Quando há uns meses me pediram umas opiniões sobre qual seria a melhor forma para criar um evento, nestes moldes, souber que queria participar. Embora ninguém o queira fazer, como memória de quem partiu cedo demais, o evento é uma extraordinária homenagem num dos locais favoritos do d3vil. Pelo menos serviria para dar a conhecer o fabuloso território do PNPG, e dar a oportunidade de visita a quem normalmente não vem para estes lados, ou não se queira aventurar sem companhia conhecedora. Uma caminhada clássica já com um pé no coração do Gerês e com passagem no prado da Rocalva.
Infelizmente quando vi a publicação do evento e ao olhar para a data vi que, se calhar, não poderia participar. Identifiquei-me imediatamente ao ler as palavras escritas na página do evento. Também tive as mesmas sensações ao visitar as caches mencionadas e quando o espírito é o mesmo há sempre algo no nosso interior que sorri. Para não correr o risco de me repetir, quando fui aqui escrevi o que era. Ri-me, mentalmente, quando li a nota do JCMarques, também fiz o mesmo no regresso da Valley of Darkness.
Fui no entanto mantendo os contactos com os habituais interessados e a uma semana do evento não vislumbrava hipótese de aqui vir. E numa reviravolta de última hora surgiu a hipótese. Chegaria a tempo, uns dias antes, mas a tempo que a vida não é só madrasta e também dá voltas positivas. Assim viria nem que seja para dar um forte abraço àqueles mais chegados.
Com o plano em cima da mesa, mantendo a ideia inicial de caminhar num pequeno grupo, similar às incursões dos d3vil’s friends às caches do mapa verde, juntei-me às preparações. Estávamos reunidos cinco, //link\\, Joca (dos Joca.Sara), pbrandao, NÉ (dos LAUDY_NÉ e eu) para juntarmo-nos ao resto do grupo no ponto zero do evento, a zona granítica, tal ninho de águia, no topo das Velas Brancas.
Era esse o destino final e local de encontro e escolhido, curiosamente abrigado do vento, para observar para lá do coração do Gerês.
Optámos por partir da Portela de Leonte e ir por ali fora, sem restrições de número, numa clássica caminhada. Para mim era mais uma vez, agora com outro significado, e hoje, pelos planos iniciais, não tinha mais nenhuma cache para encontrar.
Acabámos por passar pelo Prado do Vidoal, na Chã da Presa, onde vimos um grupo, lá ao fundo e no Curral da Teixeira, pelo arco do Borrageiro, e depois de visitar o ponto inicial da Temple of Darkness, subi, mais uma vez, ao topo do mundo, a Roca Negra. Ver o prado da Rocalva aos nossos pés, e o panorama faz desta vista uma das melhores que se pode ter em todo o PNPG.
De vez em quando vinha-me à memória, não a voz do Sérgio Godinho mas sim o Roger Waters, como se estivesse ali a ouvir nas orelhas como tantas vezes faço por estes lados, how wish you were here, e logo no enfiamento:
You reached for the secret too soon, you cried for the moon. Shine on you crazy diamond.
Agora, neste local fantástico era o local ideal para ouvir este tributo.
Já nesta altura se ouvia quem andava para os lados do Santo Graal e subia para aqui. Não os víamos pois estavam a subir a encosta, mas sabíamos que o grupo estava a caminho. Nós continuávamos como a Irmandade do Anel à distância da maior peregrinação.
Como íamos adiantados, mas já com os estômagos a pedir afago, decidimos ir almoçar à cabana da Rocalva, o habitual local para paragem. Pelo menos ficaríamos uma hora à conversa e apreciar a paisagem. Estávamos ali a ver quem aparecia, desde quem assomava ao topo da Roca Negra, o contingente avançado, quando duas figuras conhecidas se distinguiram na paisagem: o Fernando Rei e o pxlobo. Cumprimentos à distância, a umas boas centenas de metros, e um pouco mais tarde todos reunidos em amena cavaqueira no pequeno cercado da cabana.
Como tínhamos tempo fomos primeiro ali, num pulinho, ao Regresso do Rei, e enquanto eles seguiam para o Prado Vidoeirinho, e o pbrandao voltámos para trás para ir buscar a mochila do pxlobo. Já tínhamos encontrado a cache e o novo ponto de encontro era a cache da Rocalva. E foi por esta altura, na subida do prado da Rocalva para o sopé desta enorme mole granítica que começámos a ver o grupo, tal formigas num carreiro, a passar mais à frente e em direcção ao local do evento. Para nós ainda faltava mais uma paragem. Ainda faltava, para quem não tinha lá ido, a subida ao Coucão. E como a subida é custosa, não me estava a apetecer ir lá três vezes, fiquei cá por baixo a ver a malta a passar a caminho das Velas Brancas num longo carreiro e quando comecei a perceber que o grupo era mesmo numeroso.
Já com todas as caches visitadas faltava só chegar ao local do evento para mais uma pausa alimentícia, o segundo almoço, e saudar quem tinha aqui chegado.
A partilha deste local e desta dura caminhada, independemente do percurso, foi sem dúvida a melhor forma de homenagem.
Depois de apresentada a nova cache, que iria ser colocada ali por perto e curiosamente exactamente quarenta anos depois do lançamento do álbum dos Pink Floyd, e mais umas conversas, tinha chegado a hora da despedida.
Acompanhámos por momento o grupo e despedimo-nos, por ali abaixo na direcção do Prado do Conho e quase até às Fechinhas. Depois entrámos num portal quântico e acabámos por andar mais de duas dezenas de quilómetros. Bem diziam o Joca e o Né, que isto já não era um baptizado, era já um casamento e com alguns anos. Neste caso algumas milhares de passadas no PNPG.
Até qualquer dia Roberto, e que seja daqui a muito tempo para todos nós e por razões óbvias. O Valhalla pode esperar.
Muito obrigado pela coragem e determinação pelo evento. Assim são os amigos.
E como tudo está nos detalhes, como o nome indica, alterem lá a data que o evento só durou um dia. E já agora como dizem os Monty Phyton: always look at the Bright side of life.