo habitual. Foi um mero acto simbólico para autenticar a nossa expedição. O prémio não foi encontrar o container que basicamente foi o impulsionador da caminhada (até porque ainda tínhamos muitos kilómetros para percorrer até ao Barca D’Alva), mas sim a vivência que ele nos proporcionou: talvez uma das jornadas mais marcantes desde que praticamos Geocaching.

De qualquer forma não deixou de ser uma imagem memorável uma garrafa de champanhe a saír surpreendentemente da mochila do Pedro e ouvir o pop da rolha a saltar, bem como fazer um brinde naquele cenário idílico com o Douro aos nossos pés e as vinhas em socalcos como pano de fundo. Parabéns ao Team PMarques99 pela marca alcançada e esperamos reencontrar-nos no Found #2000 para resgatar a rolha que virou TB, esteja ela, onde estiver!

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a única foto em que aparecem os quatro :)


Para a posteridade vão ficar as imagens da magnífica paisagem e as experiências nela vividas, as estações abandonadas, as pontes que resistiram estoicamente ao tremor de terra provocado pelo Pedro a cada passagem (embora a última já tenha sido quase sem mãos ), os túneis, os momentos de convívio, as histórias partilhadas, enfim o palmilhar de cada um dos 28 kilómetros. É uma experiência enriquecedora que merece ser vivida.

Chegar a Barca D’Alva exactamente 10 horas depois da partida e regressar à “civilização” foi um momento de enorme satisfação e de regozijo, causando uma instintiva felicitação entre os companheiros de caminhada pelo cumprimento da missão. Assim do nada, Barca D’Alva passou a ter 136 habitantes .

Resta-me agradecer aos companheiros de expedição pelo companheirismo ao longo de toda a jornada, dar os parabéns aos novos milenários pela proeza, saúdar a Sílvia pelo atrevimento e pela coragem de se aventurar numa caminhada com este nível de exigência, e finalmente congratular o Manuel Antunes e o Cláudio Cortez pela cache e pelo desafio proporcinado. Priceless! TFTC. TNLN.

Team Prodrive

PS - Mais do que 1000 palavras ficam as imagens

part1, part2 e part3

E como ele diz a acabar o log, não deixem de ver a muito generosa galeria de fotos associada.

O celebrante da milestone também fez um log muito compostinho part1 e part2.
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Mensagem Post: #66 a quinta 09 out 2014, 13:24 

Re: Logs épicos

Sofrer com uma garrafa de champanhe entre enormes amigos não nem nada de penoso :)
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Mensagem Post: #67 a sexta 10 out 2014, 11:29 

Re: Logs épicos

E voltemos à Linha desta vez em versão completa

:) john_the_oak found (multi-) Na Linha do Douro e (multi-) La Ruta de Los Túneles - Barca d'Alva

#484

(parte I)

Cache integrada na operação "Encaixilhei os meus pés" na excelente companhia de Sérgio e Filipa "SMF Team", Pedro "natos", André "KinderPT", André "decas", Carina "csmaru" e os muggles Gabriel, Miguel e Rui

e assim se cumpriu, em dois dias, um sonho com mais de meio ano de existência.... Muita coisa se pode dizer e este log será uma tentativa disso mesmo

Corria o mês de Junho de 2008, ainda eu andava a tentar descobrir as caches na minha cidade Invicta, nem "material" em condições tinha de jeito quando num aniversário de uma amiga minha, reparo que o irmão dela é geocacher Até ai, qualquer um que eu conhecesse, obviamente que tinha mais experiência que eu e lá me foi contando as histórias que passou e as vivências que desejava realizar. Mas houve um aspecto que chamou mais atenção quando ele falou sobre a cache da Linha do Douro e da Rota dos Túneis, esta já em Espanha... Notou-se pela expressão dele que estas duas seriam desafios, GRANDES desafios.... O tempo foi passando, caches aqui e aculá e lá fui conhecendo outros geocachers... Sempre que a conversa falava de de aventura, lá surgiu novamente estas duas caches à tona da conversa... Foi ai que começei a "investigar" o caso De facto, à primeira vista e atráves dos logs feitos, isto seria um dos maiores desafios a realizar, enquanto geocacher e enquanto "pessoa desejosa de conhecer o mundo que me rodeia". Ouço a experiência realizada por um geocacher cá da Invicta em primeira mão e começo a pensar em reservar um ou outro dia para realizar este sonho...

