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Faz Hoje… anos a Mina do Lousal
13 Feb Written by 

Faz Hoje… anos a Mina do Lousal

Mina do Lousal [Grândola] by Team Geo-Cricket , Grândola, distrito de Sétubal.

Para mais informação geológica dê uma vista de olhos

neste log do geocacher danieloliveira


A edited version of: Matos, J.X.; Relvas, J.M.R.S. (2006) Mina do Lousal (Faixa Piritosa Ibérica). Livro Guia Excursão C.4.1, VII Cong. Nac. Geologia, Estremoz, Un. Évora, Portugal, pp. 23-25.

A Mina do Lousal foi explorada entre 1900 e 1988 fundamentalmente para pirites, desenvolvendo-se os trabalhos mineiros desde a superfície até cerca de 500m de profundidade (Poço nº1). A companhia Mines et Industries S.A. (Grupo SAPEC) foi o último concessionário da mina tendo aqui laborado desde 1936. O jazigo foi descoberto em 1882 por António Manuel, que terá identificado o chapéu de ferro das massas Sul e Extremo Sul situado na margem esquerda da ribeira de Corona. Os chapéus de ferro e as zonas de enriquecimento supergénico das massas Oeste, Central, Sul e Extremo Sul, indicadas de NW para SE, foram explorados até à década de vinte essencialmente para cobre. No ano de 1928 a SAPEC inicia a produção de superfosfatos na sua unidade fabril do Barreiro. Desde essa época esta empresa e também a CUF foram o principal destino das pirites do Lousal. O método de exploração do jazigo baseava-se em cortes horizontais ascendentes com posterior enchimento, sendo as frentes mineiras contínuas e a sua progressão do tipo degrau invertido simples. O enchimento das galerias era efectuado com escombros extraídos em pedreiras situadas na actual corta da mina, utilizando-se na sua movimentação chaminés de entulhos. O minério extraído era sujeito a escolha manual, trituração, granulação e crivagem na oficina de tratamento e, posteriormente, transportado por ferrovia. Durante a década de 60 e início dos anos 70 a produção anual foi de 230000 a 250000t, tendo o minério cerca de 45% de S e 0,7% de Cu. A pirite, predominante no Lousal, é acompanhada de calcopirite, galena, esfalerite, pirrotite, marcassite, bournonite, tetraedrite, cobaltite, saflorite e ouro nativo. Com cerca de 50Mt de sulfuretos o centro mineiro do Lousal inclui cerca de 18 massas de pirite correspondentes a dois horizontes principais de sulfuretos maciços com atitude geral N45ºW, 80ºSW, indicados de NW para SE: Grupo Ocidental: massas Oeste, Sul e Extremo Sul (corpos mais superficiais); Grupo Oriental (principal): massas Miguel e Central (corpos mais superficiais), António, Norte - Leste, Norte, Fernando, José (a mais possante com 40m de espessura) e José Sul (corpos mais profundos). A área mineira do Lousal apresenta forte complexidade estrutural acentuada por desligamentos tardios verticais N5ºE, com componente normal direita e abatimento do bloco oeste, representados pelas falhas de Corona e Poço Miguel. Os dois horizontes de sulfuretos, em cima indicados, dispõem-se nos flancos de uma antiforma cujo núcleo é ocupado pela Fm. de Corona (Gr. Filito-Quartzítico, Fameniano sup. – Estruniano).


Esta formação aflora a N do Lousal e no bloco oriental da falha de Corona. O jazigo encontra-se associado ao Complexo Vulcano-Sedimentar (CVS) da Faixa Piritosa (Fameniano sup.-Viseano sup.) que aqui é representado por três unidades principais indicadas da base para o topo: i - xistos cinzento-escuros piritosos com lentículas de sulfuretos associadas (jazigo do Lousal), intercalações de espilitos e de metavulcanitos felsicos xistificados localmente com texturas fiamme e fácies vulcanoclásticas, xistos cinzentos com nódulos siliciosos e vulcanitos coerentes de natureza rio-dacítica; ii – xistos siliciosos com intercalações finas de chertes e de metavulcanitos ácidos finos sericíticos fortemente xistificados, diabases intrusivas associadas aos espilitos superiores; iii – espilitos, localmente com fácies de pillow-lava, intercalações esparsas de jaspes e de xistos borra-de-vinho. O enquadramento paleogeográfico do jazigo do Lousal é semelhante ao de outros depósitos de sulfuretos da FPI associados a xistos cinzento-escuros piritosos, formados em ambiente marinho redutor como Montinho (Portugal) e Tharsis e Sotiel (Espanha). Para oeste a estrutura CVS do Lousal, que se prolonga para norte até à falha de Grândola (sector mina da Caveira), encontra-se limitada por um cavalgamento principal de direcção N40ºW, contactando tectonicamente com a Fm. de Mértola (Viseano sup.). Os eixos das dobras apresentam inclinação NW, predominando na corta da mina planos de clivagem N50ºW, 85ºSW. A alteração meteórica das massas de sulfuretos Central, Miguel, Oeste e Sul é evidenciada pela presença de chapéus de ferro com possança métrica e, localmente, por uma intensa caulinitização supergénica. Na zona sul da corta observa-se uma nascente de águas ácidas, associada a uma fractura N35ºW, que reflecte a dinâmica dos aquíferos locais condicionados pelas ribeiras de Corona e Espinhaço de Cão.


