Em 2007, e perante a impossibilidade dos Sagitários em organizar de novo o evento, procurei criá-lo e mantê-lo pelas terras nortenhas do Minho e Trás-os-Montes e acrescentar uns toques pessoais que vão para além do jantar e das castanhas assadas! Creio por exemplo que o GeoMagusto foi inovador, ao introduzir no programa do convívio a famosa Queimada Galega.
A ideia da Queimada Galega surgiu naturalmente quando procurava actividades para enriquecer o evento do Magusto. A predisposição e fama do geocacher, Sigla_d, para realizar Queimadas Galegas eram já conhecidas, pelo que o acréscimo da queimada foi uma mais-valia no programa do GeoMagusto. Aliás, tem sido uma colaboração bem sucedida e que se tem mantida ao longo dos anos.
Se fizerem uma pesquisa no Youtube por GeoMagusto poderão ter uma ideia do que é a Queimada Galega.
Que recordações guardas das 5 edições anteriores? Houve algumas situações mais caricatas, divertidas ou imprevistas que fizeram história na memória colectiva dos participantes do GeoMagusto?
Todas as edições anteriores do GeoMagusto têm primado não só pelos excelentes momentos de convívio e diversão mas também, e como deves imaginar, num evento que procura manter a tradição da castanha assada bem acompanhada por uma “boa pinga”, pelos resultados por vezes caricatos. Alguns excessos de “poção” levam alguns geocachers a ganhar “asas”. :)
Recordo-me de na 1ª edição o jipe do Sagitário ter ficado com uma roda num poço e tivemos todos de subir para cima do jipe para fazer contrapeso. No 2º ano, o Walcarr teve de mudar um pneu de madrugada ou quase com -3ºC. Fê-lo de t-shirt e a transpirar. Vai-se lá saber o porquê!... Existem também certas tradições como a de dependurar geocachers nas árvores ou ainda, a de subir para os quartos a joelhos, ao bom estilo manuelino.
Não é pois de estranhar neste evento, alguns geocachers ganharem o gosto pelo canto nocturno. Recordo-me da prestação efusiva do Ed10, Nandini e Sigla num tubo que tinha virado microfone na 3ª edição do GeoMagusto!
Ano após ano o evento mantém algumas tradições mas também soube acompanhar a evolução dos tempos! Tens vindo a diversificar a escolha do local para acolher o GeoMagusto que no próximo mês de Novembro vai decorrer em Mourilhe! Que critérios levaste em conta para eleger este ano o Hotel Rural Srª dos Remédios para albergar o evento?

O GeoMagusto nunca foi, nem será, um evento organizado para multidões.
A escolha do local incide essencialmente no misticismo que se procura incutir ao evento. Daí, a escolha em 2007 e 2008 da estalagem de Carvalhelhos. O jantar realizava-se dentro da estalagem e o pessoal entrava para o restaurante ao toque da sineta. Os pratos eram fenomenais e feitos a partir de produtos de qualidade e locais.
O convívio realizava-se junto à grande lareira e ao som de algumas notas de viola.
A queimada decorria fora da estalagem depois da meia-noite, com um frondoso bosque como envolvente. Um ambiente natural e selvagem muito dado ao misticismo. De noite, era uma sensação incrível!
A cachada nocturna de lanterna em mão era fantástica! Creio que nos divertimos imenso nesses 2 anos de GeoMagusto.
O pessoal acabava por ir para a cama pelas 3.00 da manhã, pelo que, o facto de haver quartos no mesmo local, era uma vantagem que a maioria apreciava.
A escolha de Mourilhe, este ano, tem por base os mesmos critérios de selecção. E dado que já não é possível realizar o evento na estalagem de Carvalhelhos, a escolha do hotel rural do Padre Fontes foi uma alternativa que surgiu naturalmente.
Este ano, teremos um jantar a condizer com o tema, uma grande chaminé acesa e a crepitar para garantir o ambiente e para assar as castanhas como antigamente. Sem falar, da presença do Padre Fontes. Com sorte, teremos a hipótese de o ouvir contar algumas lendas locais.
Por motivos logísticos, e porque muitos participantes não hesitam em percorrer centenas de kilómetros para reclamar o attend, por norma este evento estende-se ao longo do fim de semana! Como devem proceder os geocachers que pretendam pernoitar? A organização dá uma ajuda na reserva das dormidas? O programa prevê actividades suplementares para animar a estadia?
O GeoMagusto é um evento muito exigente e começa a ser organizado com uns meses de antecedência à sua ocorrência. Quem participa já se apercebeu de toda a logística implícita.
A reserva dos alojamentos tem ficado por minha conta nestes últimos anos. E posso confirmar que neste momento, só já restam 3 quartos disponíveis para a noite do Magusto.
Para além da Queimada Galega existem actividades complementares que vão decorrendo, como o jogo do Mono, a cachada nocturna, alguns jogos e prémios atribuídos durante o jantar. Em 2009 tivemos o prazer de assistir a um pequeno concerto, interpretado pelo quarteto do Rmatosinhos. Foi muito bom!
Este ano, e se tudo correr dentro do previsto, teremos a bênção dos GPS pelo Padre Fontes na capela da casa.