O ano de 2008 vai passando e outras caches já com algum desafio vão sendo encontradas e eu vou-me divertindo com isso... Chega a Novembro de 2008... e com ele, devido a questões profissionais, reparo que em 2009, vai haver 2 feriados seguidos em Junho. É ai que me lembro destes dois desafios... Tirar essa semana de férias seria o ideal Começo a preparar-me psicológicamente sobre o assunto, a sondar por alto outros geocachers que já fizeram e começo a criar um "teaser" sobre a minha viagem Lanço o primeiro "repto" de confirmação em Janeiro e ai começa a surgir as primeiras respostas, em forma de convites para se juntarem a aventura A partir dai começasse a formar o grupo de "conquista", juntamente com convidar de familiares e amigos, uns geocachers, outros não.

O tempo vai passando e já tenho 5 pessoas confirmadas, so far, so good e deixo de pensar no assunto pois ainda falta meio ano.... A 2 de Maio, durante uma conversa, heis que se juntam mais 2 camaradas de aventuras e companheirismo Desta forma, houve possibilidade de convidar mais uns amigos (geocachers ou não) para juntos, criarmos um "grupo final" para dia 12 de Junho

(parte II)

A partir dai, começo a estudar a viagem, a nivel logístico... Grande trabalheira mas mais importante que isso num grupo de 10 pessoas não existe. Nada podia falhar e se falha-se, também existiam planos B's Tratar do numero de carros, o percuro, os táxis (que não foi preciso), o número de quartos a reservar (só um), as refeiçoes, etc.

No inicio de Junho, o grupo chega-se a juntar para rematar os últimos pormenores, num Geocimbalino, troca de ideias, sugestões e a partir daqui, ESTÁ TUDOS A POSTOS! Surgem uma ou outra desistência até lá mas rapidamente se juntam outros camaradas para a aventura

Dia 11...
Paira um nervosinho no ar em mim mesmo... Depois de muito tempo à espera e do trabalho que foi necessário, finalmente vamos ser postos à prova Somos 10, grupo unido, gente séria quando é preciso e brincalhona quando se pode, estava tudo a postos
Reunimo-nos no McDonnalds de Ermesinde, para depois seguir pela A4 fora... Decidimos ir um dia antes para dormir no Pocinho para depois no dia a seguir, irmos mais relaxados fazer a caminhada... Foi das melhores coisas que podiamos ter decidido O grupo junta-se e até chego a encontrar um no meio do grupo que o conhecia de algum lado... mais tarde, na viagem, chegamos a conclusão que estudamos na mesma escola secundária lol "ah! tu eras o da scooter preta... eu era o da vermelha" "e quem não se lembra do Chico?" lol boa cena! Um Ponto de Encontro sobre rodas, fantástico e a viagem prometia Nunca um carro se tornou numa tertúlia "móvel" de conversa, já tinha saudades de uma viagem assim, desde dos meus tempos da faculdade, em Portalegre A viagem faz-se nas calmas, não havia necessidade de "correrias"

Chegados ao Pocinho, já as 22:30, o local estava deserto (alias, esteve sempre desde que lá estivemos lol). Paramos na estação do comboio mas estavamos meio desnorteados tipo: "onde vamos ficar mesmo?" Ao chegar à estação, reparou-se que havia lá perto um bom local para "montar a tenda" E assim foi, montamos a tenda em N 41° 07.896 W 007° 07.247 Depois disso, fomos deixar um carro em Barca d'Alva para não estarmos dependentes de táxis e os seus "balúrdios" que cobram... e lá passamos a noite, uns ao relento que dormiam que nem pedras, outros que faziam de "sentinelas" à porta de tendas e pelos vistos, ainda levou com uma "snifadela" de um cão lol

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(parte III)

Dia 12...
são 6:00, meia hora antes da hora combinada para acordar e já se ouvia o decas a altos berros "ALVORADAAAAAAA"! lol Estava complicado dormir ali.... para uma aldeia deserta, aquele local é bastante movimentado... as lombas da estrada criavam um TUM TUM TUTUTUTUM bastante chato durante a noite... Lá começamos a montar as tendas e a por tudo o que não era preciso na caminhada, no carro que ia ficar no Pocinho para depois, quando chegarmos a Barca d'Alva o irmos buscar Foi das melhores ideias que poderiamos ter tido.... Pequeno almoço tomado no café acabado de abrir e lá começa a nossa caminhada, às 7:30 da manha
A hora de partida foi a ideal, o sol ainda a nascer, pouco calor e isso notou-se na velocidade que iamos, foi da maneira que iamos "galgando" terreno à fresca O sol ia nascendo e nós sempre na passada... Passamos a primeira ponte e um alivio passa-la e um teste para outros por causa das vertigens ehhe Mais à frente, paramos para descobrir a cache de Alpechim, uma pequena pausa e lá prosseguimos... A paisagem era sempre a mesma... As pedras já começavam a fazer-se sentir.... Passa um barco com turistas que lá acenamos, mal eles sabem o que perdem, aquilo de barco deve ser um tédio... Muitas paragens a meio para "refrescar". O cançasso já começava a ficar evidente.... O calor era alto mas nós eramos fortes A cada ponto desta multi-cache que encontramos, era sinal de uma "pequena" pausa...

