05de Agosto,2021

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ValenteCruz

ValenteCruz

Sunday, 27 June 2021 17:00

Ruta del Cares Xtrem

Depois de uma entrada fascinante nos Picos de Europa pelo Pico Gilbo, seguimos para a Cantábria em busca de mais experiências fabulosas. Para o primeiro dia estava destinado este percurso, porventura um dos mais famosos. Agora, entre o sossego de grandes recordações, achamos que a dificuldade em descrever as nossas vivências por lá são tão grandes e belas e como aquelas montanhas. Persiste a sensação de que tudo o que se possa dizer pareça pouco. Ainda assim, aqui ficam estas palavras, à espera e com a esperança que o tempo as possa apurar.

A Ruta del Cares é um percurso linear com cerca de 12 km, entre as localidades de Poncebos e Cain, aberto literalmente nas encostas e escarpas rochosas do rio Cares. O percurso foi criado para acompanhar a construção de um canal de água de aproveitamento hidroelétrico. Antes de mais importa agradecer às pessoas que ali trabalharam e criaram uma grande obra de engenharia. Sendo um percurso linear, e como a viagem por estrada é grande, a distância total da caminhada passa então para os 24 km. Com cerca de 700 metros de desnível, o trilho apresenta uma subida mais acentuada no início, mas depois vai-se tornando plano. Pelo terreno irregular e pela distância é importante selecionar um bom calçado. Como o percurso é bastante concorrido e os lugares de estacionamento não são muitos, ir um pouco mais cedo pode fazer a diferença entre começar próximo do início ou acrescentar mais alguns quilómetros à contagem.

Ao chegarmos ao estacionamento, em Poncebos, e depois de nos certificámos que tínhamos tudo o que precisaríamos para a viagem, carregados de expetativas, fizemo-nos ao caminho. À nossa volta, os picos erguiam-se, senhores de toda a vida que por ali passa. Percebe-se porque os cristãos tenham encontrado aqui o seu último refúgio de liberdade na antiga Hispânia contra o avanço muçulmano. Vencida a subida inicial chegamos ao grande anfiteatro do Cares que se estendia a montante. As encostas tornaram-se ainda maiores e escarpadas e no horizonte montanhoso era percetível o trilho escarpado. Mais à frente, o percurso fura pelas paredes verticais, acompanhando o canal e o rio.

Um pouco antes de chegarmos a Cain decidimos apimentar a aventura e descemos ao rio com o intuito de subirmos ao planalto na outra margem. Durante a descida vislumbrámos, lá em baixo, a pequena ponte sobre um azul intenso, que corria desfiladeiro abaixo, capaz de fazer inveja ao céu. Facilmente percebemos por onde deveríamos descer para ter acesso ao rio e seguimos pelo trilho, que desce a encosta em ziguezagues constantes. Sabíamos de antemão que a água estaria fria, mas não esperávamos que fosse a mais gelada.

Iniciámos de seguida a subida Cares Xtrem até ao prado altivo da outra margem. E se a descer todos os santos ajudam, a subida fez jus ao nome da experiência. A ascensão foi realizada em ziguezagues constantes de uma verticalidade respeitável. A dado momento fomos por um atalho que nos dificultou ainda mais a subida, junto à parede da fraga. Ao chegarmos ao prado tivemos uma enorme sensação de pequenez. É impressionante a quanto estas montanhas nos reduzem! Descemos depois até aos escombros de uma cabana, onde completámos a descoberta. Ali, entre dois burros que pastavam, alheios a tudo, fizemos o registo da nossa passagem pelo local. Não será fácil encontrar outra paisagem tão grandiosa para escrever alguns rabiscos, por certo insignificantes quando comparados com o cenário.

Na descida descortinámos o trilho que deveríamos ter seguido na subida e o cruzamento do engano. Criámos por lá uma mariola, para que outros não tenham o mesmo imprevisto. Passámos pela ponte em ritmo acelerado e, depois da subida da encosta na outra margem, reencontrámos a Ruta del Cares. Retomámos a rota e passámos pelos sucessivos túneis e pontes até chegarmos à repesa de Cain, que marcou o meio da nossa aventura. Ao chegarmos, fomos de imediato até à ponte mais acima e passámos para a outra margem, onde aproveitámos para descansar e almoçar. Fomos depois revisitar a repesa e, depois de um café, encetámos a viagem de regresso, revivendo as paisagens maravilhosas de um dos percursos mais majestosos que se pode fazer.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

Saturday, 17 April 2021 17:00

Fafião, Sombrosas à Messe, que Rocalva!

