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Valente Cruz found Sopro de Vida
03 January 2013 Written by  Valente Cruz

Valente Cruz found Sopro de Vida

 

Muitos anos depois de a bela moura encantada ter sido transformada numa serpente alada e vaguear a sua solitude entre os penedos, conta-se que um jovem cristão conseguiu vencer o medo e aproximou-se dela, mitigado pelo seu fado. Olhou para além de ver nos seus olhos e descortinou uma essência de beleza que o prendeu de amores mas não em segurança, pois o jovem acabou por escorregar e cair do penedo, num longo grito de desespero que foi notado em todo o vale.

Foi então que alguns agricultores subiram a encosta, ao arrepio do medo que sentiam pela serpente, e encontraram-no a tentar escalar novamente o penedo. Conseguiram ainda agarrá-lo e, julgando-o enfeitiçado por Pena Cova, prenderam-no numa torre, isto depois de terem desalojado uma princesa que lá vivia que há muito tempo não lavava o cabelo. Quase a ser vencido pelo desgosto, e sem que ninguém acreditasse no que vira ou sentira, um velho feiticeiro visitou-o na torre e segredou-lhe que poderia transformá-lo num dragão alado, caso preferisse desistir da sua humanidade. Na altura, o jovem já sabia que no amor não há escolhas, pois escolhe-se sempre o amor, e aceitou a proposta do feiticeiro.

 

Sem mais perguntas, ou alíneas de contratos, o jovem fez-se dragão alado de duas cabeças, de seus nomes Geo e Caching e, levantando voo, seguiu na direção do penhasco da sua amada. Contudo, ao vê-la, transformou-se num enorme penedo, cuja lenda afiança que mede mais de 60 metros, e caiu de costas voltadas para o penedo do seu amor. A moura encantada, ao vê-lo cair e julgando-o não apenas morto mas esquecido pelo tempo, pois sabia que as pedras, por maiores que sejam, não têm memória, com uma raiva imensa, ergueu-se no ar e deixou cair o seu coração rasgado e destroçado. O coração ficou encalhado numa lapa da escarpa, mas, e por magia, continuou a palpitar de amor. Conta-se que o salto da serpente foi tão grande que ela acabou por cair lá para os lados da Serra da Estrela onde, num choro infinito, criou o Mondego, falecendo de seguida.

No entanto, o feiticeiro tinha deixado o jovem amante-penedo com memória e ele amaldiçoou-o durante mil e uma noites mas, depois do desespero, conseguiu engendrar um plano para saber da sua amada, pois via as mágoas choradas por ela através do Mondego. Pediu então a uma pomba encantada de seu nome Facebukis, que diariamente pousava nas suas escarpas, para convidar incautos apaixonados por desafios para visitarem o coração da sua amada Pena Cova.


Segundo a lenda, num desses dias, reuniu-se uma fina estirpe de corajosos, vindos um pouco de todo o reino-república. Dois chegaram um pouco mais cedo e, já no penedo da moura encantada, ficaram por ali a contemplar as vistas panorâmicas para o rio, a cidade e o vale. Quando todos chegaram, montou-se a segurança e, um após o outro, lá foram sentindo a adrenalina da viagem. Diz-se ainda que, e para que tudo corresse bem, foram importantes alguns conselhos e palavras de confiança dados por alguns, mais habituados a dançar nos penhascos. Ainda assim, nem todos foram valentes, escondendo-se atrás de um nome falacioso, pois uma jovem ficou enfeitiçada pela vontade e preferiu não visitar o desafio. Existem ainda relatos que, a meio da descida, um dos jovens precipitou-se contra a parede e quase a ia beijando, mesmo junto ao coração da moura-serpente, mas tudo correu bem.

Aos poucos, foram sendo escrevinhadas as suas intenções e conta-se que eles trouxeram novidades de amor e expectativa para, futuramente, serem entregues ao cristão-dragão, logo que os astros se alinhem. Há ainda relatos em que os aventureiros agradecem a todos pela companhia e, em particular, àqueles que criaram a crónica e a outros que disponibilizaram os meios para mais uma história bem passada. Fim.



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