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Billund, a Terra do Lego, por Rita Zurrapa
05 April 2014 Written by  Rita Zurrapa

Billund, a Terra do Lego, por Rita Zurrapa

Owl68 e rui9lima mais uma vez juntos no trabalho e no divertimento. Destino Dinamarca, Billund, a terra do Lego. Objectivo: Trabalho… Mas a vida não é só trabalho e o que seria um dia de trabalho, sem caixinhas para alegrar e aquecer o coração? Uma tristeza!
Quem olha para o mapa de Billund, depressa descobre que o passeio turístico será rápido, ainda por cima com neve à mistura e alguns graus abaixo de zero...brrrrrr Tendo em conta a agenda de trabalho que tínhamos, tudo indicava que não teríamos muitas oportunidades de fazer as poucas caches que lá existem. Por isso, não havia dúvidas. Tínhamos duas horas para ver tudo e encontrar o máximo de caches. Quem nos indicou o centro da cidade informou-nos de imediato que em 30 minutos teríamos a volta feita e que em breve estaríamos de regresso. Contudo, ele desconhece as forças misteriosas que nos movem. O poder de ser feliz a encontrar tupperwares por esse mundo fora. Qualquer cantinho sem interesse pode ser merecedor de um ou mais sorrisos. Só quem o faz é que sabe, o quão bem faz à saúde… mesmo com um frio gélido…

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Assim, 10 minutos depois de chegar ao hotel já estávamos todos equipados, para o frio, para as caches e prontos para sair. GPS ligado. Segue a setinha. A primeira estava a 200 metros! A ansiedade que acompanha sempre a primeira cache de uma jornada, acabaria em breve. E assim foi. Os muggles que nos acompanhavam depressa depreenderam que não jogávamos com o baralho todo. Um GPS em riste. Conversas em código. No meio de um parque cheio de estátuas ( Billund Skulpturpark) do que eles gostam é de um banco de madeira?!

Com uma breve introdução sobre o geocaching aos muggles que nos acompanhavam, partimos de imediato para a próxima. Não havia tempo a perder!
Como depressa se percebeu que nesta terra só há Lego e... caches (pelo menos foi o que nos pareceu) os muggles acabaram por nos seguir de cache em cache. Umas caches tinham mais interesse do que outras, mas como sempre acabámos por conhecer locais que só o geocaching o permite. Billund é realmente a terra da Lego. Todos os edifícios tinham peças de Lego ou estão relacionados com a Lego. Entre duas caches visitámos (por fora) o local onde os criativos da Lego idealizam novos mundos de peças coloridas que fazem as maravilhas de crianças de todas as idades. Estávamos todos roídos de inveja a espreitar pelas enormes janelas! Um open space gigantesco, cheio de Lego por todo o lado. Desenhos dos novos e dos velhos projectos. Peças soltas. Baldes cheios de peças coloridas. Bonecos pequenos. Bonecos grandes. Tudo em Lego. E o agradecimento dos muggles por lhes temos proporcionado esta oportunidade.

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Seguimos para a cache do "Quartel General" da Lego (Billund by GPS "LEGO HQ"). Nesta altura já os muggles enregelados nos tinham abandonado. Isto de andar às caches é giro mas definitivamente não é para todos. A noite estava quase a cair e o frio teimava em ser cada vez mais. Mas nem pensar vir à terra da Lego e não fazer esta cache. Nunca mais nos perdoaríamos. Até podíamos ficar sem os dedinhos dos pés e das mãos com o frio, mas esta tinha de ser nossa!
Chegados ao local apresentaram-se 3 peças Lego gigantes empilhadas, bem em frente à entrada principal do edifício. A dica não deixava dúvidas. Dentro da peça amarela. Sem hesitar "entrámos" na peça gigante para iniciar a busca. De fora só se viam os nossos pezinhos e ouviam-se as nossas vozes, que pensando bem deviam ecoar, tal era a nossa descontração. "Aqui não está." “Ai, tenho as mãos geladas!” "Aqui também não. Tens luz? " "Encontrei! " Felicidade!! E eis que, para um som nos tira do transe. “Truz, truz, truz!” Ficámos os dois espantados a olhar um para o outro. Olhámos para baixo e havia mais um par de pés, junto aos nossos. Saímos e lá fora estava um segurança com um ar meio de espanto meio de zangado. E nós felicíssimos por teremos encontrado a cache e ainda a deliciarmos com o container, uma peça de Lego (claro!). Éramos só sorrisos (de felicidade e nervosismo).

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A pergunta do costume, o que estávamos nós ali a fazer? Por mais que tentássemos explicar o que ali fazíamos, não tínhamos sucesso. Ele não nos ouvia. Repetia incessantemente que não podíamos estar ali. Que não podíamos andar a colocar coisas no terreno da Lego. Basicamente, para ele nós éramos uns terroristas que andávamos a colocar bombas em peças de Lego gigantes, com o intuito de rebentar com os escritórios da Lego. Quando finalmente no meio de explicações sobre o geocaching, dissemos que quem tinha colocado a cache até poderia trabalhar ali, o senhor acalmou. Lá seguiu o seu caminho sem que não voltasse a deixar bem claro que nós não podíamos estar ali a colocar caixas/coisas/aquilo. No final ficámos convictos que ele não entendeu nada do que lhe dissemos, mas deve ter percebido pelo nosso ar que se não deveríamos ser terroristas, mas apenas loucos. Quem anda à procura de caixas em Legos gigantes com -5 graus numa terra de nome Billund? Só loucos mesmo! O owner tinha passado há pouco tempo para fazer a manutenção. A cache estava cheiinha de bonecos para troca...e Legos!

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Houve mais caches no dia seguinte, mas a aventura do segurança vai ficar na nossa memória. Não vamos esquecer a cara dele quando de repente aparecemos com uma peça de Lego na mão, saídos de outra peça de Lego, com o ar mais natural deste mundo. Não vamos esquecer o nosso espanto enfiados numa peça de Lego gigante, quando de repente alguém “nos bate à porta”.
Acredito que a felicidade é feita de pequenas coisas. Acredito que cada um de nós se sente feliz em momentos diferentes e por razões diferentes. O geocaching faz-me feliz hoje, como tal vou continuar à procura das pequenas coisas que me fazem feliz. Mesmo que sejam caixas de plástico!

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Rita Zurrapa, [Owl68]

Este artigo participou no passatempo Geopt "Uma aventura, 1000 palavras"



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