Num dia de liberdade pela montanha, longa e solitária caminhada com início em Fafião, passagens por Porto da Laje, Porta Ruivas, Prados da Messe, Rocalva, Bicos Altos, Ponte da Matança e regresso a Fafião, num total de 32 km (percurso). Para além do habitual fascínio geresiano, gostei de terminar bem e num bom ritmo. Cada regresso à Serra do Gerês é uma oportunidade de reencontro com uma essência secular de resiliência e equilíbrio natural. Nos dias que correm, para quem se aventura à sua descoberta, pode servir também de psicólogo, promotor de uma certa harmonia pessoal e refúgio dos ritos da vida moderna.

Manhã cedo, cheguei a Fafião e estacionei junto à estrada principal. Com tudo preparado, iniciei a caminhada pelas ruas intrincadas em direção ao famoso Fojo do Lobo, que aproveitei para revisitar. Subi depois em direção ao Miradouro de Fafião. Desconhecia a sua existência, pelo que foi uma excelente surpresa quando encarei os dois enormes penedos no topo da encosta com uma ponte entre eles. A travessia faz-se sem problemas e, embora as vistas sejam semelhantes, é mais reconfortante para o sentido de aventura pisar o topo do rochedo que se ergue na paisagem do outro lado do desafio.

O percurso subiu depois a encosta, alternando entre caminhos largos e trilhos. À medida que a altitude aumentou, a paisagem foi-se tornando mais despida de arvoredo. O caminho acessível a veículos terminou num parque de merendas no planalto serrano, com boas vistas para o vale. O abrigo assemelha-se a uma casa dos Flintstones, ideal para um dia com sabor a montanha e a benesse da acessibilidade. A partir dali o percurso prosseguiu pelo trilho de pastoreio que deambula a meia-encosta sobre o rio Fafião. Pouco depois, tive a primeira visão inteira do desafio da subida das Sombrosas. Tinha passado ali há cerca de oito anos, vindo de uma pernoita memorável na Rocalva. Apanhei a promessa de um regresso que ali tinha deixado e continuei em modo acelerado pelo trilho, que em algumas partes fica um pouco mais vertiginoso e desafiante. Um pouco mais à frente considerei uma descida às lagoas cristalinas, mas acabei por desistir da ideia pela longa caminhada que tinha pela frente.

Na chegada ao Porto da Lage, junto à represa, passei por uma manada de vacas e prossegui para o encantador Prado da Touça, onde reencontrei o típico abrigo. O local parece reduzir-nos ainda mais à nossa pequenez, assoberbados pelos grandes vales da Touça e do Laço. Passando pelas cascatas e lagoas idílicas, iniciei a exigente subida para o topo das Sombrosas. Leve e ligeiro, acabei por ter menos dificuldades do que a memória afiançava. Os patamares sucederam-se naturalmente e a visão sobre os vales limítrofes ganhou mais amplitude. Alcançado o primeiro pico, tentei aproximar o percurso ao lado mais exposto, sobreposto ao Vale da Touça, mas a irregularidade do terreno dificulta a progressão. Após vários atalhos e experiências, consegui aceder à vertente que me levaria ao topo da Porta Ruivas (ou Roibas, como assinalado da placa do abrigo do prado homónimo). Lá em cima, aproveitei para fazer a paragem de almoço, abrigado do vento.

Ao descer do maciço rochoso passei pelo prado e acelerei depois em modo corrida pelo planalto. Apanhei posteriormente o trilho que vem desde a zona das Minas dos Carris e prossegui em direção aos Prados da Messe. O prado principal parecia ter sido recentemente alvo de um incêndio controlado para renovação das pastagens. Após uma breve vistoria às boas condições do abrigo, aproveitei para abastecer de água e continuei em ritmo de corrida pelo planalto serrado. Após a passagem pelo Prado do Conho, pontuado pelo enorme penedo vertical, decidi fazer um pequeno desvio, seguindo no trilho do Prado do Vidoal e até à Lomba de Pau, de onde tive uma visão alargada dos dois lados da serra. Um vento frio seguia de cume em cume, assobiando conselhos por trilhos mais protegidos.

Contrariando a vontade de seguir em linha reta até ao próximo objetivo, desci até à encruzilhada e prossegui em direção ao Prado da Rocalva. Não existirá monólito nesta serra mais caraterístico e emblemático, pelo que é sempre um prazer ver surgir este gigante granítico. Ficou, mais uma vez, a promessa de subir ao seu topo, após uma tentativa insípida há alguns anos. Este prado, tal como os outros, ainda estava bastante verdinho, criando contrastes interessantes nas fotos. À chegada ao abrigo encontrei as únicas pessoas que vi nesta caminhada (não contando com a aldeia), que iriam pernoitar na montanha. Após uma breve e agradável conversa de partilha de interesses, retomei a corrida em direção ao Prado Vidoeirinho. O Estreito do Laço apareceu logo depois, abençoado com as mesmas visões de quase sempre para o profundo Vale do Laço e a parte superior do Vale do Conho.