Mais kilometros e a cada estação ou apeadeiro... uma pausa....
Ao chegar à estação de Almendra, estavamos mesmo a precisar de descanço... muito calor, pouca àgua... o ponto de àgua referenciado estava seco mas felizmente que quem vinha atrás, foi espreitar "mais à frente" e lá descobriu a bela da fonte!! AHHHH agua fresquinha Depois disso foi ganhar coragem e força e lá fomos encontrar a cache Estava um bocado afastada mas felizmente que há malta atenta

Objectivo cumprido, lá continuamos.... muita pausa, os pés a pedirem reforma...

Quando lá se avistou a ponte de Barca D'Alva..... VRUUMMM! metade do grupo ligou o turbo e só os vi na Vila lolol

O aproximar da vila foi um desespero de cansaço, até atravessamos galinheiros e a estação que não aparecia... Até que lá aparece a "porta de saida" e pufff! chegamos!!! argh! uma fonte ali ao lado!

QUE VALENTE ESTAFADELA!!!! estavamos mortos..... pareciamos refugiados acabados de chegar e o povo da vila que já estava habituado Abancamos na esplanada do Bago D'Ouro e Colas (e uma 7-up) para todos, hurray!!!!!! 1ª parte cumprida Metade do grupo foi buscar o carro ao Pocinho, outros 2 dormiam em cima da mesa da esplanada lolol

Depois disso, foi tomar banho, sim porque abriram os balneários só para nós e se tivessmos avisado mais cedo, até tinhamos uma escola primária só para nós O povo de Barca D'Alva são a generosidade em pessoa... já não se fazem pessoas assim..... Depois disso, jantar um belo bife no Bago D'Ouro, planear a viagem para amanha e cama!!!!

Conclusão: é um grande desafio sem dúvida, consegue por à prova a resistência e a capacidade de resistência de todos mas só por isso, porque a vista é sempre a mesma... Sou mais de montanha e o Gerês é o meu "parque de diversões" mas esta conseguiu ser um desafio à altura. Valeu pelo desafio, nada mais

Obviamente que vai levar uma "martelada" como prova que foi um grande desafio e recomendo, principalmente se levarem um excelente grupo Valeu! e obrigado à dupla de geocachers que decidiram criar este desafio, parabéns!

In: TB
Out: GC

1abraço e um bem haja a todos!
João

part1, part2 e part3

#485

(parte I)

Cache integrada na operação "Encaixilhei os meus pés" na excelente companhia de Sérgio e Filipa "SMF Team", Pedro "natos", André "KinderPT", André "decas", Carina "csmaru" e os muggles Gabriel, Miguel e Rui

Barca d'Alva, são 6:00 e aqui o "esperto" acorda uma hora mais cedo que o previsto, isto porque, o PDA decidiu adiantar uma hora à hora portuguesa.... bem que estranhei ainda não ouvir o decas aos berros com o seu "ALVORADAAAA" mas acho que os pés dele não deixavam eheh Ok, foi da maneira que me arranjei com calma, apreciei o nascer do sol, vi uns pescadores a chegarem numa traineira, outro a preparar o estaminé com canas e iscos, tudo calmo por aqueles lados Desta vez montamos as tendas em N 41° 01.671 W 006° 56.364 e tivemos, pela noite a dentro, a sinfonia de sapos que se fartaram de coachar "all night long" eheh

Lá nos sentamos no pátio onde outros adormeceram no dia anterior, depois de umas colas e de 28km de caminhada eheh, à espera dos camaradas que foram para o quarto do Bago D'Ouro O cansaço era evidente na cara de todos, ainda custava falar eheh Chegado então o condutor que faltava, lá fomos deixar um dos carros à estação de La Frageneda (N 40° 59.345 W 006° 50.240), deixá-lo lá à noite seria arriscado, não se passa nada naquela estação a nivel de movimento e fica isolada... E lá fomos novamente, aos pares e em 2 carros, um deles o seguro não existia em Espanha, por isso, nada de aventuras Começa a viagem e algures, começo a achar estranho estar a ficar muito longo... Depois não me lembro de ver barragens quando estudei o trajecto no GE para La Frageneda... Algo de errado se passa... Depois passamos pelo interior da aldeia Hinojosa del Duero... isto por um percurso dado por um mapa NavTech... ok definitivamente viemos por outro sitio e bem mais longo... lá encontramos a saida para a estação a meio da via rápida e estacionamos. à vinda de regresso a Barca D'Alva, surge um duelo TeleAtlas VS NavTech, toca a ligar o TomTom e aqui sim, está dado o percurso que tinha planeado, uns saudaveis 11km, ahhhhh agora sim O quê que aconteceu: simplesmente o NavTech não tinha sinalizado a ponte rodoviária que une Barca D'Alva a Espanha

