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Felinos found O Náufrago Alentejano [Alqueva]
24 July 2013 Written by  Felinos

Felinos found O Náufrago Alentejano [Alqueva]

Found it Felinos found O Náufrago Alentejano [Alqueva]


#700, 7/13/2013 @20:24
Em 2012 o Leonel (geo.leo) fez-nos inveja com um espetacular log da aventura que viveu com o “Náufrago Alentejano”. Uma aventura fantástica, no Alentejo profundo… uma ilha no meio de um imenso espelho de água. O desejo de viver esta aventura ficou no ar…

Há cerca de um mês atrás, em conversa com o Luís (lgass) sobre as aventuras possíveis para o projeto BTC (Big Time Caching), surgiu logo a ideia de lançar esta aventura no Alqueva. A logística para este evento era algo “pesada”, mas com esforço e dedicação lá conseguimos os meios materiais necessários para a aventura.

Desafio lançado e publicado, como sempre, no site BTC e nos fóruns portugueses. Mas, ao fim de 17 aventuras (eventos) diferentes, este BTC não teve inscrições (bem, tecnicamente teve uma, mas que depois desistiu…). Zero. Nicles. Quis o “destino” que este fosse o BTC mais intimista de sempre…


Às 11:30 de sábado, dia 13 de julho, o Luís (lgass) e a Melissa (melpm) juntaram-se a nós. O tempo estava encoberto, frio. Desagradável, alguém diria… Arrumámos tudo no Big Blue e iniciámos viagem com destino ao Alentejo Interior. Muita conversa e boa disposição, uma paragem técnica em Vendas Novas para a bifana da praxe, e, muitos km depois por estradas nacionais, sempre com o céu encoberto, chegámos ao pé do Leonel (geo.leo), do Ricardo (r.bat) e do Carlos, um muggle amigo. Eram 15:00. Estávamos na Aldeia da Luz (na nova, claro!). As nuvens desapareceram e o sol brilhava.

A aldeia é algo estranha… sabemos que é nova, feita de raiz. Não se vê praticamente ninguém na rua… parece que falta aquele carisma das aldeias alentejanas, de casas caiadas… Concentrámo-nos na igreja, reconstruída com base na igreja da antiga aldeia da luz. À sua frente o museu. Um edifício moderno, completamente enquadrado na paisagem… não estivesse ele completamente debaixo de terra… estava fechado e não pudemos visitar.
Faltavam-nos a nós, felinos, 4 caches para mais um marco: 700 caches.

Começámos por procurar a cache da Igreja da Luz. Ao fim de algum tempo desistimos. Não foram caches destas que nos trouxeram aqui… não queremos perder tempo com micro-caches em locais que merecem algo mais…
Fomos então até ao Cais. Uma estrutura em madeira, um passadiço enorme. Talvez com mais de 1km. Sabemos que tem 3 caches. A primeira deu luta. A insistência do Leonel deu resultado e apareceu ao fim de alguns minutos. Seguimos pelo cais. O sol já mostrava a sua força. Estava calor. A 2ª cache estava a meio caminho. Estrategicamente colocada na sombra de um chaparro. Com um banco de madeira e uma mesa de pic-nic. Aproveitámos para descansar e apreciar a paisagem. A cache apareceu no chão, embrulhada tipo rebuçado. Certamente não estava no seu esconderijo…
Sem material de escrita, e nós com tudo nos cachemobiles a mais de 500 metros, lá tivemos que tirar fotografia para registar o log! Alguém ainda sugeriu seguir até ao final do cais, para vermos a paisagem. Nah… está calor, os felinos já têm 698 caches, vamos apanhar uma cache no VG (vértice geodésico) a caminho… vamos seguir! A verdadeira aventura ainda vem aí… :)

De volta aos cachemobiles, aproveitámos a nossa passagem na aldeia da luz para mais uma paragem técnica. Era a última oportunidade para utilizar wc “verdadeiros”…

Seguimos então rumo ao VG. Foi o chamado “park and grab”. Para seguir viagem lembrei-me de colocar o felino mais novo a conduzir. Mesmo! Foi… interessante!


E poucos minutos depois estávamos no local de estacionamento dos cachemobiles. A sensação de aventura, da verdadeira aventura, começava a encher o ar. Estavamos no meio do nada. Não se via vivalma, nenhuma casa no horizonte. A aldeia da luz estava a alguns km de distância. Mais longe, ao fundo, Mourão. Nada mais. Sossego. O som dos pássaros. O som da natureza…

Iniciámos os preparativos. Encher caiaques. Uns melhores que outros. Alguns percalços, mas nada que o espírito de entreajuda não resolva. Com um dos caiaques a 50%, lá tivemos que o utilizar como vagão de carga. Sim, isso mesmo. Colocámos a maior parte do equipamento neste caiaque furado e, com uma cinta de transporte, foi rebocado pelo “todo poderoso” caiaque do Carlos. O Ricardo e o Carlos foram espetaculares… os 2km que separam o local de embarque da ilha deve ter custado… muito!