Continuando pelo planalto, deixei os acessos aos vales para trás, e prossegui pelo trilho em frente. Aproveitei depois um desvio para aceder a um pico com boa vista para as duas rocas e fiz mais uma paragem no abrigo Pradolã. Na descida posterior aproximei-me da encosta sobreposta ao prado e abrigos dos Bicos Altos e não consegui resistir a mais um desvio, por onde nunca tinha passado. Retomando a corrida, fui apanhar o trilho mais à frente e iniciei a descida para a Ponte da Matança. Como o trilho parece ser pouco usado e as encruzilhadas são muitas, foi necessário validar com frequência o percurso desenhado no plano para garantir que estava no caminho certo.

Várias decisões e curvas depois, consegui chegar à Ponte da Matança, atravessei o rio e iniciei a subida para Fafião. Junto ao rio, tudo ganhou ainda mais grandiosidade, desde a vegetação e a diversidade até às paredes graníticas verticais. O trilho furou pelos túneis do arvoredo, circundando os penedos da encosta ingrime. Não demorei muito tempo a chegar à bifurcação por onde tinha passado de manhã e prossegui em corrida para a aldeia, fazendo mais duas breves paragens no miradouro e no fojo. Para trás tinham ficado cerca de 32 km, já reduzidos de alguns desvios, e 11 horas de silêncio e solitude na montanha.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Saturday, 20 February 2021 17:00

Garganta de Loriga

Durante a semana fiquei a saber que um grupo de expedicionários preparava a aventura da subida da Garganta de Loriga. A vontade deixou de imediato a mente de sobreaviso, visto que as oportunidades de boa companhia e caminhadas pela montanha não devem ser desconsideradas. Infelizmente, a Valente tinha que ir trabalhar no dia em questão pelo que não pôde estar presente. Contudo, e como a experiência foi avassaladora e gratificante, acabei por deixar um sorriso fechado no mapa para que o possamos abrir num qualquer dia de regresso a esta serra de encantos.

Após alguma logística, seguimos para Loriga e estacionámos junto ao quartel dos bombeiros, iniciando pouco depois a marcha. Ao chegarmos ao planalto que fica sobre a aldeia, tivemos um primeiro encontro com a enormidade que se erguia diante de nós. Lá em baixo corria a ribeira de Loriga, que desce do planalto serrano, formando pequenas cascatas até chegar à praia fluvial, um ótimo recanto para alturas de maior estio. Prosseguimos então pelo trilho, relativamente bem marcado e fácil de seguir.

Todo o cenário, assim como o tempo, pareciam que se tinham engalanado para a nossa visita, proporcionando-nos uma experiência fantástica e que apenas ainda estava para começar. De máquina fotográfica em punho, lá fomos avançando, fazendo pequenas paragens para descanso e alimentação. Confesso que parecia uma criança irrequieta com um brinquedo novo na mão, tentando registar tudo o que podia.

Pelo meio fizemos um pequeno desvio para aceder a uma antiga mina de volfrâmio e chegámos ao Covão da Areia. O gelo e a neve começaram então a fazer-nos companhia, tornando o trilho mais espetacular e permitindo inúmeros momentos de criancice, que ficam sempre bem em todas as idades. Como levava a máquina acabei por não patinar muito, mas ocupei-me com outras distrações. Tínhamos de ter mais cuidado e ninguém chegou a cair, ou pelo menos não existem provas de tal. As estalactites de gelo pareciam troféus nas nossas mãos e imaginação.

Depois do Covão da Areia subimos para o Covão do Meio e pelo meio aproveitámos para mais um momento de geocaching (GC39QED). Ao chegarmos à barragem ficámos siderados com aquele espelho de água mágico, que amortecia com ternura as imagens das encostas geladas do vale nas suas águas. Seguiram-se muitas imagens para recordar, que ali nos assaltaram os sentidos e a memória dos cartões das máquinas.

Prosseguimos para o Covão Boeiro e ainda tivemos a oportunidade de experimentar uma sessão de patinagem numa lagoa gelada. Aqui, porém, já se registaram várias quedas. Ainda que alguns tentassem sabotar o gelo com buracos, tudo acabou por correr bem. Ao chegarmos à estrada, e depois de apenas termos avistado um fotógrafo na caminhada, parecia que Portugal inteiro estava em rota para a Torre. Para quem se aventura para lá da estrada que embica na Torre, existe um admirável e fantástico mundo novo para descobrir!

Para terminar o dia, regressámos ao mítico Cântaro Magro. Aqui não vale a pena deixar que algo tão vulgar como as palavras descrevam este lugar. Esta foi sem dúvida uma caminhada memorável, com a Estrela engalanada de gelo e neve, em excelente companhia, e com um tempo fantástico. Nas melhores condições para subir a Garganta de Loriga e na companhia de sphinx, royk, darkangel, neval, mafilll e mcm.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

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