Ok, comitiva reunida em Barca D'Alva e lá estava Miguel Speedo (o homem que entra de Speedo's e chinelos no Bago D'Ouro para jantar, na noite anterior, momento alto da noite! lol) já a dormir numa cadeira, aquele homem se para, entra logo em modo Suspender lol Pequeno-almoço tomado e siga novamente para a linha Coordenada inicial actualizada e lá prosseguimos pela linha fora, aquilo mais parecia uma auto-estrada, em comparação com a do dia anterior... os meus pés estavam a gostar daquele inicio Passamos o tunel 20, sempre a bom ritmo mas desta vez paramos em menor curto espaço, praticamente em todos os tunéis paravamos, depois da porrada do dia anterior, é normal, tirando prai 5 túneis é que seguiamos sempre Tunel aqui e aculá, começamos a cruzar as primeiras pontes "altas", um desafio para muitos mas que conseguiram passar o medo das alturas sem problemas, parabéns malta!

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(parte II)

O terreno começava a ficar novamente agreste e o calor começava a apertar... a passada era feita nas traves dos carris, em melhores condições... E lá começa a surgir as pontes bem altas e eu a gostar da situação! Só o facto de haver a variedade tuneis-pontes e com uma paisagem que variava ligeiramente em nosso redor, tornava esta cache um prazer realiza-la Mais a frente surge a ponte mais "assustadora", a que "faz a curva", diz o pessoal (N 40° 57.752 W006° 52.257) ehhe Quem foi pelo lado direito, teve a complicada tarefa de ter de esticar a perna para alcançar a continuação do caminho, pois para a ponte fazer a curva, ela foi construida em 3segmentos separados, o que queria um "fosso" de 50cm entre os 3segmentos, o Rui ainda pensou que não conseguia ("Tás a gozar..." dizia ele ehehe) bastou esticar mais um bocado a perna e voilá! No final da ponte, cruzamo-nos com 3 àguias a voar a ver o que andavamos a fazer (ou eram abutres à espera que um de nós caisse? ehehe)

Mais túneis e mais pontes, lá iamos descançando a cada tunel que encontravamos... lá iamos encontrando as várias étapas desta multicache (se bem que o último waypoint antes da final estava complicado dar com ela, tivemos de recorrer ao spoiler men...) e lá fomos para o local da cache (Ainda houve quem dissesse que passamos pela cache a 1km atrás e que só reparou naquele momento pois tinha ficado sem pilhas... tu és rato! lolol)

(parte III)

E lá fomos subir o monte, enquanto uns passavam a ponte e paravam à entrada do túnel, outros subiam o monte à procura do caixote e o Gabriel à procura do melhor spot para fotografar a foto mais conhecida desta viagem Estava complicado encontrar a dita cuja, se bem que eu acho que ligamos o complicómetro quando foi para a encontrar eheh (ai este cansaço...) Logbook assinado, missão cumprida e um sorriso rasgado de satisfação, lá fomos fazer companhia ao resto da malta que nos esperava à entrada do túnel

Começo a atravessar a ponte e vejo malta "estranha" a vir em sentido contrário e passar pelas vigas do meio da ponte.... what the hell? eram caminhantes que partiram em sentido contrário e iam fazer o mesmo percurso Segundo disse quem ficou à espera no túnel, um dos membros dessa comitiva disse que o pior estava para vir, ai os morcegos..... "Oh minha senhora... valha-me deus..... vá até ao Pocinho e venha, a pé, que acha logo os morcegos uma brincadeira de crianças..." Foto do grupo tirada e lá seguimos viagem.... Agreste foi o último troço entre o túnel da cache e o túnel de 1km e 600m........ o Sol ali a bater.... arrrrrgh! Caminha, caminha, caminha.... até que lá surge o último túnel, o nº 1!!! e a luz lá ao fundo.... ainda paramos na entrada para esticar as pernas mas a vontade de chegar era enorme! força nas canetas que estamos a chegar!! Nunca um túnel tinha custado a passar ehehe é que se ao menos "desligassem" a luz do fundo lolol quase a chegar à saida, mais um grupo de caminhantes em sentido contrário, fizeram bem em terem partido aquela hora pois já começava a surgir nuvens no céu e o Sol já não estava tão alto

Chegados então à saida, foi um verdadeiro "sprint" final até à estação!

