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Geotour Azores - Flores e Corvo
25 July 2016 Written by  Geotour Azores

Geotour Azores - Flores e Corvo

A GeoTour Azores, a maior geotour do mundo e a única existente atualmente em Portugal, começou a funcionar no dia 7 de Abril de 2016, e conta com 170 caches (com o prefixo AZGT ou AZGTJ no nome, das quais 20 são caches “Joker” (com o prefixo AZGTJ) e com perto de 900 favoritos no total das caches. A forma mais “fácil e rápida” de concluir esta geotour, será, para quem não tiver já caches encontradas deste projecto, viajar até ao Grupo Ocidental do arquipélago açoriano e conhecer as maravilhosas ilhas das Flores e do Corvo. Nas Flores localizam-se 10 caches desta geotour, mais 2 caches “Joker”. Por sua vez, o Corvo conta com 5 geocaches, mais 2 caches “Joker”. Nesta edição da geomagazine vamos apresentar duas caches de cada uma das ilhas, sendo as duas caches das Flores, ambas caches nomeadas para os prémios GPS 2015.

 

A ilha das Flores

De forma quase elíptica e orientada segundo a direção N-S a Ilha das Flores mede, aproximadamente, 16.5km por 11,5km e a sua área é de cerca de 143km2.
O Morro Alto, com 915m, é a maior altitude da ilha.

“Morfologicamente, a ilha das Flores, é marcada pela existência de uma zona central (Planalto Central) aplanada que se desenvolve entre as cotas dos 500 e 915m. As fajãs são aspetos bastante marcantes na geomorfologia da ilha que ocorrem na base das escarpas interiores. Neste contexto podemos considerar dois domínios geomorfológicos distintos na ilha das Flores: O maciço central, que engloba o planalto central e as zonas periféricas adjacentes e a orla periférica que abrange as escarpas e as plataformas de sopé adjacentes”.

 

AZGT HISTÓRIA DA BALEAÇÃO NAS FLORES – GC54EXC

“A mais antiga Armação Baleeira que sabemos ter existido na Região dos Açores e em Portugal, foi na Ilha das Flores e remonta ao ano de 1857”.

 

Esta é uma cache letter-box híbrida construída “por encomenda” pela Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores propositadamente para esta geotour, pelos geocachers Palhocosmachado e Pedro.b.almeida e que contou com a colaboração de várias entidades: Museu/Fábrica Baleeira do Boqueirão, Museu de Santa Cruz das Flores e Centro Interpretativo do Boqueirão/Parque Natural de Ilha das Flores. Para encontrar esta geocache o geocacher deverá visitar, na Vila de Santa Cruz, a Fábrica da Baleia, o Centro Interpretativo do Boqueirão, bem como a Zona dos Fornos da Fábrica no Boqueirão. Depois de recolhidas as informações pedidas, o geocacher descobrirá que esta cache encontra-se em …, enfim: noutro local emblemático desta vila, tendo o container final “tudo que ver com o tema da cache”!

A propósito do tema desta cache, o amigo historiador José Vieira Gomes escreve na sua obra “In Cadernos de Sociomuseologia – A Baleação e a identidade cultural de uma ilha”:

“A mais antiga Armação baleeira que sabemos ter existido na Região dos Açores, foi na Ilha das Flores e remonta ao ano de 1857. Ao que se julga só teria entrado em atividade dois ou três anos mais tarde. Importa referir que a partir dos finais do séc XVIII, navios das frotas baleeiras de Nova Inglaterra, começaram a procurar os fundeadouros da Ilha para fazerem aguada, refrescarem e recrutarem elementos para as suas tripulações.

