Halite (mineral) ou cloreto de sódio (da sua fórmula química), popularmente conhecido simplesmente como sal ou sal de cozinha, é formado na proporção de um átomo de cloro para cada átomo de sódio e tem a fórmula química, NaCl. Em condições normais o sal é um sólido cristalino e branco mas a sua cor pode variar para castanho, laranja e até roxo. Denomina-se salgema o cloreto de sódio acompanhado de cloreto de potássio e de cloreto de magnésio. A popular flor de sal, tão apreciada na cozinha “gourmet”, é constituída pelos cristais de sal que se formam à superfície da água, durante a produção de sal marinho em salinas.
A formação de halite em leitos deve-se à evaporação da água do mar. Estes leitos correspondem a grandes áreas que anteriormente continham corpos de água salgada separados do mar, tal como lagos ou lagoas. Com a evaporação da água, a halite precipita da solução formando camadas de sal cristalino. Estas camadas, denominadas evaporíticas devido ao processo que as forma, podem ficar à superfície da terra ou ser enterradas debaixo de sedimentos ao longo do tempo. Estes depósitos de sal enterrados, devido ao serem muito plásticos em termos de deformação, e menos densos do que a maioria das outras rochas encaixantes podem, eventualmente, formar diapiros de sal podendo estes ascender através de falhas.

Extracção de salgema no jazigo de Campina de Cima, Loulé. (Foto Daniel de Oliveira)
Por ter um comportamento plástico, utilizam-se diapiros de sal para se escavar cavernas para armazenamento de gás. A sua plasticidade garante a estanquicidade da caverna por autoselar qualquer fractura.
Hoje, condimento tão banal, em tempos longínquos já foi moeda de troca tendo tanto valor como se fosse metal. A halite tem uma variedade de usos industriais sendo muito importante para a indústria química. É utilizado para a produção de ácido clorídrico, cloro, sabão, soda cáustica, hidróxido de sódio e esmaltes cerâmicos. Como todos sabemos é também um tempero na comida para pessoas e animais. Mais vulgarmente é um bom conservante para tratamento de peles de animais e alimentos. Um dos usos mais comuns, devido ao facto de baixar o ponto de fusão da água, é ser utilizado para “derreter” o gelo das estradas nos meses de inverno.
Em Portugal conhecem-se várias jazidas de sal distribuído pelos concelhos de Óbidos, Loulé, Caldas da Rainha, Pombal, Rio maior e Torres Vedras com idades a rondar o Jurássico Inferior (~200 M.a.).
Uma das mais antigas e provavelmente das mais interessantes jazidas será a das salinas da Fonte da Bica situadas a 3 km de Rio Maior e com oito séculos de história. Aqui, água sete vezes mais salgada do que a do mar é conduzida de um poço, através de regueiras, para talhos, compartimentos feitos de cimento ou de pedra, de tamanho variado e pouco fundos. Os esgoteiros, as eiras e as casas de madeira para armazenagem do sal, completam o conjunto do que é denominado Marinhas de Sal de Rio Maior.

Talhos com sal nas Marinha de Rio Maior (Foto: Daniel de Oliveira)
Tal como foi explorado outrora, hoje o sal é explorado por várias entidades. Os empresários grandes e pequenos, industriais e artesanais e também pelo singular geocacher. Este último apenas para difundir conhecimento de uma indústria e arte por vezes esquecida. O sal não vem do supermercado, mas sim dos processos que actuam na terra.
Aveiro e Rio Maior parecem-me terras propícias para o desvendar desta indústria. Não deixem de visitar Halite (NaCl) - DP/EC25 (GC1G07D) e Flor de Sal(GC3KE9A) para ficarem a conhecer mais sobre este tema. Mas porquê parar aqui? A zona do Samouco ali ao lado de Lisboa e Setúbal? E Porque não também a zona de Castro Marin? Curiosamente aqui não se destacam caches com esta temática e ali empilha-se sal em grandes apreciáveis.

Das profundezas de Loulé extrai-se halite para a indústria química e para degelo das estradas, particularmente as da Serra da Estrela. Ninguém se lembrou da antiga CLONA? Empresa da CUF!
Se é condimento, no jogo das caixinhas as condimentadas são as melhores porque dão outro sabor à aventura. Essa aventura começa no sul e acaba no norte mas vai além-fronteiras para terras que já foram nossas. Procurem que hão-de gostar.
In GeoMagazine, Fevereiro 2013 - Edicão#1