CHEGAMOOOOOS! ajoeilhei-me, beijei o chão como forma de agredecimento lol Enquanto metade do grupo meteu-se no carro para ir buscar o outro carro a Barca D'Alva, eu, KinderPT e Gabriel fomos nos deitar para a entrada da estação, pareciamos uns "cristos"...... Pairava no ar uma sensação de canssaço com satisfação pessoal, de ter cumprido um sonho, um objectivo... é uma sensação estranha....

Lá vei o resto da comitiva com o 2º carro e mais uma vez... Coca-cola fresquinha para todos!!! ahhhhh que soube que nem ginja! lolol Lá se meteu a tralha nos carros, foto do grupo e fomos para Barca D’Alva entregar a garrafa de 7Up lol e seguimos viagem, cansados, satisfeitos..... satisfeitos por ter corrido tudo conforme planeado e por ter cumprido objectivos de longa e ansia data

Em suma: era cache que voltava a percorrer sem dúvida, mas não tão cedo. Superou bastante a do dia anterior, a variação Tunel/Ponte criou uma ambiência espectacular e a vista era muito mais ampla Ainda hoje me ponho a lembrar do que fiz ontem e sinto orgulho no feito da conquista, o orgulho elevou-se

Vai levar uma "martelada" como forma de agredecimento pela aventura, pelo desafio, pela mostra de companharismo entre os membros presentes.... foram 2dias e meio que não esqueço e ficará na memória quando estiver com os presentes desta aventura Um dia que esteja com os owners, agradeco-lhes pessoalmente

1abraço / beijos a todos que estiveram presentes, boa sorte para os próximos e um bem haja aos restantes!
João

part1, part2 e part3
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Mensagem Post: #68 a domingo 12 out 2014, 23:13 

Re: Logs épicos

O sphinx já o destacou mas sem dúvida que é épico :)

[:-(] pcardoso not found (multi-) iNtO tHe WiLd, log feito a partir da Tanzânia à procura de aranhas.

Parte 1/5 - Prologo

É à recriacao, se nao da aventura, pelo menos de parte das sensacoes vividas por Chris McCandless relatadas em “Into the Wild”, que nos convida esta cache. Foi com este espirito que, poucas semanas antes do desafio, comecei a planear a caminhada. Dado o objectivo, nao escolhi a via mais facil. Resolvi viver esta aventura da melhor forma que sabia. Em varios dias de autonomia e sozinho. Nao que nao a conseguisse fazer em maior conforto ou nao goste de companhia. Mas a ideia era mesmo tentar o mais possivel ir “into the wild”.
Comecei em contactos varios para determinar as melhores opcoes para maximizar 3 dias que tinha de “folga” da familia. Foi assim que depois de mails trocados com mantunes, jasafara e acima de tudo o Sergio dos Sphinx_n_Sophie tinha um plano delineado. Fazer a travessia Seia-Vale do Rossim em 3 dias de autonomia solitaria, fazendo esta cache, o PT Estrela, os 3 cantaros e seguindo finalmente para Rossim passando pela Nave da Mestra.
Ia preparado. Para dormir em qualquer local, saco-cama e saco de bivaque. Para beber agua, filtro/bomba manual. Para comer, cerelac para o pequeno-almoco, cliff bars para o almoco e massas para o jantar. Para reconfortar, cha e musica no telemovel. Para fotografia e video, uma reflex e uma gopro.
Parte 2/5 - Dia 1 – 18/7/2014