No início da década de 30, o Armador Maurício António de Fraga, da costa sul da Ilha das Flores, construiu no Porto das Lages das Flores, uma instalação designada por Casa da Baleia, que consistia num espaço coberto, em que foram montados dois “pots” de derreter, uma “cooler”, tanque de arrefecimento e decantação do azeite e no subsolo, foi construída uma enorme cisterna com capacidade de armazenagem da produção da campanha anual. Ao que sabemos, foi a única construção existente em todo o Arquipélago, neste género. É nitidamente uma tentativa pré-industrial, que uma década mais tarde, veio a acontecer na própria Ilha, e em mais três ilhas da Região. O marmoto que aconteceu no dia 25 de Setembro de 1940, destruiu as instalações artesanais de três Armações Baleeiras da Ilha, bem como de todo o equipamento de transformação e ainda toda a produção de azeite daquela campanha. O que estava armazenado em cisternas, junto à orla marítima, bem como o de duas outras Companhias baleeiras, que estavam em cascos sobre o cais, para exportação aguardando embarque para Lisboa. Foi uma cruel perda da justa retribuição dum ano de duras canseiras, duma penosa tarefa de riscos e de arrepiantes emoções, em que por vezes pagavam com a vida a coragem de desafiarem o mais poderoso e gigantesco animal do Reino de Neptuno. Este acontecimento funesto, foi um rude golpe no principal sector da economia, da Ilha, naquela época. Fez mudar a orientação económica da baleação. Abreviou, e certamente acelerou o surgimento da fase industrial.

Foi projetada a construção duma grande fábrica contemplando a especificidade da ilha do seu isolamento e da sua vocação baleeira. A área coberta é de 1850 m2. Concebida nos moldes da arquitetura Industrial dos anos 30, é um belo exemplar desse período de construção e de incontestável beleza, no que toca a linhas, volumetria e implantação, magnificamente enquadrado com a paisagem.

O afastamento geográfico das Ilhas do Grupo Ocidental, que é a maior distância constatada entre qualquer Ilha do Arquipélago, cerca de 140 milhas náuticas dificultava as comunicações com centros de abastecimentos. Assim, todo o empreendimento visava a maior autonomia e independência na laboração de todos os sectores de apoio à indústria. Uma espécie de navio fábrica que encalhasse junto à costa da Ilha. Com a crise da II Guerra Mundial a procura de óleos de cetáceos foi enorme, resultando no aumento do preço deste produto, que disparou em flecha, atingindo valores da ordem dos 5$00 por kg. Esta fábrica, que era de grande modernidade na época, pela sua organização, é um exemplar único na Região certamente no País. Dividindo-se essencialmente em dois grandes sectores: Serviços de transformação e serviços de reparação e manutenção da frota de caça, equipamentos de laboração, incluindo o guincho a vapor, peça de grande raridade.

Assim, em Julho de 1943, entrou em laboração a Fábrica Baleeira do Boqueirão, pertença da Sociedade Reis e Flores Lda., que laborou até ao final de 1981, data em que foi interrompida a caça à baleia na ilha. Em 1983 foi adquirida pela Câmara Municipal de Stª Cruz das Flores, que pretendia utilizar uma parte do seu espaço e a restante ser aproveitada para fins culturais, e como pólo de atração turística”.

 Por sua vez e sobre o Centro Interpretativo do Boqueirão, a técnica e geocacher Marlene Noía (aka Marés), diz que: “O Centro de Interpretação Ambiental do Boqueirão inaugurado em Novembro de 2009, foi concebido nos tanques onde se armazenava o óleo de baleia que era derretido na fábrica. Este centro ocupa o espaço dos três tanques que pertenciam à fábrica "moderna" e que deixou de laborar em 1981. Neste Centro existe uma sala  dedicada aos Cetáceos.... A proximidade de uma paisagem associada à memória da baleação na Ilha das Flores, de um porto de recreio e também de várias piscinas naturais, ainda sem qualquer intervenção humana são fatores que integram um turismo ambiental e de natureza como também um turismo de cultura e de ciência...”.

 

AZGT - Suspenso no Tempo... | Suspended in Time... - GC61DB5

 

Este é um dos locais mais espectaculares (e são tantos…) da ilha das Flores. A earthcache, que tem o inovador tema “dos vales suspensos”, foi construída propositadamente para esta geotour, pelos geocachers Pedro.b.almeida e Palhocosmachado. Localiza-se no Poço da Ribeira do Ferreiro, local este que no passado já foi conhecido por vários outros nomes, como por exemplo Alagoínha.