O programa oficial da edição 2011 está disponível para consulta na listing do evento, mas para os mais distraídos e sem revelar eventuais surpresas, podes resumir brevemente como vai decorrer esta edição, desde a recepção aos convidados até ao prolongamento noite adentro?
Afim de manter o misticismo, não posso adiantar mais nada àquilo que já contei... Mas está garantido que o evento irá decorrer dentro dos padrões habituais e irá prolongar-se pela noite adentro como já é praxe.
Basta a participação e boa disposição de todos os intervenientes! Contudo posso levantar o véu sobre um dos aspectos mais relevantes: a ementa!
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Entradas |
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Caldo de Ortigas malditas colhidas nos confins do paraíso |
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Prato principal |
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Sobremesa |
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Café negro à diabo assombrado ou chá mágico das terras do sono. |
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Bebidas |
Este ano o GeoMagusto apresenta-se como uma “Edição Embruxada”! Como surgiu a ideia de uma edição temática? Os participantes correm sérios riscos de regressarem de Montalegre possuídos, enfeitiçados ou com o “diabo no corpo”?
Todos os que participam no GeoMagusto sabem que nunca voltarão a ser os mesmos! A organização informa de que não se responsabiliza pelos danos que a participação em tal evento possa causar.
Cada um terá de se precaver, consoante as suas crenças, contra os riscos que possa eventualmente vir a correr. Tragam alho, crucifixo, tatuagem na testa com a morada de casa, água benta, aspirina e todos os demais artefactos que acharem conveniente trazer convosco.
A edição deste ano foi antecipada uma semana devido ao casamento dos Sagitários que se realiza no dia 12 de Novembro e ao pedido de alguns geocachers do sul. E como coincidia com a semana das bruxas, aliado ao facto do evento se realizar na casa do famoso Padre Fontes, a escolha da temática foi óbvia.
Uma das incontornáveis tradições deste evento é o jogo do Mono! Podes explicar em que consiste esta troca de prendas pouco ortodoxa? Dentro do vasto rol de monos das edições anteriores, qual foi o objecto mais cobiçado, mais original ou surpreendente alguma vez inventariado?

O jogo do mono representa o espírito alegre e altruísta dos geocachers.... ;) Um pouco com o que acontece com o que se deixa como presentes nas caches (estou a brincar).
Já houve quem tentasse descartar-se da sogra, mas o feliz contemplado fugiu apavorado e passou a dedicar-se a outras actividades mais seguras que o geocaching (de novo a brincar).
Agora a sério!... Recordo-me de objectos pouco ortodoxos como o prontuário médico e quase pré-histórico do Nandini, os Walki-talkies do Garri, o regador que calhou aos CPteam no ano passado...
Se há algo que não falta aos geocachers portugueses é imaginação! E monos em casa, também não!
Já tenho o meu preparado para este e vai ser uma surpresa. ;)
Outro ponto alto do evento é a prova da famosa BOMBA, este ano com certeza convertida em poção mágica! A receita certamente ficará no segredo dos Deuses, mas são de prever alguns efeitos secundários?
A famosa “Bomba” é uma bebida caseira preparada à base de aguardente pura que fica durante um longo período de tempo a macerar em folha de videira. Daí a cor verde horripilante e que tanto faz torcer o nariz aos mais destemidos.
Este ano, não teremos a Bomba pronta atempadamente, pelo que, será substituída por “Vinho dos Mortos”, tradicional de Boticas, e/ou, pela “Água de Levanta o Pau”, da casa do Padre Fontes.
Aceitam-se voluntários para uma primeira prova. Só depois poderemos fazer a lista dos efeitos secundários. ;)
Com um programa tão diversificado e recheado de surpresas quase que nos esquecemos da verdadeira estrela do evento: a castanha! Silvana, a castanha assada na lareira à moda antiga tem conquistado de facto os geocachers gourmet mais exigentes?

A castanha assada é por excelência, a rainha deste evento. Aliás, o Magusto é um evento com origem nas aldeias nortenhas e a forma mais usual de a apresentar é assada.
Este ano, fomos prendados com uma bela lareira. Será pois, à boa maneira antiga que as castanhas serão assadas.
Em Montalegre esta e outras tradições resistem ao passar do tempo! Gostarias de deixar o convite à comunidade geocacher para partir à descoberta desta zona do país? Entre belas caches, grandes paisagens e um povo acolhedor, na tua opinião esta região tem tudo para fazer os geocachers felizes?
Nasci neste concelho de Montalegre, ás portas do parque da Peneda-Gerês, numa pequena aldeia trasmontana, pelo que a minha sugestão será sempre muito subjectiva.
O parque da Peneda-Gerês não precisa de apresentação. È em si, um local selvagem de uma indiscutível beleza paisagística. A qual encontra correspondência na qualidade das caches colocadas por todo o parque.

Aconselho em especial, uma visita às caches existentes nos arredores de Pitões de Junias pois ficam relativamente perto do local do evento.
Montalegre é conhecida pela batata, pelo fumeiro e presunto e pela sua vitela barrosã... Trata-se de um concelho que procura manter as fortes tradições que herdou dos seus antepassados.
Percorrer as aldeias de Montalegre e da vizinha, Boticas permite-nos manter um olhar sobre o passado e nas raízes do povo transmontano e vislumbrar como as tradições ainda persistem. São pessoas conhecidas pela sua simplicidade e por serem extremamente acolhedoras, a maioria ainda se dedica a actividades como a agricultura e a pastorícia.
Aproveitem este evento para descobrir este pequeno e ainda preservado, recanto natural do norte de Portugal.
Obrigada Silvana pela disponibilidade e parabéns por manter vivos os usos e costumes do GeoMagusto, sempre com muita simpatia e com uma brilhante organização! O GeoPt.org deseja que a Edição 2011 seja especialmente Embruxada, e que cada vez mais geocachers marquem presença neste grande e tradicional convívio!