Chega o grande dia. Deixo o meu puto (nickname Spid3rling) de 3 anos com a mae em casa da familia materna, Casegas, Fundao. Bem que ele queria ir, tendo ja feito caminhadas de ate 4 kms a pe em terreno acidentado (bem bom para a idade, digo eu). Mas desta vez iam ser 60 kms. Daqui a uns 3 anos virá ;) Sigo para Seia por estrada de montanha a ouvir a que viria a ser a banda sonora destas ferias, “Weather Systems”, album de 2012 dos Anathema, uma das minhas bandas de eleicao. Mal sabia eu que os weather systems me iriam atraicoar na caminhada...
Carro estacionado em Seia, perto do ponto inicial da cache. Rapidamente comeco a rotina de fazer contas a cada nova paragem, faceis mas levando-nos sempre a locais que valem por si so. De inicio estrada e estradao em alternancia. Rapidamente ganho terreno, o tempo esta excelente, ceu encoberto para evitar o sol, mas sem haver indicios de chuva eminente (mas ja prevista para o dia seguinte). Pelo caminho, aproveito para fazer umas caches extra, distribuidas ao longo da levada que levar-me-ia aos Cornos do Diabo. Facil mas muito interessante, quem diria que uma levada desta dimensao estivesse plantada em plena Serra da Estrela.
Ja perto dos Cornos do Diabo passo por um grupo de caminhantes, sao 15 ou 20, a percorrer o PR que aqui passa. Penso que tenho de vir um dia com o Diogo. Mas foi aqui que comecaram os precalcos. Tiro fotos aos Cornos, faco uns videos dentro de agua e entusiasmado a seguir o percurso marcado no GPS sigo por ali acima ate a cache do Sumo da Canica. So depois de a encontrar me dou conta que ja passei pelo ponto intermedio da “Into the Wild” onde devia ter feito mais contas! Nao tenho opcao se nao voltar um par de quilometros para tras a amaldicoar a minha falta de atencao.
La volto para tras, faco as contas e meto as novas coordenadas no GPS a pensar “nao posso fazer mais nenhuma burrada destas”. Infelizmente e comum, quando ando abstraio-me tanto que podia passar por 34 caches sem dar por elas. Quando estou para voltar de novo pelo mesmo caminho ouco uma voz la de cima do monte “E PARA TRAS!”. A guia do grupo com que me cruzei pensou que estava perdido (justamente) e tentava alertar-me que o PR pasava uns 100 ou 200m atras. Tentei dizer que nao estava perdido mas sem sucesso, de forma dada a insistencia acabei por segui o PR. E a boa hora o fiz, foi realmente mais simples.
Avancei rapidamente, mas logo um pouco a frente do Sumo da Canica deparo-me com vegetacao cada vez mais densa. Ate que chego ao ponto em que tinha uma barreira aparentemente intransponivel de silvas e urze. O caminho no GPS seguia sem duvida por ali, mas como furar? E por quanto tempo teria de o fazer? Uns poucos metros ou algumas centenas? Tento encontrar uma zona mais acessivel, ando para cima e para baixo durante uma hora, ate que me sento a repensar a situacao. Sera melhor voltar para tras e seguir a outra margem? Ou tento passar e logo se ve quanto tempo levo? Olho para as pernas. Os calcoes nao protegeram de tanta investida, tenho as pernas inchadas com alergias (tipico). Alem dos inevitaveis arranhoes. Para ajudar a festa, um cao da serra ladra na outra margem do ribeiro, sensivelmente a mesma cota, num estradao. Se voltar atras provavelmente tenho de tentar por ali, nao sera boa ideia, nao vejo rebanho nenhum mas melhor nao arriscar. Decido, vou almocar e depois tento passar a direito, logo se ve se consigo.

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O meu momento McCandless
Ele tinha um autocarro, eu uma torre abandonada...


