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p@Che found The Nest of Jonathan Livingston Seagul
18 November 2012 Written by  p@che

p@Che found The Nest of Jonathan Livingston Seagul

p@che found The Nest of Jonathan Livingston Seagul

1/2 - O caminho

Sempre ouvi falar deste pedaço de terra a entrar pelo mar adentro. Aqui um ninho em forma de tupperware escondia algo como o Santo Graal do geocaching, que só poderia ser conquistado depois de vencer sentimentos de aventura, de medo, de coragem. E como alguém que esperava pelo seu momento, ia ouvindo falar a malta dessa conquista... cheguei a ter em watchlist, mas era já demasiada tortura para quem quer cá vir, mas está a mais de 400km de distância.

Numa viagem ao Algarve quase tipo relâmpago, não houve tempo para grandes planos nem estratégias... uma folha A5 escrita à pressa descrevia a "lista". A lista das caches que queria encontrar nestes 4 dias que prometiam mais chuva do que geocaching. A lista com apenas 10 linhas e em que no primeiro lugar constava um código de 6 dígitos que remetia para uma cache com quase 9 anos. Se durou este tempo todo naquele poiso, tem de ser especial.

 

Apesar de constar no topo, sabia que o desafio não era bem visto pelo resto do grupo. Tirando eu, talvez só a Gyas gostasse mesmo de lá ir. E comecei a fazer contas, e aproveitei para marcar esta cache como milestone... mas teve de ser com estratégia e utilizando as mais avançadas técnicas de pressuação. Funcionou bem neste caso!

O carro ficou a 400m e algumas curvas de nível para descer. Não era uma caminhada longa, tão pouco dura, como cheguei a fazer numa cache parecida ali para os lados do Cabo da Roca. O declive estava lá, mas não se notava... ou isso, ou as pernas já não circulava sangue a 100%... 40% seria adrenalina. E já na base... duas praias fantásticas, e o verão já lá vai longe. O objectivo hoje era mesmo não ir à água... o caminho era em frente, apesar de por um lado haver trilho e por outro haver uma base mais larga para avançar. Escolhemos o trilho, bem encostado à escarpa norte... com calma e respeito a coisa faz-se sem grandes sobressaltos. 

 

A certa altura, ao nosso lado estava o salto que muitos me falaram... então a cache tá próxima. O GPS assim o indicava. São só uns metros... segui até ao fim do trilho, onde termina o penhasco, onde poderia também ser o fim do mundo. Olhar lá para baixo só deitado com a barriga no chão para não ter problemas de centro de massa. Impressionante é como aqueles pescadores que por ali andam, circulam com a maior naturalidade do mundo, passando de penhasco em penhasco usando uma corda e uma só mão. A outra tem de segurar no balde, na cana... respect!!!
Agora era a subir pelo plano inclinado até ao ponto zero. Do lado sul a coisa era bem mais agreste. Na crista, o vento fazia-me andar entre joelhos, mãos... mais parecia um símio, mas um símio seguro. Ao bom estilo das caches da velha guarda, um montão de pedras denunciava o local... e ali tive um Deja Vu de recordações... sempre me falaram num salto de fé, do pequeno salto que separava a parte menos segura da parte nada segura. Mas neste momento já não há hesitações, e com todo o corpo a tremer consegui me abaixar no seu esconderijo.

2/2 - Missão cumprida

Mais de 5 anos depois podia finalmente reclamar o "found" nesta cache... se não é a melhor cache, será a segunda... a Fenda a norte, a Nest a sul! A minha curta lista de caches que realmente queria encontrar acabou de perder um valioso elemento. Perdeu a lista, ganhei eu e o meu currículo de Geocacher. E são estes momentos, estes saltos e desafios, estas aberturas de tampa que nos trazem o raio do sorriso à venta!

Lá dentro um logbook carregadinho de histórias. Quantos e quantos aqui chegaram e sentaram... e que como eu, quando escolheram a folha para escrever algo, somos engolidos por aquele local fabulástico. Não há muito que se consiga escrever naquele momento. A mão ainda treme, o vento faz-nos vacilar, e o mar lá em baixo não pára de nos chamar... que chato! Ficam só os nomes, o resto tem de ser primeiro assimilado, era tempo para absorver apenas.

Cache logada, recolocada... tinha lá um TB mas nem me atrevi a trazer... bem sei que por aqui vai ficar se calhar mais tempo perdido, mas num bolso ou numa mochila esquecida e à minha responsabilidade seria muito pior. Tempo de regressar, um pouco pelo mesmo caminho, um pouco inventando. O joelho que me obrigou a afastar de algumas aventuras só agora sinalizava a sua presença... até aqui a adrenalina e o nervosismo associada estavam a fazer correctamente a lubrificação. Pelo caminho ainda uma imagem... uma imagem de uma pintura que tinha sido recuperada por uma qualquer senhora zelosa de uma capela espanhola... um sinal?? naaaa, não acredito nisso!

A cache ao lado, com o trilho ali bem demarcado e visível teve de ficar para outra altura. Primeiro porque não consegui "enganar" novamente a malta... Segundo porque depois desta cache fantástica não queria estragar o momento e fazer apenas mais uma. Este tipo de caches não podem ter "mais uma" pelo caminho. Fica guardada para uma revisita ao local... o ed10 já se está a preparar e nessa altura sou gajo para lá ir.

Dali até ao carro, sempre a subir, baixar o ritmo cardíaco e sorrir... sorrir muito carago!



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