
Found it MAntunes found

Homem das Cavernas
English:
Thanks very, very much for this cache! It was a big but very exciting challenge!
The second most difficult found cache and goes to my top favourites!
In: Hot wheels car & black bag to better protect the cache - It deserves a better container.
Out: Small pterodactilo figure
Português:
CaveMans Lynx & MAntunes almoçaram na esplanada da entrada da gruta...
Ganda noia de cache!
Saímos de Lisboa por volta das 09h20, após enviar msg. ao Claudio. Seguimos em bom ritmo até à coordenadas propostas para estacionamento mas levámos o carro um pouco mais adiante para não ficar visível da estrada principal.

E agora? (Lynx Pardinus ainda com a roupinha lavadinha)Aí e como o dia estava a ficar nublado mas com um misto de calor e humidade, começámos os preparativos para uma cache que, sabíamos, necessitava de ser encarada com respeito e tempo. Nos preparativos estavam incluídas mudas de roupa seca que ficaram no carro. Eu levei umas sandalias num saco e roupa inpermeável dentro da mochila. Bastão, água, barras de energia, almoço e toda a parafernália de gadgets do geocachng, devidamente acomodados na mochila. Como éramos só dois, não precisávamos dos PMRs. Fiz o telefonema à Mila a dizer que ia ficar sem rede durante umas 6 horas e telefonámos ao Claudio onde ele nos disse que não vinha. Pedimos para ficar de sobreaviso se não telefonássemos até às 17h00. Eram cerca das 11h35 quando começámos a andar, afastando-nos do carro.
Fomos pelo caminho que já tinha percorrido com o Filipe, da outra vez, apreciando a floresta cerrada e humida em volta do curso de áqua e quando chegámos ao caminho que desvia para a direita, fomos lá espreitar o topo da famosa descida de rappel. Vimos, apreciámos e arrepiámonos com tal desafio. Também conseguimos ver o equipamento colocado para prender cordas e ganchos. Tentámos adivinhar possiveis locais alternativos de descida mas concluímos que o caminho alternativo referido na cache devia ser aquele que eu tinha percorrido com o meu filho, uns meses atrás. Tirámos fotos do alto e seguimos pelo caminho de volta ao curso de água para depois virar à direita, para o rio e seguir o nosso palpite.

por aqui, não...Mostrei ao Ricardo o local onde tinha desistido da outra vez, estudámos as hipóteses, sabendo a localização do algar e atacámos os arbustos, descendo por cima dos rochedos calcários envoltos por silvas e outros arbustos de mau humor. ;-)
Facilmente chegámos à boca do algar e começamos a procurar a 2ª micro cache que deu alguma luta mas o Ricardo acabou por encontrá-la enquanto eu encontrava um casaco laranja e outros lixos.
Fomos então até dentro da base do algar e ensaiamos umas subidas só para "tirar as medidas", reconhecendo que aquilo não é para nós mas admitindo que aquele local já merecia, só por si, uma cache.
Fotos tiradas (que acabaram por sair quase todas mal - estávamos a tremer?) e atacámos o caminho junto á escarpa. Primeiras dificuldades vencidas com alguma adrenalina porque o piso estava um pouco humido e as solas das nossas botas já acumulavam lama e estavam escorregadias. E aqueles precipícios cobertos de silvas mesmo à nossa pareciam intimidadores...
Mas lá seguimos cheios de vontade vencendo os desafios com cuidado e sempre agarrados à parede e com o corpo sempre inclinado contra ela.

por aqui, nem pensar...Até que chegámos a um local onde obrigatoriamente o ponto de equilíbrio ficava fora do trilho da escarpa. Ensaiámos diversas abordagens mas em todas elas ficávamos com a maior parte do centro de gravidade do corpo, e as mochilas às costas, fora da segurança do chão do trilho. Com já tinha chiviscado um pouco e estávamos menos seguros da capacidade de aderencia do calçado e das mãos, decidimos desistir do trilho da escarpa e voltar um pouco para trás até um ponto onde pudéssemos descer ao rio. Por esta altura já não se distinguia a côr das caças do Lynx; era um misto de molhado e lamacento...
Chegados ao rio, depois de patinar por uma encosta de terra, folhas e silvas, foi altura de confirmar que me tinha preparado bem para esta caçada; despi as calças de ganga e acomodei-as num saco de plastico dentro da mochila, descalcei as botas e as meias e calcei as sandálias. Depois aconcheguei os tornozelos com uma polainas, só para me proteger de algum arranhão em alguma pedra, raiz ou lixo no fundo do rio.

