Dia de Folga, dia de percorrer mais uma PR (as de Sintra estão no cardápio para estas semanas) sendo que a escolha recaiu na PR8 SNT - Percurso do Vinho de Colares.
Pouco mais de 14km com início e fim junto da Adega Regional de Colares, onde se encontra o Painel informativo.

Logo à saída e a juntar ao edifício onde se inicia o passeio temos um outro, com uma fachada muito bonita, de nome "Caves Visconde de Salreu".

A partir daí a PR "embica" para o interior da zona chamada de "Pinhal da Nazaré" ou "de Colares" para não mais a abandonar até à entrada nas Azenhas do Mar... são um pouco menos de quatro espetaculares quilómetros entre Vivendas, talhões de pinhal "abertos" (sendo que não são delimitados por ribeiros mas sim por caminhos) e estradas/caminhos com pouquíssimo transito!

Não sei bem porquê mas desde a minha infância, quando vim passar umas semanas a uma colónia de férias da C.P. na zona (fruto de ser sobrinho de um ex-ferroviário), que me sinto fascinado por este local... não sei se é o tapete de caruma que se encontra por todo o lado, se o facto das habitações não terem os usuais muros enormes que tapam a vista em redor ou outra coisa qualquer mas... tenho sempre uma sensação de paz e bem estar quando para aqui venho. Mais do que em qualquer outro local onde já tenha estado, mesmo.

Adiante, de Colares às Azenhas, só vejo mesmo vinha perto desta ultima... rota do vinho?? ![]()

Chegada à referida localidade, uns bonitos painéis alusivos ao tema adornam a parede de um restaurante e um pouco mais à frente lá estamos, com o mar à vista e a percorrer as típicas escadinhas que nos obrigam a ver bem a zona, merecida... é bem castiça.

Antes de a abandonar, tempo para uma "caixinha", de nome, claro, "Azenhas... do Mar!" de onde temos uma vista geral em redor e onde perdi mais um par de óculos de sol... típico! ![]()

Uns metros adiante, perto de uma curiosa habitação, está o inicio do trilho para um dos "Pratos do Dia" que pesaram na escolha desta rota, a bem mais velhinha "DP12 - Azenhas do Mar", num local mais resguardado e com uma vista mais selvagem! Boa, na minha opinião!

Seguimos por um trilho paralelo à estrada, observando algumas ?típicas? moradias de cor alaranjada até ao Miradouro da Praia da Aguda e, mais uma cache, com vista para o Oceano, "Costa Atlântica Portuguesa", onde encontrei não só a cache mas um !assustador! grafitti numa das paredes do edifício em ruínas. 

Não conhecia de todo esta zona e a EC lá em baixo na praia, "Geologia na praia | Geology at the beach", fez questão de mostrar as coisas ao pormenor... a sorte bafejou-me e à hora que aqui cheguei a maré estava mesmo vazia e permitiu um descontraído passeio, com tempo para tudo... até para suar as estopinhas a descer/subir aquela réplica do "Caminho do Rei" que chamam de escadas... conheço algumas pessoas que nunca na vida frequentariam esta praia (uma delas vive em minha casa)!

Já a mim, agradou-me bastante todo o conjunto, Praia deserta, EC interessante, acesso dúbio mas estável qb, etc... um dos momentos altos!

A PR8 desenvolve-se para os terrenos semisselvagens das Arribas em direção à Praia do Magoito até escolhemos um acesso (pelo menos eu não consegui descortinar a marcação que indicaria o correcto) para com uma curva de 90º seguirmos para Fontanelas e, aqui sim, observarmos algum vinhedo, além de umas curiosas macieiras rasteirinhas, onde temos de nos dobrar para apanhar os frutos... nunca tinha visto tal coisa. ![]()

Fontanelas rapidamente fica para trás e temos mais uns excelentes quilómetros novamente pelo Pinhal! 5*! Nesta direção (no regresso a Colares) temos dois pontos extra para observar, "cortando" os mais de sete quilómetros de bosque até ao final:
1 - uma bonita e curiosa Capela circular à beira da mata. No caminho para aqui sugiro veemente que se utilize um troço alternativo, pela estrada até à Capela, porque o trilho original é cortado por um pequeno mas fundo ribeiro, que por estes dias nos obriga a um verdadeiro acto de fé... acreditar que a ponte (se se pode chamar de ponte) não cederá com o nosso peso e que a inclinação que a mesma apresenta não nos precipitará para a água não está ao alcance de todos... confesso que tive mais que a minha conta de sorte e que apesar de ter escorregado a meio da travessia me aguentei lá em cima.

Existe uma cache nas proximidades referente a este local, "São Mamede de Janas", mas afastada o suficiente para não sermos observados por muglles mais curiosos.

2- um fontanário bem recuperado e que alberga (quando lá passei até estava desaparecida) mais uma cache, "Fontanário de Janas".
Seguindo para Colares, passamos ao largo da localidade que dá o nome ás caches anteriores, Janas, e aproveitamos para encher os pulmões nesta recta final...
Uma PR de grau de dificuldade bem baixo (se não descermos à Aguda), muito bonita e com muita sombra, recomendado para todos as idades, a ter em atenção apenas o facto de sempre serem 14 quilómetros. E com algumas caches bem interessantes, claro!