Parte 3/5 - Dia 1 – 18/7/2014

Energias parcialmente recuperadas, vou tentar nova investida, no ponto exacto onde passa o track do GPS. Tenho de rastejar e arrastar uma mochilona de 30l atras de mim, mas ao fim de umas dezenas de metros consigo ver a saida daquele inferno verde! Finalmente! Agora sim, parece ser tudo muito mais facil. Sigo em passo acelerado por caminhos que nao existem mas sao faceis de percorrer e o cao nao para de ladrar na outra margem, a seguir-me a distancia. Ate que mais umas centenas de metros e percebo. Esta um rebanho de cabras em cima da ponte que supostamente teria de atravessar. E o cao mais um amigo rafeiro ja la estao a espera. Comeco a pensar que este nao e o meu dia de sorte.
Sigo por uma cota 30/40 metros acima do ribeiro, com os caes a seguirem-me la em baixo. Impossivel descer. Subo mais um pouco ate deixar de os ver, sigo em frente, e quando acho que e seguro, desco para um caminho. Nao tinha grandes opcoes, a vertente comecava a ser escarpada. Ma opcao, logo o Serra vem atras de mim. Acelero o passo sem olhar para ele, pode ser que perceba que nao estou interessado nas cabras, mas ele esta 2 ou 3 metros atras. Vejo o caso mal parado, ja ponho os batons para tras nao va ele investir. Nao desiste e o caminho acabou. Nao tenho outra opcao, desco por uma vertente algo inclinada para o meio de mais silvas. So assim ele desistiu, mas nao tive outra opcao que nao fazer mais umas dezenas de metros a arranhar-me, menos agora que ja tinha mudado para calcas. Chego ao ribeiro e respiro de alivio...
Subo o ribeiro enquanto posso, leva pouca agua. Depois, subo ate o maldito estradao na outra margem, esse mesmo que me escapava ha ja algumas horas. Sao umas 4 da tarde e ainda tenho muito que caminhar ate o primeiro ponto onde admitia dormir, na Lagoa Comprida, onde o Sergio me tinha dito haver uma antigo posto de transformacao de electricidade. Pelo menos teria um tecto para me proteger da chuva que por esta altura ja ameacava. Sigo rapidamente, mas ja esgotei a reserva de 2 litros de agua. Paro no ribeiro, saco do filtro e bombeio litros de agua que me souberam como se nao bebesse ha 2 dias. Rapidamente chego a mais um ponto da multicache.
Ja eram 5 da tarde, considero passar ali a noite. O cansaco e desanimo sao bastantes tendo em vista a aparentemente infindavel subida para a Lagoa Comprida que tinha pela frente. Chego a escolher um local para dormir, mas comeco a pensar na chuva que ai vem, parecia certa. Tenho de avancar. No principio apareceram mais urzes, mas que caminho... Felizmente duram pouco e o terreno passa a ser muito mais pedregoso. A subir em terreno livre estou no meu elemento e muito mais depressa do que pensava estou no topo. Olho para tras, uma aberta nas nuvens deixa entrar o sol, agora muito baixo, mesmo por cima de Seia. A luz estava espectacular, tiro fotos e pela segunda vez descubro um possivel local para pernoitar, com uma vista brutal sobre o vale.
Infelizmente, foi sol de pouca dura, literalmente. As nuvens avancando na minha direccao rapidamente cobriram o vale, todos os elementos diziam-me que apesar das adversidades tinha de continuar. Avancei rapidamente, agora em plano, com as nuvens a seguir-me umas centenas de metros atras. Passo a estrada e sigo pela margem da Lagoa Comprida em caminho sempre facil. Ainda passo por mais um ponto da multi e verifico se um refugio de montanha aparentemente abandonado esta aberto. Mais uma vez sem sorte, sigo para o tal posto de transformacao.
Parece bastante aconchegante, pelo menos protege da chuva. Limpo o abrigo, tiro umas fotos, ate as nuvens finalmente me apanharem. Tento ligar para a familia sem sucesso. Nao ha problema, ja estao habituados aos meus “desaparecimentos” deste universo permanentemente ligado por 2Gs, 3Gs, 4Gs e sei la mais que Gs. Faco o jantar, massa quente seguida de um canecao de cha. Mais animado, coberto por nuvens e vento forte mas sem chuva, deito-me por volta das 21h a ouvir “Weather Systems”.

Parte 4/5 - Dia 2 – 19/7/2014

Acordo cedo, eram 6, depois de uma noite relativamente bem passada. Nao chove, nao parece ter chovido, mas o nevoeiro e vento continuam. Faco a bela da cerelac, nao sem antes ter ido a lagoa filtrar mais agua que entretanto tinha “desaparecido”. Quando estou para partir, comeca a chover. Que faco? As previsoes apontavam para chuva a comecar de manha com trovoada a juntar-se a festa a tarde. Comeco a caminhar ainda sem ter tomado uma decisao, continuo o caminho ou volto para tras e tento acabar outro dia? No ponto em que tinha de decidir para um lado ou outro, a chuva torna-se tempestade com granizo.
A decisao esta tomada, nao posso arriscar ver-me no planalto com tempestade e possivel trovoada, seria um para-raios humano. Sigo para o cafe da Lagoa Comprida onde procuro abrigo. A chuva esta para ficar. Uma prova de ciclismo pretendia subir a torre, mas soube mais tarde que tinha sido mesmo cancelada umas horas depois da partida, ja com os ciclistas a subir. Nao tenho outro remedio, chamo um taxi, volto para Seia, vou domir numa cama essa noite.

