“E se íamos fazer geocaching este fim de semana?”
Nesta sexta-feira de final de Setembro, sem ainda plano para o fim de semana, lembrei me de fazer esta pergunta ao Pedro, o meu namorado.
"O que é geocaching?" foi a sua primeira resposta mas depois de alguma pesquisa na Internet, ficamos os 2 entusiasmados com o conceito e começamos a procurar uma aplicação para instalar no telemóvel.
No dia seguinte de manha, com um tempo que parecia que ainda estávamos no meio do verão e depois de comprar comida, agua e canetas multicolores, seguimos para 2 cachezinhas perto de casa. “Isto é fácil! é só seguir o compasso e está la a cache!” lembro me ter dito. Sim, realmente as 2 primeiras caches foram feitas num pisco de olho.

Já bastante seguros das nossas capacidades, decidimos fazer a cache que era o grande objetivo do dia, a floresta das Sombras GC3KF6K na Serra do Louro (Parque natural de Arrábida). Chegados ao local de estacionamento, preparamos nos para a nossa aventura, o que basicamente foi eu trocar as sandálias por sapatilhas. Na altura não me pareceu que havia algum problema a fazer a cache com um vestido de verão… Prontos e cheios de energia, começamos a procurar o trilho que ia nos levar até o primeiro ponto.
“Achas que isto é um trilho?” perguntei ao mostrar o que parecia um caminho através de um campo. O pedro olhou para o compasso, era a direção correta por isto não havia duvida, era o trilho! Atravessarmos o campo mas depois de uns metros já estávamos nos no meio do mato, a vegetação começava a ser mais densa mas continuamos a avançar.

“É mais difícil que pensava” disse o Pedro. Ao que respondi “Pois, é geocaching”. Depois de quase 10 à 15 minutos a passar entre silvas, ramos de arvores e outros arbustos mas sempre de olho no compasso, chegamos a um muro de quase 2 metros de altura. Voltar atras era fora de questão por isto começamos a procurar uma forma de subir. Atras do muro, havia uma arvore, por isto decidi agarrar me a um ramo para me ajudar a subir; confesso que durante um segundo, perguntei me o que ia acontecer se o ramo cedesse mas mandei este pensamento para longe e la passamos. Mas atras do muro, o que havia? Silvas e mais silvas… O que fazer? Já não era possível andar atras mas não era opção continuar no meio da vegetação assim. Decidimos parar de ir em linha direta para a direção que o compasso indicou, o que era a nossa estratégia até este momento, e começamos a procurar um caminho melhor. Foi de certeza a decisão com mais bom senso que tomamos este dia. Depois de mais uma centena de metros que nos pareceram quilómetros, subimos mais uma encosta e de repente chegamos a um trilho, Este era o trilho! Nem queríamos acreditar…
Caminhar até o primeiro ponto foi um prazer depois do que tínhamos passado. Já no ponto e depois de ler a dica, ainda andamos quase 20 minutos a procurar de qualquer coisa, pois nem sabíamos o que procurávamos. Mas tive sorte e la dei com o mecanismo. Mas e agora, onde estão as coordenadas? Realmente estava la uma bolinha mas pensei que estava só a fazer contra peso. Foram mais 15 minutos a procurar. Numa altura, sentei-me a pensar que tudo isto era bem mais complicado do que estava a espera. Ainda bem que o Pedro acabou por tirar a bola para ver de mais perto… E estavam la as coordenadas. O entusiamos voltou mas foi neste momento que o telemóvel do Pedro ficou sem bateria! De qualquer forma com ou sem bateria, não ia ser de grande ajuda pois não fazíamos a mínima ideia de como inserir um waypoint. Mais um momento de desespero, até que me lembrei que tinha uma aplicação que dizia as coordenadas onde estávamos. Bastava andar até acertar nas coordenadas que tínhamos encontradas! Isto parece mais simples de dizer que de fazer. Um passo a direito, um passo a esquerda… Dois a frente, três atras… Foram muitas tentativas mas chegamos ao segundo ponto e encontramos as coordenadas seguintes com sucesso! A magnífica construção deste ponto deu-nos energia para encontrar o terceiro e ultimo ponto.

Tentamos aplicar a mesma estratégia com as coordenadas finais mas parecia que andávamos em círculo. Numa altura, olhei para o Pedro que já estava bastante cansado mas não podíamos desistir tão perto. Por isto disse “Vamos usar a nossa cabeça, vamos procurar um sitio perto onde esteja possível esconder uma cache. E funcionou!” Ainda bem que não estávamos a procura de uma micro… Depois de uns minutos, o Pedro deu com ela e que lindo container! Digno da nossa aventura… Já sentamos no chão pois nesta altura já não conseguíamos andar; andamos a fazer o inventário ao container que estava cheio, mal vi outro assim, e vem o momento de fazer o log. Procuro uma das canetas e apercebi-me que as tinha deixado todas no carro… Típico… Mas pensei logo que ia ter que voltar um dia para fazer esta cache de novo e assim assinar o logbook.

A volta foi tão agradável, já não fazia tanto calor, só tínhamos que seguir o trilho e aproveitar o passeio com a sensação do “dever cumprido”. Passamos por túnel de árvores e casas abandonadas e disfrutamos cada momento desta caminhada.
Demoramos meia hora quando na ida foram quase 2 horas mas este regresso foi feita com as cabeças cheias de imagens da nossa aventura sem parar de falar da cache e da engenhosidade dos pontos.
Chegados ao carro, olhei para as minhas pernas e os nossos braços e assustei-me; a nossa passagem pelas silvas tinha deixado algumas marcas. Mal sabia que nunca ia deixar de lutar contra as silvas nos próximos meses. Pois, porque desde este dia nunca paramos de procurar caches… e melhoramos bastante com as lições que aprendemos nesta aventura ![]()
Julie Juif - Princesseleia

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