Ao atravessar a Bósnia e a Herzegovina, e especialmente durante a visita a Sarajevo, os cemitérios mostraram-me as lágrimas da guerra civil. Numa cidade cercada anos a fio, sujeita a bombardeamentos diários e ao fogo constante dos atiradores especiais, o espaço nos cemitérios convencionais depressa se esgotou. A população teve que improvisar, usando todos os pedacinhos de terreno livre para enterrar as vítimas. E isso vê-se hoje. Quando se anda por Sarajevo, a cada esquina dá-se de caras com um pequeno cemitério. Os nomes, quase todos muçulmanos, predominantemente de homens, falecidos nos mesmos anos, os anos negros… 1992, 1993, 1994,1995, 1996.
Em Sarajevo não foi só o facto do espaço dos cemitérios se ter esgotado, que fez proliferar cemitérios por todos os espaços públicos existentes, mas também o facto dos ajuntamentos nos funerais se tornarem alvo preferencial dos snipers sérvios, pelo que tiveram que improvisar e enterrar os entes queridos no palmo de terra que estava ali à mão, muitas vezes o quintal lá de casa.
E sim, a realidade de teres sempre um cemitério em linha de vista e os estilhaços de artilharia nas fachadas de basicamente todos os edifícios não recuperados de Sarajevo foi das coisas que mais me impressionou e que mais histórias me contou.
Ricardo, quarta-feira o nosso passeio começa aqui
http://www.geocaching.com/geocache/GC4YNRZ_um-bocadinho-de-sintra-em-lisboa