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8 anos depois: o que mudou no meu Geocaching, por prodrive
10 September 2014 Written by  prodrive

8 anos depois: o que mudou no meu Geocaching, por prodrive

Faz hoje 8 anos que encontrei a minha primeira cache.

Quem me conhece, sabe que não sou nostálgico nem adepto da máxima "antigamente é que era!". Considero que durante o processo houve muita coisa que se perdeu, mas muita outra que se ganhou.

Nas contas do deve e haver não consigo chegar a um resultado nem a uma conclusão se está melhor ou pior, mas está certamente diferente!!

Independentemente da massificação ou não, parte da magia inicial de encontrar uma cache acabou por se desvanecer. É um processo natural, os containers, a forma de esconder, os esconderijos acabam por se repetir vezes sem conta, ao ponto de tornar monótono. Salvo raras excepções, o acto de procurar a caixa em si deixou de ser o motivo principal do meu Geocaching. Encaro-o quase como um mal necessário.

Com o tempo passei a retirar mais prazer do caminho percorrido até à cache, dos locais de cortar a respiração que me foram revelados ao longo destes 8 anos, dos desafios que se proporcionando e sobretudo dos momentos de prazer no convívio com outros Geocachers, alguns dos quais passaram a fazer parte do meu círculo mais restrito de amigos.

Uma das maiores mutações que ao longo destes anos senti na actividade, foi a massificação, nem tanto de Geocachers, mas sobretudo de caches.

Nos primeiros anos de actividade, o meu principal objectivo e motivação para sair de casa e procurar caches era a ambição de um dia as conseguir encontrar todas!! O ponto de viragem surge com uma sequência de meses em que o número de caches publicadas é amplamente superior ao número de caches encontradas. O paradigma tinha que mudar, porque já não era mais exequível tal missão, nem que me tornasse Geocacher a tempo inteiro com orçamento ilimitado.

Rapidamente redimensionei os objectivos, para algo mais exequível como por exemplo, encontrar todas as caches no meu distrito. O objectivo era efectivamente exequível, mas depois de uma jornada lá para os lados de Vialonga em que encontrei mais de 80 caches inconsequentes, mas em que cheguei a casa com um vazio maior do que quando saí, cheguei à conclusão que esta vida de "entregar pizzas" não era decididamente para mim.

Até esse momento sempre tive a preocupação de escolher itinerários em que no mesmo dia conseguisse conciliar caches em "quantidade" com pelo menos uma ou duas caches de grande qualidade para sentir algum retorno e alguma satisfação da actividade, mas neste Geocaching de proximidade isso já não era possível porque as caches de qualidade já tinham sido todas encontradas anteriormente e nas novas publicações raramente surgia alguma merecedora de maior atenção.

Com o advento das Badges do Geopt e dos Prémios GPS, renasceram novos objectivos e a mancha de caches que cobria o meu mapa de geocaching desaparecia à distância de um click, destacando apenas as que interessam em função dos meus objectivos, fossem eles virados para a qualidade, antiguidade ou territorialidade.

Voltei aos meus objectivos exequíveis, ainda que isso implicasse um tour de 600 ou 800 quilómetros para encontrar uma mão cheia de caches, cada uma delas com um sabor muito próprio, uma individualidade única, um desafio irrepetível, uma satisfação e um prazer incomparáveis.

Consigo alhear-me da publicação de powertrails intermináveis, caches paridas em ninhada sem qualquer nexo, ou de lixo que tenho num raio de 5 quilómetros de casa, embora não me sinta um tipo de gosto requintado e não viro a cara a uma cache que se me atravesse caminho, seja ela qual for, tenha eu disponibilidade para isso.

Deixei foi de programar as minhas viagens e passeios em função das maiores concentrações de caches, mas sim em função dos meus objectivos e das minhas resoluções.

Actualmente, gosto de ter mais oferta que tinha no passado, quando só havia 500 caches para procurar e tal como hoje, nem todas eram boas. Gosto muito de encontrar as cache antigas, pela sua resilência, por terem sobrevivido ao longo dos anos e por se enquadrarem naquele lote de caches que um dia sonhei poder vir a encontrar todas.

Essa filtragem de caches permitiu-me continuar a praticar o mesmo Geocaching de há oito anos atrás, alheio a toda esta massificação que basicamente me deixa indiferente.

Continuo a ter o privilégio da companhia de muitos amigos, não só dos antigos, como também alguns novos que prezo com a mesma consideração.

No meio da massificação de Geocachers, onde senti realmente uma mudança mais drástica foi enquanto owner. Se enquanto procurador de caches consigo fazer a minha filtragem, como owner tenho que levar com eles todos: novos, velhos, assim assim e mais não sei quê.

Acabei por me tornar mais defensivo. Embora nunca tenha sido um massivo plantador de caches, passei a plantar muito menos e ainda assim, caches cada vez mais restritas que sejam acessíveis ao menor número possível de Geocachers. Gosto ainda assim das minhas caches mais "popularuchas" e tento preservá-las e mantê-las activas, embora a motivação seja cada vez menor.

Em jeito de balanço, posso afirmar sem qualquer margem de dúvida que continuo a gostar tanto de Geocaching como há 8 anos atrás, tenho excelentes recordações da actividade, mantenho contacto com muitos amigos que o Geocaching me apresentou e continuo a retirar muito prazer de grande parte das caches que visito.



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