vamos molhar os pés lá abaixo?... (ainda com as calças de ganga por dentro das calça impermeáveis)E atirámo-nos ao rio.
Eu ia à frente, com o bastão a escolher o melhor percurso e nunca a água passou muito acima dos joelhos - válá... mantivemos as cuecas secas... ;-)
Passados uns 400 (calculo mental) começamos a tentar adivinhar o local da gruta e a procurar um ponto na margem direita para subir e começar a escalada em direcção à mesma.
Ligar o GPSr do Lynx, fazer uns calculos em relação à latitude, sabendo que a longitude está errada (a cache "aparece" na margem contrária àquela em que realmente está) e lá descobrimos local na margem para sair do rio. O facto de se ter notado vestígios de pegadas recentes encheu-nos de esperança na correcção dos nosso calculos mas isso iria ser desmentido cerca de hora e meia depois...
Descalcei as sandálias e calcei as botas, sem meias, e começámos a subida pelo trilho que nos parecia mais óbvio e que continuava a apresentar vestígios de pegadas. Subimos, subimos, subimos até que a certa altura, e depois de termos tido várias indecisões quanto a opções de percuros mas entusiasmados porque aqui e ali íamos reconhecendo sinais de pegadas recentes, chegàmos a um local que estava literalmente barrado por carrascos em todas as direcções. Como não se tinha leitura de GPSr e andávamos à cerca de meia hora pelo meio de mato, numa encosta íngreme, lamacenta e em que cada metro era feito à custa de muita luta para libertar a roupa, os cabelos, as mochilas para avançarmos, decicimos parar numa "clareira" onde retemperámos as forças com barras de energia, chocolate e água, verificámos que continuávamos a não ter rede GSM e lá conseguimos ter uns poucos satélites para verificarmos, no Ozi de que, descontando a questão da longitude, estávamos numa cota muito acima da gruta. Conseguíamos ver o rio lá ao fundo e calculámos que estaríamos a cerca de 50 metros acima dele... Eram cerca de 14h00.
Decidimos então voltar para trás e encontrar um trilho, numa cota mais baixa e que nos levasse para norte. Encontrámos algo parecido mais abaixo mas depois de lutarmos mais uns bons minutos com o mato, chegámos a um local sem progressão e continuávamos muito acima da cota que tinhamos lido num dos logs anteriores.

Ok! Parece fácil... [ Rexona man dixit ;-) ]Vai de voltar para trás novamente, descer agora até ao nível do rio e tentar uma subida que tinhamos visto inicialmente mas que tinha parecido dificil. Tinha que ser aquela...
Subi-a com muita dificuldade, porque metade das pedras onde colocava a mão moviam-se logo no meio da lama mas lá consegui chegar ao patamar de cima. Como a subida parecia muito difícil para o Lynx, progredi um pouco para ver se o caminho prometia e como parecia que sim, voltei para trás para animar o Lynx a subir aquele obstáculo dando-lhe até a ponta do bastão para servir de corda. Bem, não serviu muito porque a certa altura dividiu-se em dois o meu bastão; metade para o Lynx e metade para mim. Como estávamos decididos a tudo, ele agarrou-se à 1ª secção do meu bastão (nada de bocas... esta caçada foi algum muito sério) e assim lá o consegui puxar para cima.
Seguimos o trilho junto à falésia, a cerca de 10 metros acima do nível do rio, sempre em direcção a norte ou, se preferirem, em direcção contrária à direcção da água do rio. Até que começamos a ver se já estávamos a andar muito para norte e começámos a desconfiar que a gruta já estaria a sul da nossa localização mas numa cota mais alta...
Começámos então a procurar meio de subir até outro trilho encostado à falésia mas numa cota superior. Os pingos de chuva já eram mais frequentes e os arbustos já molhavam mais mas lá se descobriu um caminho ascendente, com ligeira orientação a norte e que, a certa altura nos revelou o que parecia ser a entrada de uma gruta. Em poucos minutos tal visão, que nos encheu de força anímica, levou-nos até à entrada da gruta que era mesmo o nosso destino. Chegámos ás 15h00. Pelos nosso calculos, a entrada da gruta está a cerca de 20 metros acima do nível do rio. :-)
Procurámos a cache, que encontrei sem grandes dificuldades e começãmos os logs ao mesmo tempo que íamos desembalando o almoço. Foi então que coemçou a chover abundantemente...

