Nano
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Registado: quinta 21 mar 2013, 17:43
PREMIOS GPS E AFINS - Apenas uma simples e humilde opinião
Faço parte de um grupo de geocachers, que não só procuram, mas também colocam caches. Começamos em 2011 mas como não andamos nisto para competir com ninguém, mas apenas por diversão pura, FTFs e caches radicais, power trails e caches nomeadas, que parecem ser o objectivo de vida der alguns geocachers, não nos fazem correr. E é até esse o motivo desta minha intervenção como geocacher e a falar por si e não pelo grupo, coisa que desejo que fique muito clara.
Na prossecução desse espírito só temos, nesta data, cerca de 300 caches encontradas, e isto porque os membros mais jovens do grupo são naturalmente mais ativos, caso contrário ainda teríamos menos.
Por outro lado tem-nos dado imenso prazer colocar caches; concebe-las, imaginá-las, procurar os locais (esta parte fica 99% das vezes nas mãos de um dos membros do grupo, cuja actividade profissional a leva a conhecer o concelho, os trilhos, recantos, caminhos e cada árvore da floresta como ninguém) , é normal juntarmo-nos num bar, ou em casa de algum dos membros e à volta da mesa e de uns copos, em boa companhia, deixarmos voar a imaginação.
Sem lugar a falsas modéstias, a coisa tem resultado, porque o feed back de quem as procura tem sido bom e desde o 1º ano que começamos a colocar caches que demos com elas nomeadas para os prémios GPS, as duas únicas que colocamos em 2012 estão nomeadas e em 2011 chegaram a finalistas. Gostamos de coisas elaboradas, minuciosas, cheias de detalhes.
Pessoalmente, e repito, pessoalmente, não sou particular adepta da caixa de rolo fotográfico, ou do tupper debaixo da pedra, ou no muro, então se for no muro irrita-me e assumo isso frontalmente (se o muro fosse meu tirava-a).
Gosto sim de alguns dos locais em que elas estão. Há locais em que a cache não é o container mas a própria paisagem, e essa está classificada há muito e refiro-me ao caso das caches em locais como o Gerês, onde é suficiente colocar um simples container, e na minha opinião enquadrado o mais possível com a paisagem (o tronco, a falsa pinha ou algo similar) não os rolos fotográficos nem os tuppers, nem uma qualquer lata, porque não acho que se ajustem ao local, ou que o respeitem, ou lhe façam justiça - há locais sagrados pelo que são, pelo que representam e pelos poucos que restam, como o Gerês, mesmo achando que a cache é o próprio local e não o container, acho que alguma qualidade ele deveria ter.
Como gosto de containers trabalhados, de multis atractivas, de letters interessantes e imaginativas, de caches mistério de partir a cabeça, custa-me imenso vê-las vandalizadas, estragadas, mas custa-me mais vê-las serem tratadas com pouco respeito noutros termos. E refiro-me a termos “escritos”, `a falta de tato, de respeito, no que por vezes se escreve e no que se diz. Há pessoas que deixam notes nos registos, com questões apatetadas às quais se tem o cuidado de mandar um mail a responder na tentativa de ajudar e nem um obrigado se recebe e ainda tem de se aguentar os resmungos, os reparos e as minudências…haja paciência!!!
Mas pior ainda é ler o que se lê aqui neste local e perceber que tudo parece previamente feito elaborado.
Se a paranóia do FTF é coisa de regra do geocaching e embora ache idiota, o ponto a que algumas pessoas chegam para fazerem FTF, também tenho de aceitar que é problema delas, mas faz parte da minha liberdade de pensamento achar, que não sendo a filosofia do geocaching transformá-lo numa competição, elas estarão a desvirtuar o geocaching.
Depois e sendo também a tipologia e a classificação das caches imposta pela groundspeak, não pode a geoPt fazer grande coisa contra isso.
O que me começa a parecer menos bem na criação dos prémios GPS, embora a ideia inicial tenha por certo tido a melhor das intenções e até os mentores da ideia tentem, pelo que vejo, melhorar a forma da eleição e aperfeiçoa-la, choca-me e bastante assistir a incentivos a lobbies para as caches nomeadas, a ler posts onde se verifica que há geocachers que vão buscar outros a casa para os levarem a visitar as próprias caches, onde alguns, nitidamente influentes, verdadeiros “opinion makers” na GeoPt , fazem listagens de caches favoritas e nas quais votarão, relativas aos distritos, sem sequer as terem feito todas e não podendo assim ajuizar com verdadeiro conhecimento de causa.
Ou seja, somos quase levados a pensar que, depois de aplicados os critérios, as coisas estão já quase definidas, ou vão sendo encaminhadas pelos ditos “opinion makers” para um final que não sendo directo também não prima pela subtileza .
Perdoem-me o português vernáculo, mas estou-me verdadeiramente nas tintas, para o facto de as caches que ajudo a conceber serem nomeadas e eleitas para o que quer que seja através de concursos mais ou menos dúbios e que nunca, pelo menos enquanto a classificação da caches for tão redutora como é, conseguirão por mais que se esforcem, obter uma resultado minimamente equitativo, real e lógico até.
Este ano e fruto talvez da necessidade de obstar ao quão redutora é a classificação das caches, notou-se o esforço para melhorar com a introdução das variantes (local, aventura e container), mesmo assim há quem seja propenso a “aventuras” e quem não seja, a aventura será sempre relativa e há quem consiga chegar a uma “stairway to heaven” e quem por vários motivos não consiga ou nem sequer goste. Não se põe um velocista que corre os 100m a competir com um de fundo, porque não há competição possível. Ambos são corredores, mas não são iguais e por isso mesmo competem em categorias diferentes.
No entanto continuamos a debater-nos com a questão de vermos caches nomeadas num distrito em que temos caches “radicais” e caches puramente “urbanas”, entre as mistas, se assim de pode dizer, que não estando, por exemplo no topo do rochedo que abriga a Srª da Peneda, também não estão no centro de uma cidade ou vila, mas que obrigam mesmo assim a uma interessante caminhada e até um pouco longa. A eleição não é nunca “inter pares” e nota-se uma nítida preponderância da testosterona na atribuição dos prémios, seja a nível distrital seja nacional, ganham as caches “macho latino, suor, bolhas, e artista de circo”, das outras praticamente não rezará a história
Por tudo isto e até que os prémios sejam atribuídos de outra forma, ou que até acabem com eles e por arrasto acabe a competição descalabrada para fazer caches nomeadas na senda da testosterona, menosprezando as outras, lamento mas pela parte que me toca não voto em nenhuma e discordo profundamente das posições aqui tomadas.
Estou no entanto perfeitamente consciente que para os geocachers em geral isso será irrelevante e de somenos importância, mais grupo menos grupo, mais cache menos cache, pouco vos importará. Mas tal como disse em título é a minha opinião e assiste-me o direito de a dar.
Boas cachadas a todos.