Matos, J.X.; Relvas, J.M.R.S. (2006) Mina do Lousal (Faixa Piritosa Ibérica). Livro Guia Excursão C.4.1, VII Cong. Nac. Geologia, Estremoz, Un. Évora, Portugal, pp. 23-25.

Menos de dez anos após o encerramento da mina em 1988, a Fundação Frederic Velge (FFV), que integra a empresa SAPEC, proprietária da mina, e a Câmara Municipal de Grândola, iniciaram um plano integrado para a revitalização da povoação mineira do Lousal (RELOUSAL), explorando as imensas potencialidades museológicas, turísticas, formativas e lúdicas que em si encerram as instalações de superfície, os trabalhos de exploração subterrânea e a céu aberto, e o manancial de história e de informação técnica e socio-cultural deixadas por décadas de lavra mineira. Um número significativo de iniciativas foi já desenvolvido no âmbito deste programa, incluindo um centro de artesanato, um centro de recepção de visitantes, uma albergaria, um restaurante, um auditório e um museu de arqueologia industrial. Para um desenvolvimento sustentado do turismo mineiro no Lousal, na fase post-mining da mina, a FFV concebeu o projecto DESCIDA À MINA, estimado em 8M€, que contempla uma visita subterrânea às antigas galerias. Este programa complexo e multidisciplinar envolve variados especialistas em áreas do conhecimento, que vão da engenharia de minas, à computação gráfica e realidade virtual. Desde o primeiro momento que a Geologia se assumiu como o vector âncora de toda a iniciativa. As visitas subterrâneas serão iniciadas num centro interactivo de interpretação, instalado no antigo edifício da trituração do minério, que incluirá módulos dedicados à geologia e génese do depósito, à evolução dos métodos de exploração da mina e processamento do minério e aos impactos culturais, históricos e socio-económicos da lavra mineira. Os visitantes descerão às galerias subterrâneas num elevador, ao qual serão conduzidos em vagonetes especiais que circularão em carris instalados numa grande infra-estrutura elevada que atravessará toda a corta, recreando, mas em sentido inverso, o trajecto anteriormente percorrido pelo minério. Um percurso geológico e mineiro pela antiga corta complementará a visita subterrânea. O projecto incluirá ainda um Centro de Documentação e Estudos Avançados em Geologia e Engenharia de Minas, de cuja actividade dependerá em grande medida a credibilidade científica, dinamização e permanente Renovação dos conteúdos envolvidos.

Um outro projecto em curso consiste na criação de um “Centro de Ciência Viva”, denominado MINA DE CIÊNCIA, vocacionado para a temática dos Georecursos. Este será parte integrante da actual Rede Nacional de Centros de Ciência Viva e terá por objectivo a divulgação e educação científica e tecnológica, dirigida a um público-alvo tão amplo quanto possível. O espaço físico fará uso de infra-estruturas já existentes que não serão descaracterizadas relativamente às suas valências originais. Na Mina de Ciência será privilegiada a interactividade com o público (preferencialmente, hands on), recorrendo-se para tal a um vasto leque de metodologias que vão do manuseamento físico de materiais e/ou módulos experimentais, ao recurso às mais modernas técnicas de aproveitamento da imagem nas suas versões 2D, 3D e realidade virtual.

Matos, J.X.; Relvas, J.M.R.S. (2006) Mina do Lousal (Faixa Piritosa Ibérica). Livro Guia Excursão C.4.1, VII Cong. Nac. Geologia, Estremoz, Un. Évora, Portugal, pp. 23-25.



Um outro projecto em curso consiste na criação de um “Centro de Ciência Viva”, denominado MINA DE CIÊNCIA, vocacionado para a temática dos Georecursos. Este será parte integrante da actual Rede Nacional de Centros de Ciência Viva e terá por objectivo a divulgação e educação científica e tecnológica, dirigida a um público-alvo tão amplo quanto possível. O espaço físico fará uso de infra-estruturas já existentes que não serão descaracterizadas relativamente às suas valências originais. Na Mina de Ciência será privilegiada a interactividade com o público (preferencialmente, hands on), recorrendo-se para tal a um vasto leque de metodologias que vão do manuseamento físico de materiais e/ou módulos experimentais, ao recurso às mais modernas técnicas de aproveitamento da imagem nas suas versões 2D, 3D e realidade virtual.

Matos, J.X.; Relvas, J.M.R.S. (2006) Mina do Lousal (Faixa Piritosa Ibérica). Livro Guia Excursão C.4.1, VII Cong. Nac. Geologia, Estremoz, Un. Évora, Portugal, pp. 23-25.


 

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