Para esta cache se encontrar situada num local mágico, o geocacher deve ter em atenção que o percurso/trilho “calcetado à moda antiga”, pode estar bastante escorregadio (em particular no inverno) e que se tem que ter algum cuidado na progressão do terreno.

O tema desta earthcache relaciona-se com os “vales” em geologia. Explora os vários “tipos de vale”, a saber: glacial, fluvial, suspenso…

Um vale é uma depressão topográfica alongada, aberta, inclinada em uma determinada direção em toda a sua extensão. Pode ser ou não ocupada por água. O tamanho deste acidente geográfico pode variar de uns poucos quilómetros quadrados a centenas ou mesmo milhares de quilómetros quadrados de área. Entende-se por vale suspenso, um pequeno vale que foi deixado "pendurado" acima do vale principal em forma de U. O fundo encontra-se situado num nível superior a uma depressão adjacente, que pode ser outro vale, um lago, ou até mesmo o próprio mar. A queda acentuada a partir do vale suspenso relativamente ao piso principal geralmente cria cascatas.

 

 

A ilha do Corvo
(a Ilha mais isolada da Europa)

A Ilha do Corvo tem uma área de cerca de 17 km2 (cerca de 6 km de comprimento e 4 km de largura). É a mais pequena ilha e também a que se situa mais a norte do arquipélago dos Açores. É formada por um único vulcão, que esteve activo, pela última vez, há aproximadamente dois milhões de anos. Dista da sua ilha vizinha Flores (a sul) cerca de 24 km (menos de uma hora no barco que efectua a ligação). Em 1993, o seu pequeno aeroporto foi construído, com uma pista que apenas mede cerca de 850 metros, permitindo o tráfico aéreo entre ilhas.

 

AZGT - Lagoa do Caldeirão – Corvo - GC1YNZE

Esta cache tradicional foi construída em 2009, pelo geocacher chico.costa, e mais tarde foi adoptada por discoverer man (geocaher Rui Pimentel, responsável pela GeoTour Azores na ilha mais pequena do arquipélago açoriano). Esta geocache localiza-se, sem dúvida, no local mais emblemático (e mais visitado!) desta ilha.

Lagoa do Caldeirão

(Lagoa criada na cratera do vulcão que originou a ilha do Corvo)

“A Lagoa do Caldeirão está formada no interior da cratera do vulcão que deu origem à ilha do Corvo, cratera essa que tem 3400 metros de perímetro e 300 metros de profundidade, contados desde o bordo até ao nível de água. A lagoa encontra-se ocupada por pequenas ilhas que praticamente a conseguem dividir em lagoas mais pequenas, dependendo da pluviosidade. Encontra-se na Zona de Protecção Especial da Costa e Caldeirão da Ilha do Corvo que pretende  preservar toda a área envolvente, que é extremamente rica em biodiversidade”.

 

AZGT- Moinhos do Corvo - GC1YG35

Esta cache tradicional também foi construída em 2009, pelo geocacher chico.costa e mais tarde foi adoptada por discoverer man. Localiza-se na interessante Vila do Corvo.

Moinhos do Corvo

“Traçado de inspiração muçulmana e construção entre os séculos XIX e XX, fazem parte do Inventário do Património Histórico e Religioso da ilha do Corvo.

Apresentam-se como um conjunto de três moinhos fixos, cujo corpo de construção se apresenta tronco-cónico e em alvenaria de pedra. Dois dos moinhos são rebocados e caiados a cal de cor branca. Estes moinhos apresentam-se com uma cobertura de forma cónica e giratória, feita de madeira. Desta cobertura emerge o mastro das varas que dá suporte ao velame de formato triangular e muito raro do seu género nos Açores.

Estes moinhos encontram-se assentes sobre uma base elevada e de forma circular, sendo acessíveis através de escadas de lances simétricos e divergentes.

O único vão que se apresenta nestes moinhos é a porta de entrada, que se encontra elevada em relação à base. Tem-se acesso a esta porta através de escadas de lances simétricos convergentes encostadas ao corpo tronco-cónico. Apresentam-se com um estado de conservação considerado bom”.

 

 

 

 Artigo publicado na GeoMagazine#21.



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