Para além da referida calçada, notam-se intervenções recentes, entre as quais, ruelas, pavimentadas umas, outras constituídas por mosaicos intervalados demarcando caminhos por entre terra menos firme. As árvores anteriores à intervenção parecem ter sido poupadas (o que é de louvar). Nas proximidades das referidas ruelas e caminhos, muitas árvores e arbustos de plantação também recente. Aliás grande parte ainda com a tradicional cerca em madeira com que é habitual proteger tais árvores/arbustos após a plantação. E, sobretudo, postes! Muitos postes! De madeira, na sua maioria cor de laranja intercalados, aqui e acolá, com alguns de cor natural. Só passado algum tempo encontrei justificação para tantos paus que, quais falos ali especados, pareciam dizer para as pequenas árvores: "Oh miúdas! Cresçam e apareçam! Estamos pr'aqui há tanto tempo que ainda corremos o risco de sermos mal interpretados. O que é que o tipo que vai a passar, e outros que lhe seguirão, irão pensar de nós? Nós não somos desses! A nossa intenção é apenas colaborar, quando fordes maiores, na informação sobre o vosso nome e eventualmente da vossa família. Sim, porque só quando atingirdes a maioridade, é que tereis o direito a um nome. Mas tendes de crescer depressa! Se não só quando tivermos barbas de musgo é que conseguiremos cumprir fielmente as funções que nos foram confiadas!..."

E com a ideia de já ter ouvido esta última parte em qualquer outro lado, lá subi um pouco mais. De repente, eis que surge, destacada do terreno acastanhado, uma construção de pedras graníticas esbranquiçadas, prantadas sobre uma substância impermeável, a imitar o leito (seco) de uma ribeira que, a páginas tantas, se tivesse água, veria o seu percurso ser atrasado por uma mini barragem forrada com o mesmo material mas, cumprido o seu papel de encher as vistas dos visitantes, enchidas, também, as medidas de um tal envase, se deixaria escapar monte abaixo. Como uma ribeira tem margens não poderiam faltar as pontes com toda a propriedade aqui também a terem o direito de serem chamadas obras de arte. Porém invertidas na lógica das da vida real: pés para cima, obtidos por fatiamento de um calhau granítico, com o suposto tabuleiro no lugar das fundações. Mais acima, por entre os grossos pinhos, e muito mais perto do que supunha, o Grupo Desportivo da Mata.

Algures, no meio disto tudo, devidamente enquadrada e constituindo, também, uma obra de arte, a razão desta visita e deste registo.
OPC
CarlosAgnelo