Eram 17:45. O sol aquecia-nos, a água chamava, mas queríamos chegar à ilha. O vento soprava fraco. O espelho de água estava calmo, tranquilo. Brutal. Do local de partida não víamos a ilha. Passados poucos minutos a pagaiar, vimo-la pela primeira vez. Ali ao fundo, à nossa frente. Grande. Enorme… pensávamos que era pequena… mas não! Lá fomos em grupo até à ilha. Parados os caiaques, fomos ver onde montar o acampamento.

Nota-se que a ilha é selvagem. Deserta. Mato, mato e mais mato. Não viemos prevenidos e, sem catanas nem enxadas, lá tivemos que improvisar. Arranjar a zona de ervas mais brandas, pisar bem e montar tendas. Montar… pois… atirar as tendas para cima, entrar nelas e acamar o mais possível. Com o acampamento montado, deparámo-nos com outro… vá… acontecimento “natural”: formigas que mais parecem mosquitos… e que mordem. Muito! :p

Com tudo preparado, arrumado e mais qualquer coisa acabada em “ado”, fomos para a água. Sim, eram 20:00. Sim, estava calor. Sim, a água do Alqueva é um caldo. Morno. Bom. Muito bom!

Refrescados, tranquilos, descansados. Era assim que nos sentíamos. Antes de “cair” a noite, juntámo-nos para “atacar” a cache. Com o grupo a seguir o GPSr lá seguimos ilha dentro. No site não existia nenhum found há mais de um ano, depois de o Leonel aqui ter estado. Estaria a cache no seu ninho? Chegados perto do GZ, o primeiro susto: junto à árvore que aparece nos logs está agora um enorme poste que serve de ninho a cegonhas. Foi colocado pelo homem. E a cache? Bem… o GZ é ligeiramente ao lado. E a cache estava lá. No seu ninho. Da forma como o Leonel a deixou há… um ano atrás! 700 caches! #700!!!!

Fizémos o log e seguimos até ao VG que está nesta ilha. A vista do VG é… impressionante! Muitas fotos quisemos aqui registar.

De regresso ao local do acampamento juntámo-nos junto à água. Queríamos acender uma fogueira, mas o único local (relativamente) seguro era ao pé da água. A vegetação na ilha estava bastante seca. Qualquer descuido e seria consumida em minutos.

O tempo passa a correr. Fomos aproveitando para registar momentos espetaculares do por-do-sol, da lua, do céu. Que céu!!! Deitarmo-nos neste local, no meio da natureza, sem presença humana por perto, com este céu… é indescritível! Não há palavras… fotos, algumas pela lente do Luís.

Perto das 23:00 decidimos recolher às tendas. Fomos dormir com a alma cheia. Com um sorriso de orelha a orelha!

O domingo começou cedo. Cedo e frio. Por volta das 08.30 já estávamos todos acordados. As nuvens voltaram ao céu e o sol não aparecia para nos aquecer. Preparámos o pequeno almoço junto à água. Fizémos café no pequeno fogão que levámos. Começámos a arrumar campo. Percebemos que a aventura estava perto do fim. Não queríamos que terminasse já… já não…

Os minutos foram passando e as nuvens também. Quando tínhamos já tudo arrumado nos caiaques o sol já brilhava no céu limpo. O espelho de água estava mais espelho do que nunca. Não soprava vento. Arrancámos da ilha.
Acho que cada um de nós absorvia cada pagaiada, cada metro percorrido naquele imenso lago.

Chegámos ao ponto de partida. Largámos a carga e voltamos para águas mais profundas. Eram os últimos “cartuchos”, os últimos mergulhos. Com todo o equipamento no jipe o Luís, o felino mais novo e eu ainda fomos para mais um mergulho. Só mais um.

Regressámos a casa com a certeza de missão cumprida. De termos vivido uma aventura espetacular, em comunhão com a natureza. Foi uma aventura entre amigos. Foi um BTC? Sim, foi. Intimista. Brutal. O melhor BTC de sempre! Um agradecimento especial a todos os companheiros de aventura. Hoje, 3 dias passados após este maravilhoso fim de semana, o sorriso aparece naturalmente quando me lembro da aventura. Quando escrevo este pequeno relato… Vão lá, partam à aventura.

Para o Rui aka touperdido: brutal. O ponto favorito atribuído é pouco. Muito pouco. A aventura é… brutal! B-R-U-T-A-L!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



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