"Já encontrámos uma cache... podemos já fazer o log found?" (pergunta fictícia, obviamente)
(depois disto, a máquina entrou em modo de pavor automático e recusou-se a trabalhar mais; erro E18 da Canon)Abrigámos-nos dentro da gruta, almoçámos e visitámo-la com alguma atenção. Embrenhei-me pelo seu interior e descobri um ponto onde a luz do dia irrompe na escuridão da mesma vinda do alto, provavelmente do topo da montanha. Passou por mim um morcego e comentei com o Lynx que nós tinhamos gastado cerca de 3 hora e tal para ali chegar mas o Claudio irá certamente gastar 3 horas a explorar todos os buraquinhos da gruta. ;-)
Acabados de almoçar, vimos as horas e concluímos que tinhamos 1h 40 minutos antes de o Claudio chamar a Protecção Civil para irem procurar-nos... ;-)
Começámos inicialmente pelo que nos pareceu mais fácil mas mais abaixo tivemos que voltar a subir e decidimos seguir por onde viémos mas, desta vez não até ao local onde tinha sido muito difícil subir porque, num local intermédio, encontrámos uma nesga nas escarpas e silvas que nos deixava descer até ao rio.
Chegados lá abaixo, vai de tocar as botas pelas sandália e começar a subir o por ele acima, agora com um caudal maior porque não parára de chover generosamente. Mas continuámos com as cuecas secas. ;-)
Após os 400 metros, lá regressàmos à margem, não sem antes fazer um pequenos trashout curioso nas águas do rio; uma caixa de plástico com um ...bife! Sim, ainda bem cheiroso a carne fresca. Deve ter caido ao rio recentemente e levado pelo caudal até ali (nota: levar grelhador na próxima vez).
Na margem, lá fiz a troca das sandálias pelas botas novamente e começámos a subir em direcção ao trilho "oficial" que nos levava à entrada na base do algar. A progressão junto à escarpa foi mais difícil e stressante porque estávamos mais cansados, molhados e o chão e as botas mais molhados e lamacentos. E o precipício ali mesmo à beira, escondido debaixo das silvas, agora à nossa direita...
Mas lá chegámos ao fundo do algar onde apanhei mais algum lixo mas deixei o casaco laranja porque não tinha espaço para ele e conituámos o nosso regresso, agora sem história de maior excepto que, ao passarmos por debaixo dos arbustos e tocando neles brindávam-nos com litros de água em cima de nós.
50 minutos após sair da gruta, estávamos junto ao carro onde fiz os telefonemas à Mila e ao Claudio e respondi a um SMS do btrodrigues (obrigado pela atenção. :-) )
Depois, enquanto se se comia mais alguma coisa, foi tempo de vestir roupa sequinha e com côr reconhecível e começarmos a viagem regresso.
Sem dúvida uma cache que me deu muita satisfação fazer assim como o vencer das dificuldades que nos surgiram.
Parabéns João Cardoso e muito obrigado (*)! :-)
Muito obrigado Ricardo "Lynx Pardinus" pela excelente companhia. Deixámos a pele e os cabelos no meio do mato mas conseguimos! ;-)
MAntunes
(*) Só existe o pormenor do contentor. Aquilo não protege o conteúdo durante o inverno frio e húmido. Deixei um... err... saco de plástico negro a envolver a cache para a proteger melhor.