Dia 3 – 20/7/2014
No dia seguinte o sol parece querer voltar, as previsoes sao excelentes. Desta vez mais leve, ja sem equipamento para dormida. Era o ultimo dia “livre” que tinha, nao ia dar para cumprir o percurso. Quando chego a torre chove forte. Espero um pouco, as previsoes apontam para sol, nao deve demorar. As 10h decido avancar ainda com chuva. Desta vez a ideia era fazer o PT e a meio caminho continuar “Into the Wild”. Ao fim de uma hora a chuva para, o sol vai espreitando timido, a paisagem “tapa e destapa”, criando efeitos que me levam a deixar a maquina fotografica permanentemente a postos. Tudo corre pelo melhor desta vez.
Na cascata decido que esta tudo a ser facil demais. Vou tentar descer directo para o Covao Cimeiro. Mais avanco, menos recuo, mais salto, menos risco, consigo chegar nao sem esforco e alguma adrenalina. Ainda penso seguir para baixo, fazer as caches do Vale de Loriga, mas rapidamente desisto. Nao teria tempo para acabar o meu objectivo se juntasse mais este desvio. Foi assim que subi e rapidamente chego ao ponto seguinte da multi, tendo entretanto completado a maioria do PT.
O resto da caminhada correu sem incidentes, ja bastavam. Alguns locais espectaculares, uma manada de vacas num covao encaixado na serra, a animacao ja era tanta que cheguei a fazer alguns quilometros a correr, muitas vezes saltando de pedra em pedra. Completei o PT e acima de tudo 40 kms “Into the Wild”!
Mas no ponto final, aquilo que poderia ser o anti-climax. Subi, desci, sentei, levantei, li dicas e relatos, nao encontrei. Eram ja 19h, tinha de voltar “derrotado”. Derrotado? Nem pensar, para minha surpresa, nao encontrar a cache nao me trouxe qualquer tipo de amargura na boca ou sentimento de dever nao cumprido. A determinado ponto acho que desejei nao a encontrar. No momento em que escrevo este relato, 2 meses depois, ja nem faco a minima idea de onde coloquei o codigo necessario para completar a cache. Sinceramente, nao o vou procurar. Afinal de contas, ja estive “In the Wild”...

Parte 5/5 - Epilogo – 05/10/2014

Escrevo o meu relato desta cache mais de 2 meses depois, “IN the Wild”, num acampamento improvisado a 1500m de altitude nas Udzungwa Mountains, Tanzania. Estamos isolados do mundo desde ha 11 dias, em trabalho de campo. Temos como missao descobrir novas especies para a ciencia e relacionar a sua riqueza com as condicoes ambientais em cada um de 15 locais ao longo de gradientes de latitude e altitude nestas montanhas. Ao fim de 10 cansativos mas produtivos dias, a chuva tropical impede-nos agora de continuar o trabalho. Esperamos, sem pressas, como tudo nestas paragens. Ficaremos por aqui provavelmente mais 8 dias se tudo correr bem.

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Eu, dois outros investigadores, assistentes de campo, cozinheiros, 40 "porters" e rangers. Estes ultimos, armados de autenticas armas de guerra, para nos proteger principalmente de bufalos e cacadores furtivos, ambos bastante abundantes por estas paragens. Uma expedicao tipica do seculo XIX, quando Roberto Ivens e Hermenegildo Capelo foram de Angola à Contracosta. A expectativa e voltar com centenas de especies nunca vistas de aranhas e bichos afins. E com uma nova compreensao dos factores que determinam a sua distribuicao e de como as poderemos proteger do mundo “civilizado”, que neste momento me parece tao distante, no tempo e no espaco. Ao fim de uns dias este mundo passa a ser o nosso, o outro, la longe, apenas uma memoria.

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Mas nao e so nestas paragens exoticas que se pode ter alguma sensacao do que e a wilderness. Queria fazer uma longa descricao que fizesse jus ao percurso desta cache. Nao que seja um percurso especialmente selvagem, na Europa ja pouco espaco sobra com tais caracteristicas. No entanto, ainda ha milhares de especies animais e vegetais novas por descrever mesmo no nosso pais. Um local tao percorrido, explorado, modificado, e com ainda tanto por conhecer. Pensando bem, nao foi assim ha tanto tempo que o mesmo Hermenegildo Capelo que percorreu Africa passou pela Serra da Estrela em expedicao similar. Curioso como estes mundos se ligam. Nao e a selva tropical, mas e bastante selvagem, basta saber para onde e acima de tudo como olhar. Nem que seja com olhos de geocacher...

part1, part2, part3, part4 e part5
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Mensagem Post: #69 a domingo 12 out 2014, 23:36 

Re: Logs épicos

Nem só de found it se fazem bons logs....
http://www.geocaching.com/seek/log.aspx?LUID=b5e7e9f7-8d86-4261-ab8a-81328ef40212

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Mensagem Post: #70 a segunda 13 out 2014, 11:31 

Re: Logs épicos

Este DNF trouxe-me à memória um outro DNF que também é capaz de ser épico, do xukuru: parte 1, parte 2, parte 3.
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