Aqui cruzámos-nos com dois grupos que logo nos disseram que tinhamos pela frente uma jornada bastante difícil e cansativa. O meu principal receio era de facto a falta de tempo para se fazer tudo com luz, o que aliás veio a acontecer (serão outras histórias). No entanto a vontade era muito e após uma breve pausa para repôr energias, de imediato partimos para o curral da Teixeira para a nossa terceira visita ao local. Bem que nos apetecia estar ali naquelas lagoas que antecedem o curral e a tomar uns belos banhos, mas não havia tempo para isso.
Já no local aproveitámos para encher ainda mais as garrafas com água, esse liquido precioso que foi crucial para as nossas aspirações, e descansar mais um pouco. O descansar passou por livrarmo-nos um pouco das (pesadas) mochilas e irmos procurar a cache que de imediato apareceu.
Muito obrigado por nos proporcionar mais uma visita a este local de que não nos cansamos. Para a próxima e com mais tempo, o mergulho é certo.

Vindos do já conhecido vale do Teixeira, a próxima etapa era o Prado do Conho. Esta foi sem dúvida a etapa mais dura da nossa caminhada, uma vez que coincidiu a dura subida da montanha com a hora de maior calor (11-14h). Tivemos aliás de efectuar algumas paragens ao longo do percurso para descansar e beber um gole de água.
Foi um regalo para os sentidos quando finalmente atingimos a zona planáltica cá em cima e já perto do Borrageiro. A partir daí a caminhada foi mais soft, e pudemos desfrutar bastante mais da magnífica envolvente destas montanhas e prados.
Já com o Prado do Conho à vista, a decisão era mesmo se parávamos entretanto para comer, ou se pelo contrário, o faríamos lá. Optámos por esta última e prontamente partimos montanha abaixo já com muita fome e sobretudo sede. Qual não foi a alegria quando descobrimos uma fonte de água fresquinha no prado! Sensacional! Atrevo-me aliás a dizer que essa água no meio de nenhures foi a chave para o sucesso da nossa caminhada, sem a qual estaria certamente comprometida. O almoço foi assim passado em alegre cavaqueira e o local escolhido foi mesmo em cime de um grande monólito, pois o chão já estava ocupado com o estrume das vacas.
Finda a refeição, e antes de partir para a Rocalva e Fichinhas, fomos então procurar a cache ali perto e que de imediato apareceu.
Excelente local onde talvez um dia possamos pernoitar como os dois casais que ali encontrámos. Como devem ser magníficas as noites estreladas passada neste recanto da montanha..
Muito obrigado pela cache.

Depois de uma refeição retemperadora no Prado do Conho, e com as reservas de água novamente cheias, lá partimos para o ponto alto desta expedição. Já há muito que aquele cume granítico vinha chamando a nossa atenção depois de várias incursões ao Gerês nos últimos tempos. Acho que o mais perto que estivemos dele foi no ponto final da "Heart of Darkness" quando a encontrámos há 2 anos atrás.
O caminho do prado até à Rocalva não era de facto muito evidente como já nos tinham prevenido o grupo de aventureiros que encontrámos no vale do Teixeira. Valeu mesmo o track no GPS para nos guiar em locais mais complicados, sobretudo na parte inicial com alguma mistura de mato denso com arbustos.
Já a uma cota mais alta, eram as pedras e os blocos graníticos que imperavam, até finalmente darmos de cara com o mais imponente de todos: a Rocalva.
Foi de facto uma sensação de conquista logo que avistámos o imponente cume. A vontade que deu foi imediatamente de escalar por ali acima para desafiar a coragem e os sentidos e obter uma visão 360º. Contudo, não estávamos à vontade de tempo, pois além de termos começado a caminhada já tarde (9h30), perdemos algum tempo no prado do Conho...e além disso havia que ir às Fichinhas. Após quase contornarmos o bloco, e apreciarmos cá de cima o prado da Rocalva, encontrámos finalmente um ponto de ataque e começámos a subir por ali acima. Quando dei por mim, estava quase a subir na vertical, enquanto que o Tubal e o mecasantos logo se riam, pois estavam mais abaixo...e com a cache na mão!

Foi mesmo uma sensação de conquista que esta cache proporcionou. Magníficas paisagens no coração do Gerês, cume simplesmente espectacular e imponente e um excelente desafio à coragem. Já no regresso, e depois de termos igualmente conquistado as Fichinhas (isso é outra história), regressámos pelo prado, onde de facto se tem o melhor enquadramento para este fantástico monumento natural.
Muito obrigado pela caminhada e pela cache.
