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Os Lamas da Arrábida
14 March 2013 Written by  Ricardo Ribeiro

Os Lamas da Arrábida

Esta estória passa-se algures na Arrábida, em cache cuja identidade já se desvaneceu no tempo. Mas o lugar foi ali para os lados de Setúbal, entre a cidade e a serra. A cache levou o carro por estradas menos próprias, de terra mal batida, muitos calhaus e rasgos. Por fim, a aproximação final, a pé… e, já pelo meios dos matos, a coisa de 30 metros, começo a ouvir vozes… “scchhhh…. ouço gente… que chatice, devem ser caçadores, aqui, só pode…!”. Mas não nos ficámos… continuámos a avançar, e o som de humanos à conversa intensificou-se. E a curiosidade a incitar a mais um passo, a agulha do GPS a apontar para ali, e os metros estimados a descer. Quando finalmente foi obtido contacto visual, ficou claro que não se tratavam de caçadores, só podiam ser na nossa estirpe… geocachers.

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Mas estes geocachers tinham um comportamento estranho. Em vez de esquadrinhar a área, de GPS na mão e sentidos antentos, estavam sentados bucolicamente em volta de uma toalha de piquenique e mastigavam com gosto enquanto iam falando. Se fosse a valer, a emboscada seria letal. Foram apanhados completamente desprevenidos, não diria de calças na mão, mas certamente de boca cheia. À nossa aproximação sorridente levantaram-se logo. Eram os Lamas. Perguntei se já tinham encontrado a cache. Que não, que a coisa estava complicada e então decidiram fazer uma pausa para repôr o nível energético. E foi nessa actividade que os surpreendemos.

Eventualmente o tesouro apareceu. Algo afastado do ponto zero, talvez 10 ou 12 metros, o que naquele terreno de mato denso é a morte do artista. Deu ainda bastante trabalho, mas nesse dia, mais do que a memória de mais um found ficou a imagem daqueles três mosqueteiros a banquetearem-se candidamente exactamente sobre o ponto zero.

P.S. – Após escrever o texto, fiz uma pesquisa um pouco mais cuidada e acabei por identificar a cache. Foi na The Spirit of Saint Louis, e a cena passou-se no dia 12 de Março de 2006. Até está aqui o meu log original, ainda em inglês, como era costume naquela época.

 

Artigo do blog Papacaches. Mais textos em http://papacaches.wordpress.com



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