Todo o cenário, assim como o tempo, pareciam que se tinham engalanado para a nossa visita, proporcionando-nos uma experiência fantástica e que apenas ainda estava para começar. De máquina fotográfica em punho, lá fomos avançando, fazendo pequenas paragens para descanso e alimentação. Confesso que parecia uma criança irrequieta com um brinquedo novo na mão, tentando registar tudo o que podia.

Pelo meio fizemos um pequeno desvio para aceder à cache da mina de volfrâmio e chegámos ao Covão da Areia. O gelo e a neve começaram então a fazer-nos companhia, tornando o trilho mais espetacular e permitindo inúmeros momentos de criancice, que ficam sempre bem em todas as idades. Como levava a máquina acabei por não patinar muito mas ocupei-me com outras distrações. Naturalmente que tínhamos de ter mais cuidado mas ninguém chegou a cair, ou pelo menos não existem provas de tal. As estalactites de gelo pareciam troféus nas nossas mãos e até se chegaram a rodar algumas cenas de filmes; Hollywood nunca esteve tão perto da Estrela.
Depois do Covão da Areia, subimos para o Covão do Meio e pelo meio fizemos esta cache. O contentor apareceu de imediato e aproveitei para lá deixar um TB. Depois, ao chegarmos à barragem ficámos siderados com aquele espelho de água mágico, que amortecia com ternura as imagens das encostas geladas do vale nas suas águas. Foram, sem dúvida, muitas imagens para recordar que ali nos assaltaram os sentidos e a memória dos cartões das máquinas.

Prosseguimos para o Covão Boeiro e ainda tivemos a oportunidade de experimentar uma sessão de patinagem numa lagoa gelada. Aqui, porém, já se registaram várias quedas e ainda que alguns tentassem sabotar o gelo com buracos, tudo acabou por correr bem. Ao chegarmos à estrada, e depois de apenas termos avistado um fotógrafo na caminhada, parecia que Portugal inteiro estava em rota para a Torre. Sentimos então alguma pena de alguns dos que passavam; há tanta gente que vai à Serra da Estrela, para subir à Torre e regressar com um bocado de neve no parabrisas. Quando eles descobrirem que existe um admirável mundo novo para lá da estrada que embica na Torre, por certo perceberão o que têm andado a perder.

E para terminar o dia, regressámos ao mítico Cântaro Magro. Aqui não vale a pena deixar que algo tão vulgar como as palavras descrevam este lugar. Esta foi sem dúvida uma caminhada memorável, com a Estrela engalanada de gelo e neve, em excelente companhia, e com um tempo fantástico. Estas são, sem dúvida, as melhores condições para subir a Garganta de Loriga. Cruz, na companhia de sphinx, royk, darkangel, neval, mafilll e mcm. Obrigado pela partilha!

