O Nuno Lobito está neste momento a percorrer mais ou menos o percurso que eu fiz. Embora ache um pouco "parvas" algumas coisas que diz no programa Portugueses no Mundo que ontem passou na Antena 1, cá ficam...
Está a fazer a Route 66 a correr (ou neste caso a conduzir demais...) o que não é nada próprio de um viajante que se preze. Talvez por isso, as barbaridades que disse...
Já por aqui tinha sido falado. A fazer este tipo de viagens fast-food com "médias" a suportá-las, não me admira que tenha conseguido viajar por todos os países do mundo...
E pronto chegou o dia em que começamos o Coast to Coast. A ideia era fazer a ligação até Chicago onde começa(va) a Route 66 por autoestrada (ou InterStates) em cerca de um dia e meio.
O sistema viário norte-americano é vital para uma sociedade baseada no automóvel. As interstates são normalmente grátis, excluindo alguns troços em redor das principais cidades. O trânsito é quase 50/50 entre automóveis ligeiros (embora alguns não tão ligeiros como isso...) e pesados (trucks). É na verdade impressionante a quantidade de camiões que se encontram e as velocidades a que se deslocam. Aparentemente não existe diferença de velocidade máxima entre ligeiros e pesados e é muito frequente os pesados ultrapassarem ligeiros ou ultrapassarem-se entre eles, no limite ou para além dele das velocidades máximas estabelecidas. Essas velocidades variam conforme os estados entre 65 mh/h e 75 mh/h (+/- entre 105 km/h e 122 km/h). As vezes em que atingi velocidades maiores (que não ultrapassaram os 140 km/h) foi para me distanciar dos monstros que se colavam à minha traseira...o que causa algum desconforto. Lembrei-me várias vezes do filme do Spielberg, Duel (ou em português "Um assassino pelas costas")
O filme completo aqui. É um belo filme que agora percebo melhor A frente de um camião americano é muito mais intimidante do que a dos europeus...
Podem querer. Ter um bicho destes a poucos metros da traseira do carro (qual margem de segurança qual quê...) a mais de 100km/h mete um bocado de respeito.
Assim pelas 9h estávamos no stand da National Car no JFK. Concluímos que não era preciso para nada a carta de condução internacional e tivemos algum tempo à espera que nos entregassem os carros.
Eramos 17 distribuídos por 5 SUV. Carros de 7 lugares, mas que para levarem a quantidade de bagagem que se levava, ficam reduzidos a 5 ou 4 a viajarem confortavelmente. Calhou-me um Dodge Grand Caravan com um motor de 3.600 cc a gasolina. Embora a gasolina seja nos EUA mais barata do que o gasóleo e muito mais barata do que cá (entre 3,65 e 4,25 $/Galão, o que dá menos de $1/l e em euros menos de 80 cêntimos...) estava com receio que gastasse para aí uns 15/16 l/100 (quando lá estive à 15 anos a média de consumos dos carros americanos ultrapassava os 20l/100...). Mas não, revelou-se uma agradável surpresa e fizemos todos médias entre os 10 e os 11 l/100.
Sendo um carro de gama média foi interessante verificar as diferenças em relações aos carros europeus...
Motores como muito mais cilindrada e a gasolina. Reflexos das distursões que a carga fiscal provocam na Europa...
Mudanças automáticas. Não consigo perceber porque é que na Europa os carros ainda são prácticamente todos de caixa manual... O conforto de uma caixa automática não tem comparação. Prazer de conduzir? Em trânsito intenso de para-arranca o prazer é não ter de estar constatemente de pé na embraigem e com a mão nas mudanças... Em TT as vantagens são também muitas. Nas recuperações e acelerações ainda realmente pode fazer diferença, mas depende muito da qualidade da caixa automática. E aí as caixas americanas ficam muito atrás das europeias. Tive durante 4 anos um VW Golf com 2.000 cc e mudanças automáticas com uma capacidade de aceleração superior ao equivalente de caixa manual e que para quem quisesse brincar permitia a mudança manual em patilhas no volante. As caixas americanas (pela experiência passada) e pelas conversas que tenho tido com quem percebe do assunto são muito mais lentas e nota-se perfeitamente a sua engrenagem. Nada de grave para um país com estradas a direito a perder de vista e com velocidades máximas baixas.
