Afinal o que aconteceu com o FCP?
Porque chegou a Equipa atrasada ao campo?
E quem ousa afirmar que houve uma intenção deliberada dos Dragões em atrasar o jogo em 3 minutos?
Recorde-se que FC Porto e Sporting deveriam ter jogado à mesma hora, uma vez que estava em causa a classificação do Grupo B da Taça da Liga.
Escreve um Sportinguista, em defesa dos azuis e brancos. Porque eu estive lá e vi tudo, a cores e ao vivo!
Vamos então recordar o que se passou.
Foi no sábado, 25 de janeiro. Eu estava na fila para entrar no Estádio. Aquilo andava devagar, mas lá cheguei ao segurança. Foi nesse momento, em que devia estar a passar o bilhete e a ser revistado, que ouvi falar português do Brasil, brasileiro com pronuncia de São Paulo. Diga-se que sou perito em distinguir os diversos tipos de língua brasileira. Há a brasileira do Rio, a brasileira do Carnaval, a língua-de-sogra brasileira e a Dilma...
Então, voltei os meus olhos na direção da voz e vi um grupo de rapazes encapuçados a olhar para todos os lados. Uma pessoa quando vê coisas assim pensa logo no pior. Como as mochilas deles tinham dragões desenhados, pensei que eram terroristas japoneses. Ou isso ou fãs do Dragon Ball.
Pelo sim, pelo não, fui atrás deles, armado em Sherlock Holmes e com noção que acabava de perder o lugar na fila.
A noite estava escura. Os miúdos levavam um pequeno foco que não iluminaria mais de 3 metros à sua frente. Avançavam por terreno cheio de silvas e alta vegetação. Foi então que ouvi “está quase na hora”, com o devido acento paulino. E começaram a correr, cada vez com mais velocidade, qual Obikwelu. Instintivamente, olhei para trás, esperando ver o Dragão ir pelo ares. Ao mesmo tempo dei uma olhadela ao relógio para registar a hora exata: eram 20h31. Uau! Tinha corrido mais de 20 minutos atrás de uns candidatos à meia maratona do Porto. E não os alcancei! Aliás, perdi-lhes o rasto. E ia perder o piiiiiiiiiii inicial.
Já ia dar meia volta quando reparei num reflexo de luz. E outro. E outro. Os meus olhos já estavam adaptados à escuridão e conseguiam ver as águas calmas do Douro, iluminadas pelo reflexo dos faróis dos carros que circulavam no cimo da ponte.
Foi então que escutei aquele som característico destes momentos: passos sobre folhas secas. Atirei-me para o chão, para não ser visto. Mesmo a tempo! Não fui visto. Mas ouvi a conversa...
“Josué, vamos chegar tarde! Corre!!!”
“Epá, daqui lá cima são 15 minutos! Carlos, não nos vamos atrasar mais de 3 minutos! É um mínimo atraso!”
“Anda! Serve como aquecimento!”
tiagosgd