Após três boas dezenas de quilómetros, lembrei-me de ir matar saudades dos aviões que ocuparam durante muitos e excelentes anos a minha rotina profissional. Pois é, fui dar uma espreitadela à Base de Monte Real, só que desta vez do lado de fora da vedação.
E ali, no enfiamento da pista embrenhado em recordações e à espera que um dos metálicos pássaros supersónicos me aliviasse a saudade, estava eu ancorado. Até que de repente uma vozinha, como se do grilo falante da minha consciência se tratasse, me disse: “Olha lá e não há uma cache para ali?”. O resto foi simples. Bastou ligar o gps e esperar que ele indicasse o caminho.

O difícil mesmo foi acertar com o caminho certo e após algumas tentativas, lá encarrilei com o destino.
Chegado lá, e com algum cansaço á mistura, porque o terreno não é “bike friendly” em alguns locais, ainda acelerei mais as pulsações à conta de um susto que um animal me pregou.
Depois de relaxar e acalmar as batidas compassadas do meu coração, lá iniciei a curta busca, uma vez que com a dica e a precisão milimétrica das coordenadas tudo se tornou fácil.
Após registar a minha presença, decidi observar o local com mais atenção e registar com a escrita da luz a beleza natural envolvente.

Tirei as luvas, o capacete, desliguei o leitor de mp3 e pousei tudo ao lado do camel bag enquanto, de máquina na mão, procurava os detalhes que mereciam ser capturados. Foi aí que comecei a ficar com pele de galinha e aquela sensação estranha que na minha terra natal apelidam de “cagufa”. É que após o mp3 se calar, comecei a escutar uns ruídos fora do comum e que nunca tinha escutado. “Ora então!!! Home que é home não se assusta com isto!” pensei eu. E lá fui tirando uma foto aqui e outra ali, mas sempre de olhar desconfiado e com aquele ruído ora de um lado ora do outro. Pareciam gemidos que variavam desde isso mesmo até se transformarem em leves guinchos. Paravam uns segundos e recomeçavam. Provavelmente seriam uns eucaliptos que demasiadamente encostados e devido ao leve vento que se fazia sentir, roçavam uns nos outros e produziam tal ruído. O que é certo, é que eu apressei a demanda, e após meia dúzia de fotos, ajustei a montada e os seu acessórios e saí dali muito mais rapidamente do que entrei.
Tenho a certeza que uma cache nocturna ali seria algo fora do comum e apenas visitada pelos mais afoitos. Cá o filho da minha mãe, garantidamente que não meteria lá os pés nas horas em que o astro rei estivesse recolhido!!!

O local é muito bonito e não sei que tipo de edifício seria aquele. Encontrei detalhes que me levaram a presumir ter sido uma espécie de moinho, mas não posso garantir.
Obrigado ao owner pela partilha deste local que bem jus faz ao nome da cache.
OPC-TFTC