Equipamento. Enquanto que na Europa começa a ser vulgar as luzes e limpa-vidros automáticas, lá mantêm-se manuais e prioritizam as regulações eléctricas dos bancos... Cá algumas marcas já não têm chave e basta a aproximação do telecomando ao carro para a abertura das portas. Lá são todos assim e alguns permitem por o motor a trabalhar pelo telecomando. A principal razão é permitir o aquecimento prévio nas temperaturas negativas. Numa típica moradia americana o carro fica na rua e não em garagem fechada. Assim basta ao dono antes do pequeno almoço ir à janela e por o carro a trabalhar, depois quando sai já está com a temperatura nos conformes.
Os carros fizeram todos cerca de 6.400 km sem nenhum problema a assinalar (excepto os 50/60$ que todos os dias gastávamos para os atestar), excepto os dois fusíveis que fundiram... Ao contrário de outros carros que tinham saída de 110V, o meu não a tinha e quando tentei ligar o inversor que tinha levado de 220V estranhamento o fusível de 15A do inversor não teve problemas (farto-me de o utilizar em viagem), mas o do carro não aguentou. Depois do segundo, desisti e deixei para o hotel o carregamento de aparelhagem que não pudesse ser carregada a 12V.
Ficam aqui umas fotos dos carros. Reparem nas matrículas, cada uma é de um estado diferente o que me leva a concluir que os $250 dólares que levam por não se devolver o carro na estação de levantamento é um grande negócio. Para uma grande locadora com a National, só terão de fazer transferências de carros quando não houverem entregas cruzadas que se compensem...
O meu
Os outros quatro
O primeiro dia passou-se ao longo da I-80 até aos arredores do lago Erie perto de Cleveland. O lago Erie, juntamente com o Michigan que banha Chicago, é um dos Grandes Lagos da América do Norte e que fazem fronteira entre os EUA e o Canadá. O Erie é o 13º maior lago a nível mundial. Dá para ter essa percepção. É realmente estranho, para nós na Europa que temos lagos relativamente pequenos e chegar à beira do Erie e parecer um mar ou oceano, não se conseguindo ver ter até à linha do horizonte...
Foi um dia sem fotos da minha parte, mas quando tiver acesso a todas as fotos tiradas logo vejo se arranjo uma foto do Erie.
Só tínhamos levado hotel marcado para NY, Chicago e LA. Assim por volta das 18h começou-se a fazer o ritual que depois nos acompanhou até ao fim. Procurar um hotel/motel nos arredores de uma cidade (com uma ou outra excepção) e enquanto a organização ficava a negociar preços, os restantes iam atestar os carros. Ficou-se quase sempre em hoteis/moteis de cadeias que dessem uma certa segurança de não haverem más surpresas e que garantissem WI-FI free e pequeno-almoço incluído. Os quartos podiam sere maiores ou menores mas todos incluíam frigorífico, micro-ondas e máquina de café podendo-se escolher entre cama de casal KIng-Size (para casais super-gordos ou apropriadas para orgias ) ou duas camas supostamente individuais mas que correspondiam às de casal cá na Europa. Assim o preço é o mesmo que fique uma ou quatro pessoas num quarto... Preços que normalmente nestas cadeias e depois de mais ou menos regateados ficavam entre $65 e $85 (com uma excepção perto do Grand Canyon onde ficou por $100). Vimos muitas vezes preços anunciados à volta de $45 em motéis até muito mais típicos, mas dispensámos essa tipicidade em troca da previsibilidade das cadeias...Mas quem for mesmo com espírito de aventura, consegue dormir barato.
Depois ir-se aos quartos, tomar-se um bom banho retemperador, ir jantar a um restaurante mais ou menos típico, tentando fugir sem sempre conseguir do fast-food.
Há dois restaurantes que lá estão normalmente sempre próximos dos hotéis/motéis que por sua vez também estão normalmente juntos uns aos outros. O inevitável e conhecido McDonald's e o Denny's. À falta de melhor era esse normalmente o escolhido porque embora tenha fast-food também tem uma ementa variada e agradável a preços relativamente módicos. Estão ambos abertos 24/24 horas e são também muito utilizados para tomar os pequenos almoços (em duas vezes que o hotel não tinha pequeno-almoço incluído foi lá que fomos).